Em Teresina, há alguns muros invisíveis que separam as pessoas. Não estamos falando aqui de uma estrutura física, mas algo simbólico, que passa pela forma de viver e de se relacionar com a cidade. Quem nunca ouviu alguém falando que não frequenta um restaurante A ou B, pois não se sente adequado ou até bem-recebido naquele espaço?
Em algumas bolhas, por exemplo, moradores da zona Leste, zona Norte, Sul e Sudeste parecem pertencer a mundos diferentes. É um sentimento de pertencimento. Há bairros onde as pessoas nasceram, cresceram, construíram raízes e que carregam uma identidade. Em algumas situações, quando há a presença nesses locais, é verdade sim, que algumas pessoas são recebidas com um “olhar torto”. Isso, além dessa separação, também reflete desigualdades socioeconômicas. Determinados bairros simbolizam faixas de renda, e isso acaba determinando quem “cabe” ou não naquele espaço.
Esses muros invisíveis de Teresina são erguidos com preconceitos e desigualdades que são perpetuados desde que a cidade foi erguida. E por serem invisíveis, muita gente finge que eles não existem. Quebrar esses muros exige empatia, políticas públicas e, sobretudo, a coragem para encarar o espelho e admitir que, muitas vezes, somos nós mesmos quem sustentamos essas paredes.
Há quem nunca tenha atravessado a ponte para conhecer o Parque Lagoas do Norte, ou visitado o Polo Cerâmico do Poti Velho ou o Mercado Mafuá em um sábado de manhã. Enquanto isso, boa parte da vida cultural e gastronômica continua concentrada na zona Leste, tida como nobre e “mais segura”. Será mesmo?
Assim, o maior desafio é mesmo o de redescobrir a cidade como um todo, entender que ela é feita de pluralidades e que a verdadeira riqueza de Teresina está justamente em suas diferenças.


