A vida da imensa maioria dos advogados e advogadas no Piauí está muito, mas muito longe daquele cenário de glamour que as redes sociais insistem em pintar. Não há terno de grife garantindo cliente na porta, nem honorários altos caindo na conta todo mês. O que existe, e o que se vê neste estado, é uma rotina dura, de muita sola de sapato, incerteza e trabalho de formiguinha para a maior parte dos defensores do Direito.
No Piauí, são mais de 20 mil profissionais inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil, um requisito para praticar a profissão. Um número que também revela um mercado altamente competitivo e, muitas vezes, duro com quem está começando. A verdade é que grande parte desses advogados não têm um escritório próprio. Não são poucos os que operam contando com o apoio da instituição, utilizando as salas de apoio nos fóruns ou precisando de um bom Wi-Fi e de uma mesa para conseguir atender um cliente e fechar uma petição.
Essa é uma realidade estrutural que transcende as disputas e os palanques políticos, seja da atual gestão de Raimundo Júnior, seja da gestão anterior de Celso Barros Coelho Neto e demais presidentes de campos políticos opostos. Independentemente de quem esteja à frente da Ordem, a instituição está acima de nomes e cumpre um papel que vai muito além da política partidária interna: ela é o oxigênio de quem não tem estrutura própria.
E que dia a dia é esse? É imprevisível, desgastante e solitário. O advogado que ganha uma causa hoje, comemora, mas sabe que aquele dinheiro precisa render por meses, porque o cliente de amanhã é uma incerteza total. Para sobreviver, o jovem advogado que é a parte mais vulnerável de toda essa engrenagem, precisa se desdobrar. Hoje em dia, não basta ter o diploma na mão e ser um bom técnico no Direito. Tem que ter habilidades de relacionamento, saber negociar, fazer parcerias, entender de empreendedorismo, aprender a se posicionar nas redes sociais e buscar formas criativas de captar clientes. Cada um com seu próprio método.
No fim das contas, o bom advogado é um insistente. É aquele otimista que, mesmo sabendo das dificuldades do mercado, da falta de estrutura, da lentidão da Justiça e das portas que se fecham nas delegacias e fóruns, sai para trabalhar acreditando que o próximo processo será vitorioso. O glamour pode até render curtidas, mas é a advocacia real, aquela feita com verdade e pé no chão, que garante a dignidade da profissão e a justiça, na maioria das vezes, para o cidadão piauiense.


