Boletim 06/08/25
Primeiro capítulo do segundo semestre de 2025 na relação nunca simples entre Câmara de Teresina e Prefeitura: avisaram que ia chegar e já voltou em dois segundos o possível veto do prefeito Sílvio Mendes (UB) às emendas de bancada dos vereadores. “A gente apresentou emendas de bancada e ele (prefeito) ia vetar. Pessoal (da Câmara) avisou que se vetar, o veto é derrubado, aí não vão mais vetar”, resumiu um parlamentar interessado no tema sobre o estágio atual do problema. Então não tem mais veto? Parece que não (se não mudarem de ideia até amanhã).

Qual a tendência daqui para frente, tendo sido aparentemente vencida pela Câmara a primeira batalha? “A tendência é piorar porque ele (Sílvio) não dá nada pra ninguém!”, respondeu, sincero, conformado e um pouco revoltado um vereador ouvido pelo boletim. E agora?
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De onde mesmo que surgiu essa emenda de bancada?
Alguém sabia dessa tal emenda de bancada? A colunista perguntou a um vereador qual foi o dia mesmo em que a emenda extra foi criada… “Inventamos a emenda no dia que ele (Sílvio) ganhou a eleição!”. Leitor, o mais besta aqui dá aula para Henry Kissinger (ex-diplomata, tido como um dos maiores negociadores políticos dos Estados Unidos)!
Bom, continuando, temos as emendas individuais, no valor de R$ 3 milhões, sendo R$ 1,5 milhão para colocar em qualquer área e R$ 1,5 milhão exclusiva para a Saúde, certo? Certo.
“Aí criamos a emenda de bancada. Colocamos a emenda de bancada 1% do Orçamento, R$ 1,5 milhão, obrigatoriamente pra obra e tem que ser um bloco de nove vereadores para indicar, por exemplo, para terminar uma ponte, obra grande”, explicou um parlamentar ao boletim sobre a ideia genial que quase (quase!) é torpedeada por Sílvio Mendes.
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“Nós tamos morto se continuar desse jeito!”
Segundo um outro vereador, que é cotado para ser base e já foi, inclusive, chamado para tomar um café quente na sala gelada, “a emenda é constitucional e o veto é inconstitucional. A Prefeitura ia passar vergonha se mandasse (o veto)”. Sabe-se que, na política, vetos e avisos de vetos servem também para marcar posição. E talvez tenha disso essa a jogada de Sílvio Mendes (essa é uma análise). O vereador completa: “Nós tamo morto se continuar desse jeito!”, e não explicou mais nada.
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Notas para o primeiro semestre: a montanha de desafios de Sílvio Mendes
Conforme prometido, os desafios da Prefeitura de Teresina para o segundo semestre merecem um capítulo à parte e aqui está ele (leia aqui a análise da colunista sobre os demais desafios do Executivo estadual, Congresso Nacional, Legislativo municipal e estadual). A montanha a escalar é mais ou menos do tamanho do Everest…
Apesar das ressalvas, ou especialmente por elas, vale frisar que Sílvio Mendes continua gozando de boa reputação. Na verdade, esse é o ponto: apesar de todos os imbróglios de administrar uma capital endividada (qual não é?), Sílvio fia (porque pode) toda a gestão na imagem dele. Funciona – por enquanto.

Transporte público– É verdade que houve um pequeno aumento no número de ônibus circulando, mas permaneceram as paralisações dos motoristas, a cobrança dos empresários e as justíssimas reclamações dos usuários. E depois de estabelecer prazos de solução, o prefeito Sílvio Mendes veio ao público dizer que o problema é de difícil e demorada solução.
Limpeza pública – No primeiro mês da nova gestão houve uma boa melhora na limpeza da cidade, mas logo o lixo voltou a mostrar sua cara, e começou um festival de lançamentos e suspensão de vários editais para novas contratações, disputas jurídicas e administrativas, insinuações de interferências externas, além de várias paralisações da coleta domiciliar. Resumindo, a cidade continua suja.
Saúde – Começou bem sim com decretos emergenciais, convocação de novos profissionais e anúncios de abastecimentos das unidades de saúde. Parte difícil: idas e vindas do gestor da pasta (Charles da Silveira) e no seu desentendimento final com o prefeito, deixando um rastro de críticas de interferência. Parte da equipe foi trocada, mas a população continua a reclamar da qualidade do atendimento e do desabastecimento das unidades.
Finanças – Idas e vindas sobre valores do rombo, passados sete meses, quase nenhuma dívida da gestão anterior foi paga e dizem que um grande calote é defendido por parte de componentes da gestão. Uma grande questão a ser resolvida.
Educação – Convocação de novos professores, promoção de outros, e uma pasta que conseguiu passar relativamente incólume a alguns desacertos de outras áreas da gestão. Tem potencial.
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Os sem noção patrimonialistas: o caso da COP 30
O brasileiro é um caso a ser estudado mesmo… Diversos países têm pressionado o governo brasileiro para mudar a sede da COP30, evento climático global, de Belém, no Pará, para outro estado. Motivo: situações como a do Hotel Nota 10, que mudou nome para Hotel COP 30 e aumentou diária de R$ 70 para R$ 6,3 mil. Ou ainda de hotéis que chegam a cobrar até R$ 1,5 milhão pela estadia no período de 10 a 21 de novembro. Rapaz…

