Boletim 13/02/25

Ciro, Marcelo e Júlio: três guerreiros, dois tronos e um destino

“A Fábula do Senado1

Em uma terra de 224 reinos, três cavaleiros preparam suas armaduras para uma batalha épica. O prêmio? Dois assentos dourados, onde apenas os mais habilidosos poderão descansar por oito longos invernos. Mas um deles ficará pelo caminho. Quem terá a espada mais afiada e o escudo mais resistente?

O primeiro guerreiro, Cyrus Nuceria, veste o manto da oposição. Já conheceu as glórias do trono e agora quer segurá-lo com mãos firmes. Sua bandeira é azul e sua lealdade? Ao líder que já comandou a grande nação. Tem aliados poderosos, mas enfrenta um terreno hostil, onde o sol vermelho do governo ilumina os caminhos de seus rivais.

O segundo guerreiro, Marcellus Castrensis, é um veterano das batalhas. Conhece cada trilha, cada pedra e cada voto do povo. Já ergueu castelos e fortaleceu alianças, sempre ao lado do imperador de barbas brancas. Seu reino é vasto, mas seus súditos ainda acreditam que ele pode carregar o estandarte por mais uma jornada?

O terceiro, Iulius Caesar, é um estrategista, um comandante de exércitos espalhados por 65 fortalezas. Pode parecer menor que seus adversários, mas seu escudo é protegido pelo próprio rei que hoje governa as terras. Sua ascensão não será fácil, pois dividirá o pão com outro guerreiro de sua própria casa.

Três caminhos, dois destinos. O povo, os verdadeiros juízes dessa disputa, observarão atentamente cada movimento no tabuleiro. O que será mais forte: a memória do passado, o domínio do presente ou a promessa do futuro?

O jogo está lançado. Dois subirão ao trono, mas um cairá antes da linha de chegada. Que os jogos comecem!

Por Senhor Konstantin”2

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Vou te dar um relatório atualizado em um parágrafo

Um petista sênior, admite: “Ciro (Nogueira, senador do Progressistas), cada dia mais forte, avançando nos prefeitos do PT e aliados. O Governo vai reverter uma parte mais tarde, mas um percentual significativo não volta. Júlio César (deputado federal, PSD) vai depender da posição do (Gilberto) Kassab (presidente nacional do PSD). Caso venha com Lula, vai ameaçar Marcelo Castro? Um povo do PT tá mais zangado com Marcelo, que entrou muito nas bases dos deputados do PT, mais que o Júlio”. Outro interlocutor, completa: “Mas, para muita gente da base, a vaga certa é só a do Marcelo”. Será? Vamos discorrer sobre o tema no boletim de hoje. O leitor está pronto?

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Raio-X de Marcelo, Júlio e Ciro

Ciro Nogueira – Com quem o senador Ciro Nogueira prefere estar na dobradinha do voto na urna eletrônica? “Da preferência dele? Boa pergunta essa. Quem menos ameaça o voto dele é o Marcelo. O Georgiano (Neto) já avança e sobra pro Júlio”, afirmou um progressista, em off. Mas está tudo assim um céu de brigadeiro, nada ameaça o voo de Ciro? “Talvez o que pudesse ameaçar seria algo do lado do Rafael (Fonteles, governador) intervindo pra agir. Mas a gente sente que não está tendo uma palha pra prejudicar o CN (como Ciro é chamado informalmente entre aliados e adversários)”. Então…

Marcelo Castro – “Fizemos uma conta e o Marcelo está com 170 prefeitos. Dos adversários, um tem 140 e o outro 90. As bases são muito fortes e têm ligação com ele de estadual, federal e ele ensinou bem o Castro Neto (o filho deputado federal) a dar esse apoio às bases”, disse ao boletim um castrista de carteirinha VIP. De Brasília, em rodas onde o destino da nação é decidido no Congresso Nacional, Marcelo desembarca em Teresina. Atende uma fila de gente na sede do MDB. “Precisar, não precisa, mas ele quer”, completa um aliado que acompanha a labuta. Algum problema em vista? “Problema não, mas gosto de falar sem paixão, a campanha do Marcelo não é uma campanha tão profissional assim como a do CN, né? Podia ser mais”. 

Júlio César – “O Ciro, quer queira quer não, é de oposição. O Marcelo, tem muita gente do PT chateada, acha que ele foi irônico na eleição de 2024. Eu acho que não definiu o segundo voto do Senado não. E o Júlio entra forte com a articulação do Georgiano”, defendeu um político a respeito do deputado federal do PSD. O apoio do prefeito da capital, Sílvio Mendes, já está sinalizado, comemoram “julistas” (apoiadores de Júlio César). Desafios? “Controlar o mau-humor da turma (deputados federais) com o avanço do Georgiano nas bases dele. Até hoje querem dar o troco com o Júlio”. O trunfo e o empecilho são os mesmos?

