Boletim 05/03/25

“Péssimo recado pro mundo político”, desabafam aliados sobre reforma de Rafael

Prólogo

Como é o Carnaval em Brasília? A colunista não sabe informar pois da janela do meu pequeno apartamento (depois de baixar o volume da Netflix) só era possível enxergar algumas árvores frondosas, pássaros tranquilos e cachorrinhos satisfeitos, passeando. Mas sim, foi ótimo o Carnaval. O ano já pode começar ou vocês preferem emendar com a Semana Santa?

Bem que eu avisei

A reforma administrativa do governador Rafael Fonteles (PT), antecipada semanas antes contra tudo e contra todos por esse humilde boletim (autopromoção é um negócio chato, mas considero ser estritamente necessário pegar esse crédito aqui), desceu quadrado em parte do mundo político. Abre aspas para um deputado governista, super sincero, logo abaixo.

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Nossa turma foi ignorada de novo!

“Péssimo recado pro mundo político. Poderia ter agregado mais gente politicamente. Na Fundação Antares (para onde irá o atual secretário de Comunicação, Mussoline Guedes), poderia ter contemplado um aliado. E no Governo (para onde irá o defensor público Ivanovick Feitosa) tinha que ser um secretário político, como foi o (deputado) Wilson Brandão (gestão Wilson Martins)”, pontuou o parlamentar, em reserva.

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Os três problemas: políticos, empresários e servidores

Para esse político, há três problemas no governo Fonteles: “Problema político, com empresários e servidores públicos”. A colunista até entende onde o calo aperta para os empresários (gostariam de entrar mais no Governo, com mais players, etc) e servidores públicos (reajuste, óbvio), mas parte política é um problema em que sentido? Todas as matérias do Governo são aprovadas sem susto na Assembleia Legislativa, e Rafael tem popularidade inegavelmente alta, seja nas pesquisas do Governo, seja nas da oposição…

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As tais “besteiras que magoam”

A resposta: “Falta um carinho, são umas besteiras que magoam”, resumiu o aliado. A queixa não é isolada. Se, de fato, os recursos prometidos são entregues em boa medida no prazo (e isso também procede), a reclamação é mais sobre relacionamento e proximidade. “Não destravam algumas coisas, a gente fala e não anda. Eles (governistas de primeiro escalão) são muito fechados”.

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A oposição, mais corajosa do que nunca

Outro aliado do Governo afirma que não se deve “subestimar a oposição”, que ensaia o nome da ex-deputada federal Margarete Coelho para disputar o Governo em um contexto nacional onde a esquerda se preocupa (com razão) com a reeleição do presidente Lula (PT): “A Margarete (Coelho, do PP) foi vice do Wellington (Dias, do PT) e entra em um voto também da esquerda. A oposição dele nunca esteve tão corajosa”. 

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O vice tem que ter “cheiro de povo”?

Sendo assim, quem seria o vice ideal para Rafael Fonteles em 2026, com o apoio da classe política? “Rapaz, o vice tem que ser alguém com cheiro de povo. Se for um Rafaboy corre o risco de ficar uma chapa arrogante. Ou será que acha que já tá ganha a eleição?”. Atenção leitor, esse é um aliado…

P.S: Caso o leitor ache a política injusta, lembre-se: a cada um, cabe se preocupar com os seus interesses, porque ninguém o fará em seu lugar – menos ainda nossos adversários. Glória aos vencedores e desgraça aos vencidos. É assim desde Roma.

(A História mostra que o sucesso na política é construído sob legitimidade, convencimento e identidade. A pessoa que move as outras pessoas, vence. Antes, você tinha que ter o direito à primogenitura (ser o primeiro filho homem do rei). Agora, é necessário dominar a comunicação de um para muitos. Não é difícil de entender.)

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Rodrigo na Secult

O boletim apurou que é esperada para os próximos dias a nomeação do ex-coordenador de campanha do deputado estadual Fábio Novo, Rodrigo Amorim, como secretário estadual de Cultura do governo Rafael Fonteles. Rodrigo ganhou o respeito da classe política durante a empreitada municipal de Fábio rumo ao Palácio da Cidade e era o nome cotado para a secretaria de Governo de Teresina, caso Novo tivesse vencido. 

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Sai Ingrid, entra Rodrigo, com selo Fábio Novo

Rodrigo Amorim, é claro, é uma indicação de Novo e assume o lugar da gestora interina, Ingrid Pereira da Silva. Ingrid entrou no lugar de Carlos Anchieta, que segue atuando como produtor cultural no estado, após o entrevero da operação da Polícia Federal no meio da campanha na capital. Fábio Novo caminha, e bem, para ser novamente presidente estadual do PT, num momento crucial para o partido, nacional e localmente.

