Boletim 18/06/25
Aos incrédulos (leia aqui um boletim anterior sobre o tema), já tem data a licença que o deputado estadual Georgiano Neto (PSD) vai tirar da Assembleia Legislativa do Piauí: agosto. O homem forte do PSD deixará espaço para que a suplente, Vanessa Tapety, assuma. Vanessa será candidata a deputada na chapa cruzada do MDB/PSD e, como o leitor sabe, todo partido precisa de mulheres competitivas.
A saída de Georgiano, informa uma fonte de dentro do PSD, é um “gesto para base”. Será suficiente para aplacar a ira dos colegas? Não sabemos. Mas ele tem que tentar, né gente?

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Gesto 2: saída de Júlio
Para completar o segmento dos “gestos mais do que simbólicos”, até o pai de Georgiano, o deputado federal Júlio César Lima, pode tirar um período de três meses de licença para que o primeiro suplente, o secretário estadual de Assistência Técnica e Defesa Agropecuária, Fábio Abreu, ocupe uma cadeira na Câmara dos Deputados. Isso fortalecerá Abreu e, portanto, a chapa de federal do PSD, como consequência.
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Gesto 3: saída de Jussara
Falta só alinhar a terceira licença da família, a da matriarca Jussara Lima, senadora em exercício na cadeira de Wellington Dias, para que o suplente, o empresário José Amauri, assuma. Esse terceiro gesto, digamos assim, sinaliza para o deputado estadual Evaldo Gomes, já que Amauri é ligado politicamente ao grupo de Gomes no Solidariedade.

Com esse tanto de gesto e de licença, a família núcleo duro do PSD terá mais tempo para fazer pré-campanha e pedir voto, não é? A colunista, que almeja um idílico mundo sem guerras, torce para que os votos alcançados sejam do lado oposto, porque se forem de dentro da base… a novela, choradeira e chiadeira sobre invasão de colégios eleitorais não vai terminar nunca!
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E se derem a primeira suplência de senador pro Vinícius Dias?
Hipótese aventada por um governista das antigas eras, mais bem informado do que nunca: “Um dinossauro do PT me disse hoje que ofereceram as duas vagas de suplentes de senador (de Júlio César e Marcelo Castro, PSD e MDB) para o Wellington Dias (ministro do PT) indicar. Uma delas poderia ser para Vinícius (Dias, filho de Wellington). Não sei se topa”. Se o político, que está acostumado a sentar na sala gelada não sabe, avalie a colunista…

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… ou então se derem a primeira suplência pro Francisco Costa?
“Soube que pode ser (primeira suplência de senador) pro Dr.Francisco também. Ou um descontente (Washington Bandeira ou Chico Lucas, secretários de Educação e Segurança, cotados para a candidatura a vice-governador)”, analisou o político, em off. No caso, se o deputado federal petista Dr. Francisco fosse suplente de senador, indicado por Wellington Dias, os colégios dele iriam para Vinícius Dias, que poderia tentar com grandes chances uma cadeira na Câmara dos Deputados?

Sem querer ser leva e traz (mas já sendo), a colunista perguntou a um aliado de Dr.Francisco se o deputado toparia, caso convidado, deixar de ser deputado federal para ser suplente de senador. Resposta na lata: “Zero, pode esquecer isso”. Então tá bom, não está mais aqui quem perguntou!
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Não é zero não
Um político sincero (mais que demais): “Aqui pra nós: suplente de dois chegando aos 80 anos e com 8 anos a cumprir de mandato, não é zero não”. Pena que não tem concurso para suplente de senador… o que ia ter de gente fazendo cursinho, não é brincadeira!

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Promoção de peões
Falando em Chico Lucas e Washington Bandeira, um petista analisou friamente os movimentos dos dois fortes secretários: “Bandeira o tempo todo com o pai (de Rafael Fonteles, Nazareno) e o tio (Marcelino Fonteles) no último encontro do PT. O Chico, em compensação, foi quem costurou a retirada da candidatura do Marcelo Mascarenhas para apoiar o Fábio Novo a presidência do PT. Todos se movimentando”.

Ah, no xadrez, quando um peão atinge a última fileira do lado oposto, ele pode ser promovido a qualquer outra peça (dama, torre, bispo ou cavalo). A jogada chama-se: “promoção de peões”. O negócio é chegar lá… Alguém chama o Magnus Carlsen1, por favor!
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Não era o que a gente queria, mas tá valendo
E aí, a turma da base do Governo Fonteles ficou ou não satisfeita com o desenho das coisas? “O pessoal próximo ao Wellington (Dias) achou pouco, mas para quem estava com nada de contreto…”. Três pontinhos é melhor do que nada?
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“O rei morreu, viva o rei”
Junho de 2025: já podemos dizer que o PT do Piauí tem um novo líder e ele é o governador Rafael Fonteles? (quer gostem ou desgostem os dinossauros, novatos, profissionais e amadores no ramo). Pergunta inocente: ganha quem faz mais barulho ou quem consegue o que quer?
Ao fim e ao cabo, as principais lideranças de sangue vermelho (como o deputado federal Merlong Solano) acataram a vontade de Fonteles: “A decisão do governador tem que ser respeitada. Quem quiser trilhar outros caminhos, que tenha a coragem de assumi-los fora do nosso projeto”, disse Merlong pós-reunião (leia aqui).

