Bárbara, Cristina, Lucy e Firmino: a crônica de uma cidade que devora a tristeza alheia
Atenção: nessa análise, não constará nenhuma menção às acusações mútuas, diretas ou indiretas, dos dois lados, especialmente na seara pessoal. A coluna é inflexível a esse respeito. Interessados em futricas, podem largar o texto. Aqui não tem nada para vocês.
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A falta de Firmino: uma cadeia de eventos
O que acontece quando um líder se vai? A cidade fica órfã, chora, sente falta, enaltece e guarda a memória. O que ocorre quando um pai, marido e patriarca deixa a família? Se ele for o fio de delicado equilíbrio e autoridade, muito se esvai com ele. Mesmo assim, há de se juntar os cacos, superar as mágoas, perdoar os erros, afinal, somos todos falíveis. Há de se espantar os abutres e seguir vivendo.

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A audiência mais abjeta que há
Falar da relação pessoal entre a deputada estadual Bárbara do Firmino (Progressistas), da mãe dela, a vereadora de Teresina, Lucy Soares (MDB) e da filha de Lucy e irmã de Bárbara, a estudante de Medicina Cristina Soares, dá audiência. Uma abjeta audiência. Sem defensores e detratores, o assunto não rodaria. Sem que os lados políticos interligados se beneficiassem com a inflamação ideológica de fundo (direita versus esquerda, desde que o mundo é mundo) ou vestissem a confortável capa da isenção (que não existe), a história murcharia.
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Os lados de Sílvio e Rafael no meio
O teresinense acompanha a narrativa aparentemente política como uma novela cujo drama familiar está umbilicalmente interligado a dois grupos distintos: o governo petista de Rafael Fonteles e a gestão de DNA tucano de Sílvio Mendes (União Brasil) em Teresina. Escolhe-se a vilã, a mocinha, e vai-se à campo: como num jogo de videogame, destruir, acabar, trucidar! Mas esse não é um jogo e essas pessoas são reais. Corre sangue, correm lágrimas, dopamina e serotonina.

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“Ah, mas elas são pessoas públicas…”
Claro, elas são pessoas públicas, duas parlamentares e a filha de um ex-prefeito, esta última abraçada pela campanha vencedora de um prefeito eleito. O que fazem e falam, reverbera. Nessa trincheira, no entanto, os limites foram ultrapassados e escalaram nas últimas semanas. Virou uma guerra de arquibancadas de uma partida fictícia onde o que nos torna humanos (empatia) perdeu completamente o valor.
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O interesse inconfessável na picuinha da vida alheia
Esteja você à esquerda, à direita ou no centro, é preciso admitir que a situação é um microcosmo do inconfessável, obsessivo e patético interesse de parte dos teresinenses pela vida particular alheia. Até o pior tipo de ameba rastejante busca algum tipo de engajamento, soando moralista, quando só quer algum dividendo pessoal, político ou financeiro.
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Torcida pela derrocada do outro
Se há tantas visualizações, comentários e encaminhamentos nos posts em redes sociais sobre o tema (e isso é um dado público facilmente verificável), é porque a atenção, nunca admitida, está na desgraça do outro. Os psicanalistas1 podem falar melhor a esse respeito, mas trata-se do desejo incontido de que aqueles belos, ricos e poderosos, tenham sua dose de sofrimento, para se igualarem aos reles mortais.
Teresina, essa cidade sem mar, em que todo mundo tem a impressão de se conhecer e cujo status é medido pelo tamanho do carro, do relógio e dos lugares que frequenta-se ou não, tem tantos casos de adoecimento psíquico e suicídios, não por acaso. Esse Outro que nos julga, nos olha e nos interdita pode ser sim, castrador, opressor e limitador de formas profundas e irreversíveis.
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Quem apoia Cristina
Os apoiadores de Bárbara e de Cristina não poderiam ser mais diferentes. Uma tem a direita do lado. Eles são aguerridos, cortantes e abraçam Cristina, cuja imagem pública exala alguma vulnerabilidade, instigando em alguns o instinto de proteção. A presença ao lado de Sílvio Mendes dá à Cristina um selo de legitimidade e proteção. Assim, a pergunta que políticos se fazem é se não teria também Sílvio alguma influência para ajudar a pôr fim pelo menos à parte pública dessa triste história?

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Quem (não) apoia Bárbara
A outra, tem mandato, é uma parlamentar, há muito a conter e a perder. Quando Bárbara deixou o espectro da direita para a esquerda, ao apoiar Fábio Novo (PT) à prefeitura de Teresina contra Sílvio Mendes, foi rechaçada pelos direitistas, mas não ganhou a proteção da esquerda, historicamente menos engajada nas redes sociais. Foi a que mais perdeu em termos de imagem pública. Não ganhou, nem do Governo estadual, o que era esperado em participação na gestão de Rafael Fonteles. Pode-se dizer que ficou à própria sorte.

