O fervor das festas já passou, mas, volta e meia, a pergunta reaparece: Teresina tem Carnaval? A questão incomoda, especialmente porque a capital piauiense já ostentou o maior corso do mundo, reconhecido pelo Guinness Book, em 2012.
Nos dias de hoje, no entanto, é impossível não notar como a cidade ficou vazia nos dias desse feriado, que somam quase uma semana. Algumas regiões, no entanto, não acompanham essa realidade, como o caso do bairro Morada do Sol. O Boletim Brio traz esse tema ao destaque por valorizar as festas que celebram a cultura popular, permitindo que pessoas de diferentes classes tenham momentos de lazer e diversão. E também pelos números recentes comemorados por um dos blocos mais tradicionais da cidade, o Pinto na Morada, que trouxe Ricardo Chaves, referência nacional do axé baiano, e reuniu cerca de 20 mil pessoas em uma edição comemorativa de 10 anos, segundo balanço divulgado pelo organizadores do evento Alexandre Sá e Raulino Neto.
O Carnaval nasce em Teresina com reuniões informais no Centro no início do século 19, passa a ser organizado em clubes pela elite em 1945, deixou sua marca com o corso e a organização das escolas de samba e, agora, se reinventa, mais uma vez com os blocos modernos. Isso traz um protagonismo para as próprias pessoas, para os bairros, que foram os interessados em não deixar a atração “morrer” na cidade. Significa que a tradição é forte o suficiente para se sustentar sozinha. Tradições verdadeiras não desaparecem com mudanças de gestão ou de orçamento elas se adaptam, se reorganizam e ganham novas formas.
Em Teresina, que é a única capital do Nordeste a não ter praia, essa condição muda completamente a lógica do entretenimento e do lazer na cidade. Sem grandes investimentos em turismo ou em espaços que atraiam naturalmente as pessoas e sem um grande esforço para que isso aconteça de fato (basta lembrar que o mirante da Ponte Estaiada está fechado há dois anos) o que sobra para a população é, muitas vezes, criar a própria diversão. Em um lugar assim, passar sem Carnaval é ainda mais duro para o seu povo.
Do ponto de vista social, o Carnaval representa muito mais do que festa, é um intervalo necessário na rotina, um tempo autorizado de alegria e pertencimento. Assim, blocos como o Pinto na Morada e tantos outros organizados na cidade estão, de fato, revolucionando a forma como os foliões vivenciam o Carnaval em Teresina. Eles mostram que a festa não acabou ela apenas mudou de lugar, e pertence, cada vez mais, a quem sempre foi o seu verdadeiro dono, o povo.



