Boletim 30/05/25

Ala do mundo jurídico com pé no Piauí e Brasília pode comandar Flamengo do Piauí

O futebol é um jogo de multidões. Essa aqui, no entanto, é uma partida para seletos jogadores, leitor.

Uma forte ala do mundo jurídico, com um pé no Piauí e outro em Brasília, está trabalhando para dar uma bola dentro: assumir o comando do Flamengo do Piauí. Não estamos falando de uma “ala qualquer”, presta atenção, leitor. São Capas Pretas de alta patente. Um interventor assumiu o time na última semana e, dentro de 30 dias, a nova diretoria deve indicar um presidente. Apuração do boletim aponta que o mais cotado para a árdua missão vem a ser o contador de um importante líder da capital federal. Gol? 

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Por que não comandar a Federação Piauiense de Futebol também?

Caso a ideia vingue, o grupo pode alcançar espaços maiores, como o comando da Federação Piauiense de Futebol (alvo de disputas judiciais, presentes e futuras), especula um ator político envolvido no assunto e ouvido em reserva pelo boletim. Não é sobre ganhar apenas um campeonato. Não é só um jogo que homens poderosos empreendem nas horas vagas por lazer. É também uma possível plataforma para dominar, como um todo, o futebol piauiense. As apostas estão na mesa.

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Dívidas, BET e banco

Nada na vida são apenas flores, do contrário, o leitor morreu e ninguém lhe avisou: você está no céu. A vida real é uma plantação de pepinos para descascar. Há dois problemas a serem resolvidos com urgência no Flamengo do Piauí: o primeiro é trabalhista, e o segundo, com a Receita Federal. 

O novo grupo precisa limpar o CNPJ do time. Para isso, precisa contar com bons advogados, claro, e patrocínios. Um chute: um banco regional ou uma BET (casa de apostas online) com DNA de piauiense podem, quem sabe, colaborar na empreitada.

Decisão judicial indicando interventor no Flamengo do Piauí

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Então fica assim:

Mini-raio-X de influência política nos times do Piauí:

River- influência do senador Ciro Nogueira, do deputado federal Júlio Arcoverde (ambos do PP) 

Atlético Piauiense (Cap) – Governo estadual com a ala dos Rafaboys

Piauí Esporte Clube – Léo Sobral, diretor do Departamento de Estradas e Rodagens (DER) e o empresário Jackson Nogueira

Flamengo – Ala do mundo jurídico via Piauí e Brasília

A ex-chanceler da Alemanha, Angela Merkel, dizia que “quando a seleção alemã perde, a chanceler perde popularidade”. É difícil separar. No Brasil, especula-se que a CBF possa vir a lançar uma camisa alternativa vermelha da Seleção Brasileira. Mesmo que não vingue, cogitar a ideia é compreensível, afinal, boa parte dos torcedores se negavam a comprar e usar as camisas tradicionais verde e amarelo por associarem as cores ao bolsonarismo. Futebol tem tudo a ver com política: é termômetro social, ferramenta de propaganda e espaço de contestação política.

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Quatro motivos reais para montar um time

Por que, leitor, ter um time? Um pouco de orgulho e sentimento certamente estão embutidos na situação. Outra dose de visão de futuro, também (um time, especialmente se deixar de ser uma associação e virar uma SAF, Sociedade Anônima de Futebol, é um patrimônio). Acrescido a isso, o fato inegável de que patrocínios e investimentos tornam esse um negócio efetivamente atraente. Um último ingrediente: força política. Envolvendo emoção, torcedores são mobilizados pela paixão. Tal qual a política.

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Como foi a entrevista de Rafael no Roda Viva

A participação do governador Rafael Fonteles (PT) no programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda-feira, 28, não serviu para cortes eletrizantes nas redes sociais. Rafael não polemizou. Fez uma única coisa e a fez bem: defender o governo Lula. O programa foi meio morno (ninguém esperava o contrário, aliás), mas o petista deu mostras de estar seguro, com dados e respostas redondas para temas espinhosos (religião, segurança, economia e crise no INSS). 

Se fosse um teste para a vaga de ministro de Lula, a colunista arriscaria: Rafael seria aprovado. Mas, até onde o boletim sabe, não tem concurso com essa vaga aberta… ou tem?

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Todos os nomes possíveis

Um estranho chegou numa cidadezinha e perguntou a um garoto: “Como é o nome do prefeito da sua terra?”. O menino lhe respondeu: “Antes de ser eleito, ele se chamava João, mas agora tão chamando ele de todo nome…”

Tirada do livrinho “Piahuylário”, de Deusdeth Nunes, o Garrincha, presente bem-vindo de um leitor da coluna. Ah, qualquer semelhança da historinha acima com a realidade, não é mera coincidência!

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Se conselho fosse bom

Se você não sabe dizer não, tudo parecerá urgente e importante. Não tem problema você permitir que pequenas coisas ruins aconteçam (retornar uma chamada atrasada e pedir desculpas, perder um cliente insuportável, etc.) para focar no que realmente importa. Você não tem dificuldade em dizer não, você só tem medo de ser odiado e quer agradar todo mundo. Faça o que é crucial e saia. Você tem pouco tempo nesse planeta, priorize. Não aceite chamadas de números desconhecidos, não vá para reuniões sem horário de término definido. Faça uma ou duas coisas extremamente bem, consistentemente, por um longo período e você saberá o que é sucesso.

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Cifrada do Pedido de Demissão

Num reino solar comandado por um sábio rei que retornou recentemente de um longo exílio, três cavaleiros (Ambiental, sub-rei das Terras do Sul e Matriarca), todos ligados ao Time Azul, estão em vias de enviar, via pombo-correio, um memorando real de demissão. A chateação é por conta das nomeações de servos terceirizados e comissionados, em suas respectivas alas do Palácio: não sai nenhuma.

O rei alega que as contas do Tesouro não aguentam o baque, o vice-rei senta em cima e por aí vai. Do outro lado do rio, a turma da Távola Redonda soma vozes ao coro dos descontentes: “Levamos um golpe! Estou com uma fila de nomes de 30 servos e nada! Vai ter troco… Que o rei não mande nenhum projeto para cá, porque não passa”, bradou um aguerrido cavaleiro. É complicado…

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Foto do dia

O jornalismo registra a história do momento. Portanto, certamente é incontornável marcar a oficialização da federação entre União Brasil e Progressistas, em cerimônia na Câmara dos Deputados, em Brasília, na última segunda, 29. A bancada da federação terá 109 deputados (a maior), e 14 senadores (atrás apenas do PSD). Por enquanto, os presidentes do PP, senador Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antonio Rueda, vão comandar a aliança, que terá um presidente único em 2026 (o nome não é consenso). Tem cacique demais (mas índio não falta também), só que esse é um problema para o Ciro Nogueira de amanhã. Hoje é só festa.

O que esperar da super-federação? O mesmo de sempre, em doses maiores: estar com o Governo da vez (com cargos), mas ter parte dos seus membros com a oposição, fazendo pressão. A força numérica da federação pode barrar tudo o que vier do Governo, assim como redesenhar as políticas públicas. Não é pouca coisa. Para o Governo Lula, hoje não foi um grande dia. 

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A frase para pensar

“Todas as ações são arriscadas, portanto, prudência não consiste em evitar o perigo (é impossível), mas em calcular o risco e agir com decisão. Cometa erros de ambição e não erros de preguiça. Desenvolva a força para fazer coisas ousadas, não a força para sofrer”, Nicolau Maquiavel (1469-1527), historiador e diplomata italiano, tido como fundador da Ciência Política moderna.

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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