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Quem faz as pontes com Lucy
A ex-deputada, ex-primeira-dama e agora vereadora Lucy Soares tem recebido apoio de vereadores, segundo apurou o boletim. Parlamentares que, no passado, possuíam algum tipo de restrição a respeito de Lucy (que sempre foi bastante ativa politicamente nas gestões do então marido Firmino Filho), hoje deixam os entreveros no passado e entendem que nenhum voto, nenhuma querela eleitoral, justifica a exposição corrosiva de uma família de três mulheres numa cidade tão conservadora como Teresina dá mostras de ser.
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Um pacto pelo respeito, privacidade e dignidade
Se há alguma conclusão, é essa: quem respeita o ex-prefeito Firmino Filho, deve estender esse respeito à família dele, não alimentando com engajamento, uma crise particular e familiar. Quem vilaniza, expõe e usa as três mulheres como armas políticas, é tão vil quanto quem consome a tristeza alheia como entretenimento. É o caso de uma autorreflexão coletiva. De um pacto pelo respeito, privacidade e dignidade.

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O choro é livre
A chiadeira do mundo político (volte uma coluna) sobre as mudanças do governador Rafael Fonteles na gestão, foram ouvidas, assimiladas e precificadas. Quando o custo de uma ação é muito alto, ela pode ser evitada, minimizada ou ponderada. Quando o custo é pagável, vai-se em frente. Entendedores entenderão.
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Conversa estranha
Ficou meio esquisita (para usar um eufemismo) a história de que o presidente da Câmara de Teresina, vereador Enzo Samuel (PDT) aceitou ser primeiro suplente do deputado federal Júlio César na disputa ao Senado. Esse tipo de anúncio não tem que ser feito, ao que consta, pelo próprio candidato? Ah, Enzo almeja publicamente uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026.
Sendo um homem jovem, negro, com laços na periferia e expressividade eleitoral na capital, claro que somaria nas chapas sêniors de Júlio César ou de Marcelo Castro (MDB), ninguém duvida. Mas, se a conversa aconteceu, e vazou (aparentemente via PSD), foi cedo demais? Em política, nunca é bom queimar a largada…

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Cifrada da Fala Mortal
Não chame, por favor, dois gigantes, um de voto e outro de articulação, para um café tranquilo. É que um deles falou um pouquinho demais e pisou no calo do outro – que reagiu daquele modelo (com duzentos…). Agora o problema é que o gigante de votos tem também uma fila de implicantes que está esperando só uma deslizadazinha para cair matando. “Se amanhã eu colocar um requerimento pedindo a cassação dele, ele é cassado. Em um ano se ele foi 10 vezes trabalhar ele foi muito. Já tenho assinatura de dez apoiadores”, alertou um terceiro, altamente interessado no tema. Ihhh…
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Se conselho fosse bom
Nunca se associe a pessoas com muito tempo livre, que não se esforçam e só querem as coisas quando elas são dadas, de graça. Quem nunca investe, têm uma mentalidade de escassez, o que é um subproduto da baixa autoestima. Os amadores se preocupam com a validação externa. Os narcisistas, com a autoimagem. Os profissionais, com o propósito e a liberdade. Diga sim a tudo. As barreiras que você construiu para evitar a dor só vão evitar a vida. Você consegue tolerar dor? Então você é forte. Até onde você consegue influenciar situações ao seu redor? Essa é a métrica do quanto você é poderoso. Viver no presente é onde a clareza e a mágica acontecem. É all win (apostar tudo) ou nada.
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Foto do dia
Repercutiu a decisão do presidente do Tribunal de Justiça do Piauí, desembargador Aderson Brito, determinando o bloqueio de R$ 44 milhões das contas do Estado, em cumprimento à decisão judicial sobre os pagamentos de precatórios. O que chamou atenção mesmo na turma do Direito foi o vídeo de celebração do fato, gravado pelo presidente da Ordem dos Advogados seccional Piauí, Raimundo Júnior (RJ).
Advogado do Lado A, ouvido pelo boletim: “Ponto para a Ordem, positivo para o RJ. Fazendo o papel dele muito bem feito e mostrando que o X (ex-presidente) era fraquíssimo. São milhares de advogados satisfeitos com essa medida. É um repasse risível que o Estado quer repassar e está repassando”.
Advogado do Lado B, também ouvido pelo boletim: “OAB não tem nada a ver com isso (precatórios), nunca foi signatária disso aí não, mas estão fazendo questão de entrar… É um seleto grupo de advogados que é atendido, tem nada de milhares. A grande massa de advogados está é longe de ter precatório no Estado”.
(Comentário gratuito da colunista: O povo inventa confusão, rixa e rivalidade onde não tem, né? Impressionante!)
O Lado C, fica com o leitor, como sempre… conclua!

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A frase para pensar
“Não almeje ser popular; seja refinado. Não deseje ser famoso; seja amado. Não sinta orgulho de ser esperado; seja palpável, inconfundível”, C. JoyBell C, escritora e poetisa norte-americana.
- A colunista é estudante na Escola de Psicanálise Corpo Freudiano Brasília (como consta no meu currículo abaixo, que alguns acham extenso e desnecessário demais, fazer o quê?), mas escreve aqui como leiga no tema. É uma observação do desenrolar dos fatos, com a bagagem que carrego, também como teresinense – e minha própria autocrítica contida no que falo. ↩︎




1 comentário
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Eu penso (posso estar enganada) que Silvio Mendes atual foi e é sustentado pelo Ciro Nogueira que tenta, de todas as maneiras, nunca aparecer, como se não participasse da administração municipal. Então, penso ainda não é PT de um lado e União do outro; é PT de lado e PP do outro. De qualquer forma, sabemos que União e PP são ideologicamente iguais.