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Só te entra nessa se tu tiver calçado

Quanto custa uma campanha competitiva para o Senado num estado, sei lá, como o Piauí? Não, não no site da Justiça Eleitoral… Aqui estamos falando de hipóteses, claro. “Rapaz… tem que ter de 40 a 50 contos (milhões) para gastar”, arrisca um político, que nem cogita a empreitada. Dá para você, leitor?

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Tropa de choque dos senadores na Câmara de Teresina

Quem faz o meio de campo dos senadores na Câmara de Teresina? “O CN está um pouco mais forte, no momento. O Marcelo deixou um pouco a desejar, mas fez aceno com as emendas esse ano e no próximo ano e o Júlio marcou aquele jantar”, elencou um vereador, cujo voto não está definido. Na linha de frente de Marcelo Castro, o vereador Roncalli Filho (PRD) atua nas costuras. Júlio César tem Zé Neto e Dragalana, do PSD, na pré-campanha e Ciro conta com o diálogo do ex-vereador e secretário municipal de Relações Institucionais, Victor Linhares (PP). Tropa de choque, que chama?

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Um presente misterioso

Vale lembrar que no meio da campanha do ano passado, um pré-candidato ao Senado enviou um presente misterioso para a alguns vereadores… “Recebi do X e te digo que 30 mil estalecas pareceram 300 mil naquele dia. Campanha de vereador, tem dia que você está zerado. E você lembra disso, logicamente. É mais pelo gesto”. Gestos importam!

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Só o mi disbuiado

O secretário estadual de Meio Ambiente (em breve, tudo indica, será do Turismo), Daniel Oliveira, tem defensor no Governo, viu? Uma fonte que orbita por aquelas bandas mandou o seguinte comentário à coluna, reproduzido aqui para o leitor avaliar por si (volte um boletim para entender): “O Daniel conseguiu dar visibilidade, demonstrou que tem potencial em todas as áreas, tirou de um patinho feio para algo viável. Passou a ser uma secretaria percebida em uma agenda que antes o Piauí nunca tinha. Chamou atenção que ali podia ser feito mais capital e dividendos empresariais e menos política. Uma secretaria que está 90% digital e andando sozinha”.  Agora todo mundo quer?

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Se conselho fosse bom

É impressionante a quantidade de pessoas que faz um pouco de esforço por uma semana e acha que vai colher grandes resultados. Isso não vai acontecer. Você não vai para a academia, perde toda a gordura e ganha músculos depois de fazer um treino e uma refeição saudável. Leva anos. Tudo leva tempo. Pare de correr atrás da pílula mágica. Não existe nenhuma. Tem gente por aí com 1/1000 do seu nível de inteligência, mas que se sai 100 vezes melhor que você. Deve ser porque elas abraçam o ato maçante de aparecer todos os dias e fazer o trabalho que precisa ser feito. A vida é sobre energia, impulso e consistência. Afie a lâmina.

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Cifrada do Não Apoio Nenhum Deles

Não venha falar de história de candidato a vice-governador da base aliada no rumo dos vereadores de Teresina não, por favor. Um parlamentar, que chegou agora, mas entende do assunto, fez a seguinte ponderação a respeito dos nomes postos: “O A. só não faz é atender aos vereadores que se doaram na campanha do Fábio Novo. O B. é só na hora dele. E o C. só conheço pelo insta. Se os vices são esses, tá difícil…”. Fogo amigo que chama?

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Foto do dia

Outra coisa não, mas a posse do suplente de deputado estadual Tiago Vasconcelos na Assembleia Legislativa do Piauí deu gente. Se tem um assunto que o mundo político entende é para onde sopra o vento… O boletim soube que Tiago deixou a Coordenadoria de Enfrentamento às Drogas e Lazer, agora sob o comando da colega Simone Pereira, mas segue com um pezinho lá e, mais precisamente, outras compensações que colocam o emedebista no jogo de gigantes do MDB para deixar a suplência na eleição de 2026. Tiago não é um Rafaboy não, mas estudou no colégio Anglo, em Teresina, com o secretário de Segurança, Chico Lucas, nos idos dos anos 2000. Essa turma gabaritou na disciplina política?

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A frase para pensar

“Criticar o governo é tão gostoso que não deveria ser monopólio da oposição”, Milton Campos (1900-1972), político.

  1. Insira aqui a trilha sonora da série Game of Thrones, da HBO: clique para ouvir. ↩︎
  2. Colaborador anônimo do boletim. O homem (ou mulher) é criativo, convenhamos! ↩︎

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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