EDITORIAL
A aprovação do Mounjaro pela Anvisa, nesta segunda-feira (09/06), para o tratamento da obesidade no Brasil, marca um novo capítulo na medicina nacional. A caneta, que tem como princípio ativo a tirzepatida, já era comercializada no país desde maio, mas restrita ao tratamento de diabetes tipo 2. Com a nova indicação aprovada, o medicamento passa a ser também uma ferramenta contra a obesidade, que é uma condição de saúde complexa, multifatorial e, acima de tudo, profundamente atravessada por desigualdades sociais.
Do ponto de vista da indústria farmacêutica, a aprovação reforça o Brasil como mercado estratégico receptor de inovação. É, sem dúvida, um avanço regulatório importante. Mas, na prática, o impacto social do Mounjaro será limitado por uma barreira imensa: o preço. Estima-se que o medicamento custe entre R$ 800 e R$ 1.300 por caixa (valores inacessíveis para milhões de brasileiros).
O risco, agora, é tornar a obesidade mais uma doença marcada pela classe social. Para os mais ricos, o acesso à tecnologia de ponta? Para os mais pobres, o estigma, o improviso e a precariedade dos tratamentos oferecidos pelo Estado?
Vivemos uma era em que o culto à imagem e à magreza é alimentado por redes sociais e por padrões estéticos violentos. Medicamentos como o Mounjaro, criados para tratar doenças sérias, correm o risco de se transformarem em instrumentos da vaidade, banalizados por uma lógica de consumo rápido e aparência idealizada. A medicalização da estética, sem critério, reforça desigualdades, estimula a automedicação e adoece os corpos e as mentes.
Celebrar essa aprovação como uma conquista da ciência é justo, mas é preciso ir além: que ela sirva para nos fazer repensar o que entendemos por saúde. Cuidar da saúde não é apenas ter acesso ao que é novo, caro ou eficaz. É respeitar a diversidade e o tempo de cada um. É tratar a obesidade como uma questão de saúde pública, com educação alimentar, políticas de inclusão, segurança alimentar e acesso a profissionais capacitados.
Em tempos de promessas instantâneas, é preciso lembrar que a saúde não se compra em prateleiras, mas se constrói com informação, acompanhamento e respeito ao próprio corpo.
PIAUÍ TORNA OBRIGATÓRIO A PARTICIPAÇÃO DE POLICIAIS CIVIS E MILITARES EM PROGRAMAS DE SAÚDE MENTAL

QUADRO GERAL: O governador do Piauí, Rafael Fonteles, sancionou na última quarta-feira (4), a Lei nº 8.709/2025, que torna obrigatória a participação de policiais civis e militares em programas de proteção à saúde que envolvem avaliação biopsicossocial periodicamente. A medida, publicada no Diário Oficial na quinta-feira (5), altera o Estatuto da Polícia Civil (Lei Complementar nº 37/2004) e o Código de Ética e Disciplina dos Militares do Estado (CEDME/PI, Lei nº 7.725/2022).
Segundo a nova norma, todos os agentes de segurança pública deverão passar por avaliação biopsicossocial, com encaminhamentos para consultas médicas, psicológicas e laboratoriais especializadas. Além disso, o Estado arcará integralmente com os exames. A recusa será considerada falta funcional e sujeita a penalidades disciplinares. (ODIA)
VALE ACOMPANHAR PORQUE: O Escuta Susp, programa de atendimento psicológico especializado para profissionais do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), ultrapassou a marca de 10 mil atendimentos, em menos de um ano de funcionamento. Em operação desde 28 de maio de 2024, a iniciativa atende 2,2 mil pacientes cadastrados em 15 estados.
A equipe conta com 88 terapeutas. “O Escuta Susp vem se apresentando como uma alternativa fundamental de oferta de cuidado com a saúde mental dos profissionais de segurança pública. O marco dos 10 mil atendimentos comprova a aceitação do projeto entre os policiais”, declara a diretora do Sistema Único de Segurança Pública (Dsusp), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), Isabel Figueiredo. (GOV.BR)
NÃO DITO: Pesquisa de intervenção formativa desenvolvida no Estado de Santa Catarina, por meio de observações nas situações de trabalho, análise coletiva do trabalho (ACT), entrevistas individuais e o desenvolvimento do Laboratório de Mudanças, observou que policiais estão adoecendo e perdendo sua vida em decorrência das condições desgastantes de sua labuta diária. Fernanda Zanotti, doutoranda da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, autora da tese, discorre sobre possíveis causas do sofrimento mental de agentes militares na execução de suas funções. (Jornal da USP)
TÚNEL DO TEMPO: A polícia no Brasil, que é a que mais mata e morre em todo o mundo, também sofre com outro importante aspecto: saúde mental. Para abordar a temática, o Jornal da USP no Ar conversou com Fernanda Novaes Cruz, pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP e do Grupo de Estudos de Pesquisa em Suicídio e Prevenção (Gepesp). Estudando O suicídio e os profissionais de segurança pública quando estava no Rio de Janeiro, juntamente com a pesquisadora e coordenadora da Gepesp, Dayse Miranda, Fernanda revela que a intenção foi pensar nesses agentes para além da violência.
