Segunda Cena: projeto de piauienses ousa pensar a cultura fora da caixa

Projetos como o Segunda Cena, que reúne artistas para pensar a cena cultural e acontece na segunda segunda-feira de cada mês dentro do SESC Cajuína, com entrada gratuita, fruto de uma iniciativa independente dos músicos Northon Pinheiro, Fellipe Fernandes e Inácio Botêlho, são bons exemplos dessa reverberação cultural. Da música ao cinema, do teatro à dança, há talentos que existem sem a visibilidade e o financiamento que merecem. Produzem com criatividade onde faltam investimentos, e reinventam a estética regional diante de um cenário local e nacional que pouco os escuta.

Falar de fomento à cultura no Piauí é escolher deixar de lado a atenção de multidões. O tema costuma ser restrito a um pequeno grupo de interessados, uma espécie de bolha formada por artistas, produtores, jornalistas e admiradores que se reconhecem nesse circuito. São pessoas que dedicam tempo a pensar, discutir e consumir cultura local. O acesso à água, ao alimento e ao emprego ainda estrutura o debate público, e, diante disso, a arte parece ocupar um espaço secundário. Mas o que se costuma esquecer é que a cultura não é um adorno: ela é a costura invisível que mantém viva a identidade e a memória de um povo.

É bonito dizer que artistas piauienses “fazem por amor”, mas o amor, sozinho, não sustenta palcos, nem paga contas. A cultura não deveria ser um ato de resistência, mas de existência plena. Já que está em todo lugar, em todos nós, nas palavras, nos gestos, nas ruas, nas feiras, nas festas, na forma como o povo narra sua própria história, sem distinção de classe social. O problema é que, por falta de fomento e de políticas públicas estruturadas, ela é empurrada para as margens e tratada como supérflua, feita por poucos e para poucos. Até quando?

Fazer e falar de cultura no Piauí precisa ser um compromisso coletivo. Um compromisso de quem entende que a arte é estrutura. Que o violão, a câmera, a caneta e o corpo em movimento são formas de sobrevivência simbólica. E que resistir, neste estado, é também ser “natural” ao que se vive, ao que se é, e continuar criando, porque há quem ainda acredite que a arte, mesmo em meio a tantos desafios, é um elo que nos reinicia e nos mantém humanos. Endossar essas vozes é um compromisso individual e urgente.

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1 comentário

  • Plácida Jôaci Soares

    Excelente análise! Muito pontual e necessária para o momento que estamos vivendo na cultura piauiense.

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