Editorial | Precisamos falar sobre a glamourização das mulheres do crime no Piauí

O Piauí atravessa um momento de aprimoramento nas políticas públicas de combate às facções criminosas. O esforço das forças de segurança tem sido intenso, buscando dar respostas à sociedade e frear a expansão dessas organizações. Mas há um aspecto muitas vezes negligenciado nesse enfrentamento: a forma como a imagem das mulheres envolvidas com o tráfico é construída e difundida pela mídia e pelos órgãos públicos. 

Reportagens que viralizam nacionalmente e programas televisivos de viés sensacionalista contribuem para um fenômeno perigoso: a glamourização das figuras femininas no crime. Jovens que ingressam no tráfico, em grande parte, não buscam apenas dinheiro, mas também atenção, uma “ideia de poder” e bens simbólicos que, em sociedades marcadas pela desigualdade, podem parecer ainda mais valiosos que os materiais. A visibilidade hoje é um ativo.

Observa-se, assim, uma narrativa exagerada sobre suas trajetórias, com nomes repetidos à exaustão e uma espetacularização que ultrapassa qualquer interesse público. O jornalismo policial é fundamental para informar e cobrar respostas das autoridades, mas transformar essas personagens em “celebridades do crime” não gera nenhum ganho social. Esse fascínio midiático pela “mulher do tráfico”,  já retratado até em novelas da Rede Globo, como a personagem da Bibi Perigosa só reforça estereótipos e projeta um caminho que pode ser visto como tentador para jovens em situação de vulnerabilidade. Ora são vistas como estrategistas, ora como musas de facção ou esposas de alguém. 

O que deveria ser apenas o escárnio de um caminho que não compensa acaba virando propaganda de um estilo de vida. Em tempos em que qualquer um pode se tornar influenciador, o Piauí já registra nomes com ficha criminal e milhares de seguidores na internet. Não se trata de restringir a liberdade de imprensa, direito inviolável e essencial, mas de chamar atenção para a responsabilidade narrativa. A mídia tem o poder de empoderar ou desempoderar rostos.

Combater facções exige inteligência, polícia, justiça e políticas públicas, mas também exige responsabilidade narrativa. Sem isso, corre-se o risco de que, enquanto o Estado tenta mostrar que o crime não compensa, a vitrine midiática continue mostrando para os jovens exatamente o contrário.

PAREI PARA VER 

Entre as belezas pouco exploradas do nosso estado, está o Parque Nacional da Nascente do Rio Parnaíba, em Barreiras do Piauí, um tesouro natural que encanta visitantes com sua rica biodiversidade e com uma cachoeira que brota em meio à vegetação preservada. É de se orgulhar das maravilhas que o Piauí tem a oferecer! 

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