“O que se passa na vida dessas pessoas? O que elas têm? Foi muito difícil fazer essa pesquisa, porque as instituições não acreditavam que existia esse problema [de saúde mental] internamente”, explica. Somada a essa negação, elas enfrentaram a escassez de dados sobre suicídio entre policiais e também o tabu da sociedade em tratar a problemática. (Jornal da USP)
VÁ MAIS FUNDO: No início deste ano, foi publicado na Revista de Gestão Social e Ambiental (RGSA), que é uma publicação científica que visa provocar a discussão e a divulgação da temática socioambiental resultante de pesquisas acadêmicas, o artigo: “Saúde mental do policial militar do Piauí: a importância do acompanhamento psicológico”. O artigo discute os transtornos mentais que acometem os policiais militares, dentre outros indicadores do processo saúde/doença decorrentes da atividade policial, chamando a atenção para a importância do acompanhamento psicológico para promoção da saúde do policial militar do Piauí. (RGSA)
PAREI PARA VER
O perfil @inpiaui compartilhou em seu perfil no Instagram um vídeo produzido pela guia turística @ramiraguiaserradacapivara, mostrando uma das cachoeiras temporárias que se formam no período chuvoso na região do Parque da Serra da Capivara, no município de Coronel José Dias. O vídeo aponta um dos enormes paredões de pedra do Parque, sendo cortado pelas águas das chuvas, numa bela imagem que revela a importância da preservação e da riqueza que nasce na caatinga piauiense.
COLOQUE NA AGENDA
Teresina está na rota dos shows especiais de Humberto Gessinger de álbuns acústicos dos Engenheiros do Hawaii. O cantor gaúcho, que foi líder de uma das principais bandas do rock nacional, está rodando o Brasil com shows especiais onde celebra os álbuns “Acústico Engenheiros do Hawaii” (2004) e “Acústico Novos Horizontes” (2007). Teresina receberá essa apresentação no dia 20 de setembro, onde serão reproduzidos clássicos como: “O Papa é Pop”, “Infinita Highway”, “Toda Forma de Poder”, “Refrão de Boleto”, “Piano Bar” e “Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e os Rolling Stones”. A venda de ingressos ainda não foi aberta e o local do show não foi divulgado.
O QUE ESTÃO FALANDO
Em um mundo globalizado, em que uma ação realizada em qualquer ponto tem influência do outro lado do mundo, se proliferaram nos últimos anos séries que retratam a humanidade vivendo em um mundo pós-apocalíptico. A realidade fantástica que pode ser observada em séries como “The Walking Dead” e “The Last of Us”, ou em filmes como “Eu Sou a Lenda” e “Mad Max”, mostram cenários devastados pela crise da civilização.
Com a propagação das Inteligências Artificiais algumas pessoas passaram a usar esse tipo de ferramenta para tentar vislumbrar alguns desses cenários. A página Teresina Ordinária compartilhou algumas imagens que mostram uma Teresina Pós-Apocalíptica, o que gerou repercussão nas redes sociais, como comentários bem humorados.
ACHAMOS QUE VALE FICAR SABENDO
PARALISAÇÃO NA LIMPEZA: Os trabalhadores da limpeza pública de Teresina anunciaram nesta segunda-feira, 09, que farão uma paralisação de 24 horas. O sindicato da categoria afirma que os profissionais estão com salários, vale-transporte e vale-alimentação do mês de maio atrasados. Os trabalhadores informam que caso o pagamento não seja regularizado a paralisação dos serviços poderá ser prorrogada. Atualmente há cerca de dois mil trabalhadores atuando na limpeza pública de Teresina. A empresa responsável pela contratação dos trabalhadores alega que que não recebeu o repasse da Prefeitura de Teresina, já a gestão municipal afirma que está em dia com os pagamentos. (Cidade Verde)
VACINAÇÃO: A Fundação Municipal de Saúde (FMS) vai realizar um dia D de vacinação contra a influenza (gripe) e HPV no próximo sábado, dia 14 de junho. Durante todo o dia, 17 postos estarão abertos nas quatro zonas da cidade aplicando os dois imunizantes e atualizando as cadernetas de vacina. A ação é alusiva do Dia Nacional da Imunização, que é comemorado nesta segunda-feira (09). Dentre os locais de vacinação, está o posto do Teresina Shopping, que estará em funcionamento das 10h às 20h. Além dele, as UBS Santa Isabel, Satélite, Cidade Jardim, Vale do Gavião (zona Leste), Usina Santana, Alto da Ressurreição, Mario Rocchi, Renascença (zona Sudeste), Saci, Cristo Rei, Promorar, Irmã Dulce (zona Sul), Cecy Fortes, Santa Maria da Codipi, Mocambinho (Valdinar Pereira) e Jacinta 1 (zona Norte) estarão com profissionais de plantão das 8h às 17h. (A10+)
MINHA CASA, MINHA VIDA: A Prefeitura de Teresina encerrou, no último domingo (08), as inscrições para o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal. Um total de 102.919 mil pessoas se inscreveram para concorrer às 1.008 unidades habitacionais. Segundo o cronograma do edital, nas próximas duas semanas a Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação (Semplan) vai fazer a validação das inscrições mediante confirmação da atualização do CadÚnico. Para ser contemplada, a pessoa não pode possuir outro imóvel e deve ter renda familiar de até R$ 2.850. Após essa etapa, será realizada a hierarquização dos candidatos classificados, e, em julho, será divulgada a lista final, organizada conforme a ordem de prioridade. (GP1)
LOGÍSTICA: Foi realizada uma operação de teste durante os dias 6 e 7 de junho, que levou 50 toneladas de minério em estradas piauienses entre a mineradora de ferro localizada em Piripiri e o município de Luís Correia, no Porto Piauí. A ação teve como objetivo identificar problemas logísticos no percurso, para um mapeamento de intervenções prioritárias que facilitem o tráfego de cargas pesadas na região. A simulação foi realizada estrategicamente em dois dias — na sexta-feira e no final de semana — sendo escolhido o sábado para testar o comportamento do tráfego em diferentes condições, levando em conta tanto o fluxo urbano típico dos dias úteis nas cidades ao longo do percurso quanto o aumento de veículos em direção ao litoral no fim de semana, já que Luís Correia é um importante polo turístico do estado. (ODIA)