Sempre se cobra (com razão) o Poder Público. Mas a sociedade e o empresariado também deixam a desejar no quesito bom senso e mínima aplicação ética. O oportunismo comercial só deixa claro que o Brasil nunca conseguiu se livrar do patrimonialismo que fundou o Estado, com suas elites econômicas e empresariado excludente e voltada a ganhos imediatistas.
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Vende-se carisma
Carisma: ou você tem ou você não tem. Mas o que é carisma? Todo mundo sabe quando está diante de um carismático assim como é possível sentir de longe o esforço dos desprovidos desse dom.
Bom, carisma é sobre externar a dose certa de competência (seriedade, legitimidade, expertise) e amabilidade (abertura, gentileza, empatia). Os amáveis demais são bobões, os competentes demais se tornam frios e intimidadores. Calibragem é o segredo. Dica aleatória.
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Se conselho fosse bom
Ninguém nasce com valor. Ele precisa ser criado através dos resultados. Sem resultados, você é substituível, invisível e completamente descartável. Quanto mais refinada for sua competência, maior será sua influência sobre o tempo, as pessoas e as circunstâncias. A vantagem vai para quem não pode ser replicado. Independente de qual seja sua área de atuação, não importam as circunstâncias, faça isso: prometa pouco e entregue sempre mais.
Pessoas sérias são cumpridoras prazos e de palavra. Elas demonstram sua confiabilidade e credibilidade nas micro e macro decisões. Não prometa se não puder cumprir. Quando alguém lhe mostra quem é através de pequenas ações, acredite. Quando estiverem testando seus limites, reconheça o teste. Quando estiverem te preparando para algo, esteja preparado. Nunca existiu “má sorte”. Só existe “motivação superficial”.
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Cifrada do Velho Oeste
No Velho Oeste, quatro clãs disputam para reorganizar as forças visando saber quem fica por cima e quem fica por baixo no próximo Torneio Quadrienal. O clã dos Vermelhos está estabelecido e mesmo chiando aqui e ali, aceita a visão forte do Novo Cacique (que se entendeu com o Velho Cacique e coisa e tal). Já o clã dos Lemons, conseguiu colocar o Patriarca numa disputa crucial e fazer um acordo cruzado que lhe garantirá ainda mais força. Paira sobre esse clã dúvidas eternas sobre o xerife Acelerado, que todos dizem ter planos bem maiores para um futuro bem próximo… Pula ou não do barco? O clã dos Meios, está, como sempre, no meio de tudo, nunca perde e sempre se acomoda.
Mas, um novo xerife, Arrojado, que assumiu recentemente o grupo dos Abençoados (mesmo não sendo nativo dele) busca criar seu novo clã, num caminho independente, mas ainda assim, dentro das asas do Novo Cacique. Dúvida: os outros clãs vão aceitar de boa? O Novo Cacique vai deixar passar ou, pelo contrário, vai tratorar? Respostas no ar!
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Foto do dia
Difícil (e provavelmente alienante) falar de outra coisa. O ex-presidente Jair Bolsonaro está em casa, detido em prisão domiciliar, com a esposa, Michelle, a filha e a enteada, sem celular, proibido de receber visitas. Já os senadores e deputados bolsonaristas ocuparam as mesas das duas Casas na abertura dos trabalhos legislativos na terça-feira, 05, alegando que só vão deixar o local se o projeto da anistia for votado. Enfim, os dias tranquilos em Brasília…
Se, por um lado, é necessário reconhecer que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes cumpriu, e continua cumprindo, um papel que muitos hesitaram em assumir: o de impor limites legais a uma política que flertou com a ruptura, por outro, ele tem passado do ponto.

Democracias frágeis exigem instituições robustas, que não apenas se imponham, mas saibam quando recuar para preservar sua legitimidade. O risco de “hipertrofia judicial” é que ela produza, mesmo com boas intenções, efeitos contrários: fortaleça a narrativa de perseguição e aprofunde a desconfiança em relação ao Judiciário.
A coluna fica com o pensamento do jurista Ronald Dworkin, de que a coerência normativa de um regime democrático depende justamente da capacidade de proteger direitos mesmo quando aplicados a figuras impopulares ou polarizadoras.
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A frase para pensar
“Se você está angustiado por algo externo, a dor não se deve à coisa em si, mas à sua avaliação dela; e isso você tem o poder de revogar a qualquer momento”, Marco Aurélio, imperador romano de 161 até sua morte e filósofo estoico.
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Feito à mão
A charge do Rico, que trata, claro, da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. Para ver mais charges, clique aqui.