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O que esperar de Nolleto na Comunicação

Amigos e políticos avaliam que o ainda secretário de Governo, Marcelo Nolleto, talvez seja uma das pessoas que mais conhece, pessoalmente falando, o governador Rafael Fonteles. Dessa forma, pode-se esperar na gestão de Marcelo na nova secretaria estadual de Comunicação, pelo menos dois pontos: 1) uma comunicação digital menos analógica e mais eficiente (a mídia tradicional sempre terá seu espaço, ninguém está dizendo que não) e 2) a tradução mais próxima das ideias de Rafael em informação publicável. É isso.

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Zé Neto fica, e Sarah Menezes também

Aos apressados, informe rápido: não deve ser agora a saída do vereador Zé Neto (PSD) da Câmara de Teresina. A especulação é de que o PSD indicasse uma secretaria robusta na gestão do prefeito Sílvio Mendes (União Brasil), selando assim a parceria eleitoral para 2026, com Sílvio apoiando Ciro Nogueira (PP), claro, e Júlio César (PSD) ao Senado. Mas, na pretensa pasta almejada, segue firme a ex-judoca Sarah Menezes. E Zé Neto, cuja suplente é Teresinha Medeiros, está bem adaptado, ao que consta, com os ares do Legislativo…

“Como a Sarah e o Expedito Falcão (secretário executivo) não são políticos, sempre existirá a chance de alguma cota política tomar o lugar deles. Mas a Semel é pequena para o tamanho do clã do PSD e também seria ruim pra opinião pública”, avaliou um gestor da PMT ao boletim.

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Para ler, ver e ouvir

Com oito indicações ao Oscar e nenhuma vitória, “Um Completo Desconhecido”, ainda assim merece ser visto. A cinebiografia sobre a vida de Bob Dylan (vivido por Timothée Chalamet e dirigida por James Mangold, em exibição nos cinemas) captura um período da década de 1960 em que Dylan atuou como voz da contracultura, não apenas acompanhando as mudanças sociais e políticas, mas as antecipando e inspirando.

As letras de música de Dylan possuem o status de literatura, tanto que ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 2016 (ah, ele não foi receber o prêmio, claro). Abusado, doce, sensível e marrento, o Dylan de Timothée é um espelho para enxergarmos que a autenticidade e a genialidade têm um preço. Há de se pagar, se quiser usufruir de seus resultados. Mas esses frutos, são especiais, são geniais.

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Se conselho fosse bom

Basta caminhar por uma calçada movimentada em qualquer cidade que você vai enxergar um dado da realidade: 99% das pessoas não aprenderam a andar. Elas têm consciência espacial zero; não são seres sencientes. São essas as pessoas com quem você compete. Não é tão difícil assim conseguir o que você deseja, só é preciso entender que a vida não é um teste que premia o mais inteligente e sim o mais corajoso.

Faça um autoinvestimento diário nos seus pontos fortes e não tema o erro. Depois de dez anos, você vai ter algum material. Coragem sem estratégia, é burrice. Estratégia sem coragem, gera ansiedade. Coragem e estratégia o tornam imparável. Você não precisa de todas as respostas agora. Comece.

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Cifrada do Gabinete Tomado

Era uma vez, num reino cercado por montanhas majestosas, dois homens cujos destinos estavam entrelaçados como raízes de árvores antigas. O primeiro era o Rei Alaric, um líder que veio para romper com uma forte hegemonia do passado e a quem muita esperança dos pares foi depositada. Mas, o sucessor, Rei Edward, decidiu tomar uma medida drástica: cortou as regalias do Rei Alaric, retirando-lhe o gabinete, que consistia em servos e repasses extras. “O reino não pode mais sustentar os luxos de um homem que já não governa e deixou tudo esculhambado! Agora, é hora de restituir o que foi tirado.” A tensão entre os dois lados crescia. A turma do deixa disso vem tentando contornar, pois temem que a situação escale e comprometa todo o reino. Conseguirão? 

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Foto do dia

Feliphe Araújo, que deixou a presidência da Badespi (Agência de Fomento) para o comando da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) é só um quadro técnico (e não que isso seja pouco…) ou vai além no tabuleiro político de 2026? Feliphe atuou como professor de cursos preparatórios para concursos públicos e é auditor fiscal da Secretaria de Fazenda, onde conheceu Rafael e cujos laços se estenderam até agora.

Na montagem de chapas, presidentes de partidos já se perguntam se Araújo não poderia entrar no jogo? Claro, claro, o objetivo dele será “liderar políticas ambientais e garantir a gestão sustentável dos recursos naturais do Piauí”. Mas, o futuro é sempre uma jogada aberta a quem sabe se mover com discrição e “time” adequados.

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A frase para pensar

“Escreva o que sabe. Isso deve dar a você bastante tempo livre”, Howard Nemerov (1920-1991), poeta americano.

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Música da semana

Qual foi a música do Carnaval para vocês? Depende. Depende muito. Não importa que o ano seja 2025, a colunista ainda vive musicalmente na década de 90 (pois é). Nada contra os novos hits do momento, alguns são até bem divertidos, mas nada supera a legítima batida de axé baiano. Por hoje, encerramos com “Namoro a dois”, da Timbalada. Quem não quer sossego?

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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