Editorial | Cautelares contra blogueiras reduzem, mas não eliminam o poder de destruição do jogo do tigrinho

A Polícia Civil do Piauí deflagrou, nesta quinta-feira (11), uma operação contra influenciadoras digitais suspeitas de promover o “jogo do tigrinho”, modalidade de aposta considerada ilegal no Brasil. Thaisa Costa Machado, Tereza Iva Gomes Freitas e Emília Magalhães Brito, que juntas somam cerca de 1 milhão de seguidores, teriam movimentado aproximadamente R$ 10 milhões em um ano, segundo o delegado Ayslan Magalhães. Nenhuma delas foi presa; as medidas aplicadas até o momento se limitam a intimações e outras providências investigativas.

O tema das apostas digitais tem sido tratado com forte carga moral. Personalidades como Virgínia Fonseca, convocada a depor na CPI das Bets, sofreram duras críticas e até “cancelamento” nas redes sociais. O narrador esportivo Galvão Bueno, o canal esportivo CazeTV, times de futebol e até a Rede Globo tem ou já tiveram contratos com bets.

O julgamento público se concentra mais em pessoas do que em estruturas. A seletividade da crítica desvia a atenção da questão essencial: a continuidade de um mercado ilegal, com acesso facilitado pela internet, que segue operando diante dos olhos do Estado.

Medidas cautelares, embora necessárias, são insuficientes. O enfrentamento exige responsabilização também das empresas que permitem ou facilitam a prática, fiscalização integrada entre órgãos de controle e campanhas de conscientização ao consumidor.

Enquanto o mercado ilegal não for desarticulado de forma estrutural, novos rostos surgirão para ocupar o mesmo espaço. O desafio não pode estar restrito em punir quem divulga, mas em cercear os fatores que permitem que esse tipo de atividade continue existindo. Só assim será possível proteger, de fato, a sociedade.

PAREI PARA VER

O Piauí é uma terra que encanta pela sua diversidade natural: do litoral de águas mornas às serras imponentes, dos rios que cortam o sertão aos parques que guardam memórias da humanidade. Um Estado que carrega em cada canto uma beleza única, marcada pela força da natureza e pela riqueza cultural do seu povo. O olhar que traduziu as belezas é de Wilian Venceslau.

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