Boletim 27/03/25

Fissuras da base: Titãs do MDB ainda divididos sobre fusão cruzada com PSD

Enquanto isso, reunião no MDB essa semana e uma abelhinha da coluna de passagem. Ninguém que conhece o MDB pode esperar um passeio tranquilo pelo rio Parnaíba, leitor. Dois deputados pedem: “Vamos consolidar logo essa fusão com o PSD! (chapa de federal no PSD e de estadual no MDB)”.

Quatro políticos falam pouco (sendo dois deles, titãs), mas relutam: dois querem votar no candidato a senador do lado de lá (conhecido também como Ciro Nogueira) e os outros dois veem que a fusão com o PSD fortalece o deputado Georgiano Neto e seu pai, Júlio César, pré-candidato ao Senado – tudo isso às custas dos nacos do MDB e de um fortalecimento de um eventual Georgiano para o Governo em 2030.

“Mas aí venceu a pressão do X e do Y (deputados que querem fortalecer a fusão)”, relatou um dos presentes. Venceu mesmo?

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Vocês vão me defender como vice ou vão ficar só olhando?

De forma mais ampla, também foi comentado que o vice-governador Themístocles Sampaio (MDB), atua pelo apoio dos partidários do MDB e dos colegas do PSD para continuar como vice na chapa do governador Rafael Fonteles em 2026, algo pouco provável no cenário atual, mas não inviável. “A gente foi até pego de surpresa porque nunca tinham tratado desse assunto com o PSD”, revelou ao boletim um político do PSD, pós encontro privado, na última semana, entre Themístocles e Júlio Cesar para tratar do tema.

Mas, tudo ainda está sem prego batido e menos ainda ponta virada. “Tem que ver melhor (o apoio a Themístocles)”. Ver o quê? “As conversas”. Certo…

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Ninguém aqui aguenta mais discurso mole

“É preciso um posicionamento mais firme do próprio MDB para o nome do Themístocles, o que teve de defesa foi um discurso mole. Pelo visto querem enrolar até a última hora (a escolha do vice), mas a gente não tem como esperar pra 2026”, completou um emedebista de linhagem sobre a hora da decisão.

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É agora ou nunca?

Dito de maneira clara: parte do grupo emedebista quer saber se Themístocles será vice, se não, quem será, e quais as compensações. Do Governo, o recado foi dado nos seguintes termos: tudo isso será resolvido, mas não agora. Quem decide a hora?

Tudo na guerra (assim como na política) é sobre tempo e intensidade. Ações certas, no tempo errado, resultam em perdas. Ações corretas, no tempo adequado, mas na intensidade incorreta, terminam em fracasso. Tempo e intensidade são tudo. Nem forçar a mão, nem ser frouxo. Nem dormir no ponto, nem perder o cavalo selado.  

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Ciro para a vice-presidência e Joel para o Senado

A federação Progressistas e União Brasil vai indicar o candidato a vice-presidente da direita. “Não é uma opinião, isso é um fato”, indicou à colunista um tomador de decisão voa por Brasília constantemente. “O nome é o do Ciro Nogueira (para vice)”. Ora, se for assim mesmo, a vaga de senador da oposição fica aberta no Piauí.

“O Joel (Rodrigues, ex-candidato ao Senado) pode ser, mas não é um fato”. Lição da história: há fatos e fatos, leitor. Ciro para vice-presidente, Joel para o Senado: a chapa Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD) na base, enfim, vai se entrosar e ganhar tração? 

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Que viagem!

“O único que tem condição de representar o Ciro no plano estadual é o Joel, e a única leitura que eles fazem certa é que de o presidente da República pode ser de direita, apesar de eu ver o Lula se recuperando. No mais, não acredito nessa possibilidade (Ciro para vice-presidente)”, analisou ao boletim uma graduada fonte governista sobre a conjuntura.

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Nada a perder, tudo a ganhar

Há, dentro da direita e centro-direita piauiense, a percepção de que a candidatura a governadora da ex-deputada federal Margarete Coelho (PP) é um experimento necessário: “O maior erro do Lula foi não ter feito sucessor. A direita tem vários líderes, mesmo que não tenha um sucessor. Temos que fazer o mesmo no Piauí”, apontou um oposicionista, em conversa reservada com a colunista. Supondo que Margarete não vença a eleição (ora, todo mundo que disputa tem 50% de chance de ganhar ou de perder), “ela não tem nada a perder”, argumenta.

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Margarete para a PMT em 28?

No mínimo isso significa que Margarete aumentará o capital político (visibilidade, ou seja, o reconhecimento do nome, agregado a características positivas) que pode ser utilizado, por exemplo, para construir uma candidatura à prefeita de Teresina em 2028. “Depende do desempenho”, pontuou o líder oposicionista sobre a hipótese. Será?

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Ela é centro, os bolsonaristas ficam com ele

Claro, Margarete Coelha precisa primeiro responder: “Onde estava e o que estava fazendo nos últimos anos?” (isso não é difícil, pois ela pode linkar os projetos do Sebrae nacional, onde atua, ao empreendedorismo e capacitação) e segundo, caminhar para ser uma candidata de centro (eleição só se ganha assim). 

