Novas estações não resolvem: desintegrado do fluxo da cidade, metrô de Teresina não contempla a maioria

Teresina é uma cidade esticada e horizontalizada, com baixa densidade nos corredores onde o metrô deveria passar. O resultado é que a demanda potencial não paga o custo. Talvez isso explique, em partes, por que um “upgrade” no metrô de Teresina é bem-vindo, mas ainda está longe do impacto de um sistema metroviário efetivamente funcional, colocando um peso excessivo sobre o que o metrô poderá alcançar.

Na política piauiense, o discurso comum é que faltam recursos. Quando os recursos aparecem, eles são direcionados para obras de alto retorno eleitoral rápido (viadutos, avenidas, praças, reformas de hospitais), e raramente vão para obras de infraestrutura pesada. O pensamento de longo prazo praticamente inexiste.

A capital receberá R$ 3,6 bilhões em investimentospara expandir o metrô e a rede de transporte público da capital até 2054, de acordo com o Ministério das Cidades e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em anúncio feito em outubro. Além disso, o metrô deve ter novas estações, modernização da malha ferroviária e tarifa gratuita. Em dezembro, devem ser inauguradas as estações dos bairros Colorado e Todos os Santos, na capital.

O metrô de Teresina ainda possui um traçado mal inserido no tecido urbano, estações distantes das áreas de maior demanda, velocidade baixa, ausência de integração com ônibus, material rodante antigo, falta de política de subsídio e de investimento contínuo. Chama-se de metrô algo que não foi concebido como metrô.

Um ponto crítico é a limitação do alcance: o sistema metroviário atual percorre cerca de 13,5 km entre zona sudeste e o centro. A expansão deve ser de 2 km. Mesmo com as estações adicionais e renovação da frota, o metrô não alcançará as áreas mais periféricas de outras regiões, de ocupação mais dispersa, justamente onde muitos trabalhadores residem e necessitam de transporte.

Sem uma rede de ônibus eficiente, com integração e rotas abrangentes, a exclusividade do metrô favorece apenas um corte restrito da população.

Além disso, quem usa o transporte público vive com sucessivos problemas de infraestrutura precária e crises no sistema rodoviário: paralisações, greves e cortes de linhas são constantes. Essas falhas corroem a confiança da população e minam tentativas de construir uma mobilidade urbana racional, mesmo com a promessa de um sistema de média ou alta capacidade, como VLT (veículo leve sobre trilho) ou BRT (transporte rápido por ônibus). Promessas, aliás, antigas.

Portanto, embora investimentos no metrô representem sim um progresso, Teresina segue precisando de um sistema de transporte coletivo que atenda a todos, com ônibus, VLTs e corredores de trânsito rápido, e não apenas de mais uma estrutura que funcione como vitrine, mas falhe no dia a dia da maioria.

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