Não há mais vergonha em ser racista?

A sessão seguia como tantas outras. Discursos, críticas à gestão, o vaivém comum da política local. Até que, na terça-feira (25), na Câmara Municipal de José de Freitas (PI), o tom mudou. Da tribuna, o vereador Roberval Carvalho (MDB), ao comentar publicações da Prefeitura nas redes sociais, recorreu a expressões de cunho racista para criticar a gestão. “Neguinho dançando”, “macaquinho pulando” e “denigrem a imagem dos vereadores”, foram as falas do parlamentar.

No lugar de fiscalização qualificada, a tribuna foi tomada por um discurso que fere valores fundamentais de uma sociedade que busca, ainda que lentamente, superar desigualdades estruturais. Além dos grandes atos de discriminação, o racismo de forma mais frequente se manifesta em microagressões: comentários sutis, olhares, piadas ou atitudes que, embora pareçam inofensivas para quem as profere, carregam mensagens depreciativas e hostis para pessoas negras.

Diante de casos como esses, as respostas institucionais costumam se restringir a notas de repúdio, que, na prática não trazem uma resposta à altura do que foi dito. Não há punição exemplar. Quando colegas, instituições ou a sociedade em geral relativizam atos racistas, eles enviam uma mensagem de que tais comportamentos são toleráveis.

A realidade insiste em mostrar que ainda estamos longe de viver em uma sociedade que, de fato, respeita e supera essa chaga histórica. A inação não é neutra; ela permite que o racismo se perpetue e se normalize. E essa tolerância é a semente da cumplicidade.

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