Dessa forma, os bolsonaristas raiz podem abraçar um nome mais identificado a eles, como o ex-deputado federal José Maia Filho, o Mainha, disputando pelo PL o Governo do Estado? E mais na frente, todo mundo se ajeita (é só lembrar do Major Diego com Sílvio Mendes em 2026)?

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Tic Tac ou Tic Taca?

Em 2022, não custa lembrar a quem sofre de perda de memória recente, os chamados Rafaboys (núcleo duro político do governador Rafael Fonteles), criticava as pesquisas divulgadas pela oposição, que apontavam a acachapante vitória de Sílvio Mendes (União Brasil) ao Governo do Estado. Os Rafaboys estavam certos, o PT levou.

Em 2024, foi o grupo do senador Ciro Nogueira, quem acertou. Os levantamentos mostrando vitória de Fábio Novo (PT) em Teresina e de outros prefeitos da situação nas grandes cidades do Piauí, foram desmentidos pela realidade. Sílvio levou a melhor, Ciro estava certo.

Corta para hoje. Nas redes sociais, Ciro Nogueira deu uma leve (eufemismo) alfinetada em Rafael, cujo governo tem quase 100% de aprovação numa pesquisa Datamax divulgada na última semana. Pesquisas, desde já, em cheque. É a hora da prova dos nove, leitor: vai dar tic-tac ou no final será tic-taca?

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Sequência de tchau

O boletim teve acesso ao documento que afasta a vereadora de Teresina, Tatiana Medeiros (PSB), da Executiva municipal do PSB em Teresina. “Devemos abrir um processo na comissão ética do partido para analisar a situação jurídica em face das investigações que foram abertas contra ela”, destacou à colunista o secretário estadual de Planejamento e presidente da legenda, Washington Bonfim. O namorado de Tatiana foi preso acusado de ligação com o tráfico de drogas.

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Precisamos disso pra ontem

Basta ligar dois pontos para vislumbrar que Tatiana Medeiros terá situação política instável com a ofensiva interna do próprio partido para expulsá-la. Claro que tudo isso pode ser contestado juridicamente (e certamente será), mas a questão vai além: o PSB já queria se ver longe de Tatiana, mas agora tem urgência. Por quê mesmo? 

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Se conselho fosse bom

Três perguntas: o que você quer? O quanto você quer? E o quanto está disposto a sofrer por isso? Não me entenda mal, é que a maioria das pessoas não sabem o que desejam da vida, em primeiro lugar. Ah, você quer ser o melhor… Ok, mas o quanto você quer isso? Porque sim, existe um preço. Você precisa trabalhar mais, assumir mais responsabilidade, ter mais fracassos. Se a vida fosse só vitórias, você terminaria deprimido.

Seja lá o que você for fazer, tenha só isso em mente: não fique preso no meio. Tenha muito dinheiro ou não se importe, experimente felicidade ou tristeza, mas saia da mediocridade. Aproveite tudo, aprenda com os golpes mas, por favor: entre no jogo a sério ou saia da frente e pare de atrapalhar os jogadores profissionais. Aqui é um jogo de gente grande.

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Cifrada do Grande Irmão

No reino costeiro de Almaria, onde o murmúrio do mar sussurrava segredos aos ouvidos dos pescadores, o jovem monarca Novellus era vigiado por uma sentinela inesperada — a filha do antigo Rei, a Princesa Serena. Numa reunião com um fornecedor de especiarias ao reino, Serena disse o seguinte, na cara do caixeiro-viajante: “O rei não entende nada, nada, nada de política. É bom menino, bom técnico, mas não sabe de nada. Com política, você trata comigo”. Sentado na cadeira de rei, Novellus ficou calado, com um sorriso amarelo. O caixeiro, atônito, presenciou a cena. 

Para completar, cavaleiros da Távola Redonda que queriam conversar com Novellus, só poderiam fazê-lo na frente de uma testemunha da confiança de Serena, que ficava na sala do início ao fim do papo. O copo de água foi enchendo… até que um dia a tormenta chegou. 

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Foto do dia

O assunto ainda é Novo Francisco e clã Mão Santa… aliás, Francisco Emanuel (PP), afinal, o prefeito de Parnaíba mudou até o nome para demarcar discursivamente sua independência do grupo liderado pela deputada Gracinha Moraes Sousa (PP). Um interlocutor com raízes litorâneas faz uma análise rápida ao boletim sobre o fatídico dia depois do amanhã:

“Acredito que ela fica com o Governo Rafael Fonteles e ele (Francisco Emanuel) vai para o Governo (mas, a política é macunaímica, e daqui para frente pode mudar de galho). No boca a boca, insinua a versão de que saiu porque queriam que fizesse coisa errada. Já o Governo, se a Gracinha aderir, ganha os votos que perderia com a saída do Themístoclds (Filho, vice-governador)”. A colunista retrucou: “Mas você avalia chances do Themístocles sair?”. Resposta: “Acho que não, mas digo numa eventual saída”. Ahhh…  

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A frase para pensar

“Um contrato verbal não vale a tinta com que é assinado”, Samuel Godwyn (1882-1974), produtor americano.

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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