EDITORIAL
O Piauí possui o menor litoral do Brasil, mas ainda assim é rico de inúmeras belezas e com atrações únicas que só são encontradas aqui, como o único delta em mar aberto das Américas, onde a natureza proporciona espetáculos únicos, como a revoada dos guarás e os labirintos de ilhas, onde a natureza se esconde e se protege.
Essas e outras belezas, como as praias de Atalaia, do Coqueiro, da Pedra do Sal e de Barra Grande, são destinos de piauienses e turistas de todo o Brasil e de várias partes do mundo durante todo o ano. Mas é nos meses de férias que esse paraíso se enche de visitantes e que somos lembrados, a cada alta temporada, que não basta sermos privilegiados pela natureza — é preciso cuidar e nos preparar para receber.
São nesses momentos que velhos desafios se mostram e se repetem, como num ciclo mal resolvido. A infraestrutura, ainda precária, mostra suas fragilidades quando a demanda aumenta: a energia não suporta a grande procura e deixa turistas e moradores à luz de velas; o abastecimento de água não é suficiente e causa transtornos em todo o litoral.
Sem falar em serviços básicos, como a coleta de lixo eficiente ou o serviço de esgoto, que, em algumas localidades, inviabilizam o turismo e contrastam com a beleza natural do litoral piauiense.
É indiscutível que, nos últimos anos, houve avanços significativos, mas ainda persiste a falta de estrutura, que vem de décadas e que, a cada período de alta temporada, é relembrada pela população e pelos governantes. O litoral piauiense está deixando de ser um destino turístico sazonal e já passa a atrair turistas de forma mais persistente durante o ano inteiro, tornando-se um polo de desenvolvimento econômico permanente, gerando empregos e renda para as comunidades locais.
É preciso reforçar o papel essencial dos governos para o investimento contínuo em saneamento, mobilidade, segurança e capacitação profissional, além de uma gestão que pense o turismo de forma sustentável e que se lembre de que, além dos turistas, é preciso pensar na população que vive aqui e que sofre com essa falta de estrutura. Enquanto isso não for prioridade, continuaremos a ver, a cada verão, a mesma história: belezas que encantam, mas problemas que frustram.