Que decisão? Volte um boletim (eu escrevi aqui que a chapa de 2026 é PT na cabeça, PT na vice – indicado por Rafael e não pelo ministro Wellington Dias, como queriam alguns, com PSD e MDB no Senado). Por último, mas não menos importante, o deputado federal Flávio Nogueira (PT) que ainda ensaiava tentar o lugar de Júlio César na chapa de Senado, admitiu que vai seguir jogando (e joga bem) a partida da Câmara dos Deputados. Assunto encerrado, podemos partir para a próxima?
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Três lições de um samurai
Pode-se analisar que Rafael conseguiu criar, mais com atos do que com recados, a imagem de inevitabilidade política no PT, apresentando-se como a única alternativa viável mesmo quando sua base inicial dentro do partido era minoritária, refratária e saudosa do passado recente (resumindo: dividida). Como alertou Maquiavel (que sabia das coisas), “nada é mais difícil do que introduzir uma nova ordem”.
Para referendar o argumento, no clássico “O Livro dos Cinco Anéis, o samurai Miyamoto Musashi dá três lições: 1) “não faça nada inútil”, cada movimento deve ter propósito; 2) “perceba o que não pode ser visto”, mapeie as alianças ocultas e as fraquezas não declaradas de seus rivais e 3) “adapte-se como a água”. Musashi ensinava que a rigidez leva à derrota, e na política, isso significa alternar entre firmeza e flexibilidade conforme o cenário. Vence quem sabe avançar como fogo e quando fluir como água?
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On-line e roteando
Pausa para notícias boas (elas existem, descrentes!): a Prefeitura de Teresina lançou ontem uma plataforma para facilitar o acesso a serviços, a ‘’TeresinaON’’. O diretor da Prodater, Miguel de Oliveira, explicou que a plataforma não é um aplicativo e sim um portal de serviços, mais inclusivo. “Nós estamos começando com 30 serviços mais ou menos, mas a tendência é que, ao longo da gestão, consigamos mapear toda a carta de serviço da prefeitura”. Os serviços vão de nota fiscal de serviço avulsa a consultas e matrículas. Ponto positivo.

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Se conselho fosse bom
Mesmo que você evite muito, em algum momento vai chegar a hora em que precisará precisar mostrar os dentes. Se a ideia de confronto o deixa desconfortável, não almeje nadar entre tubarões. Mas, é importante frisar: o confronto só é necessário quando houver algo a perder ou a ganhar. Caso contrário, deixe os cães latirem.
Evite ficar procurando inimigos em todo lugar. Provavelmente você é seu maior inimigo: nada pra você é urgente e você está sempre envolvido de modo parcial no que faz. Ser ansioso e se levar muito a sério sempre limitará seu raio de ação. Seu maior adversário é a voz que diz na sua cabeça: “você ainda tem tempo”. Não, você não tem.
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Cifrada do Recado Secreto
No Palácio Real, chegou o seguinte e anônimo pombo-correio direcionado ao rei: “Favor, tirar o cavaleiro Pavimentador da função em que está”. Seguindo as pistas, chegou-se ao remetente: o pessoal da Távola Redonda. O coro dos descontentes alega que Pavimentador pode vir a divulgar para os colegas, incluindo o cavaleiro Caneta Quente, os dados e diretrizes pessoais das emendas dos cavaleiros municipais. Tem algum problema nisso, aliás? É que a turma prefere não… “Não é interessante ele lá. Agora se vão ter força pra tirar eu não sei”, resumiu um cavaleiro envolvido nos recados. E agora, o rei acata e compõe, ou nega o pedido dos cavaleiros e fica com Pavimentador?
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Foto do dia
Se depender dos bolsonaristas raiz do Piauí, o senador Ciro Nogueira não só será o candidato a vice-presidente de Tarcísio de Freitas (governador de São Paulo pelo Republicanos, cotado para disputar a Presidência da República), como será lançado, em solo piauiense, pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A vinda do “mito” está sendo articulada pela cúpula do PL piauiense com a direção nacional em Brasília, como apurou o boletim com direitistas. É também a aposta dos apoiadores do pré-candidato a governador pelo PL, José Maia Filho, o Mainha.

Com duas candidaturas na direita/centro-direita (Mainha e a ex-deputada federal Margarete Coelho), os direitistas vivem dois paradoxos no estado: 1) Ciro deve focar no Senado e diminuir a pressão na projeção nacional? (o boletim ouviu oposicionistas que discordam, alegando que a candidatura número um de Ciro é a senador e falar de vice só confunde as lideranças: “Tem prefeito que só quer uma desculpa pra pular do barco. O Ciro é candidato a senador e ponto!”, defendeu um cirista de carteirinha).
E 2) até quando serão levados dois palanques para o Governo no mesmo campo? Mainha não dá mostras de desistir e Margarete segue em passo firme. Dividir para somar ou somar para dividir? Quem tiver a resposta, favor enviar à colunista com urgência!
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A frase para pensar
“Se alguém vence sendo um imbecil, não deixará de sê-lo, mas as pessoas deixarão de trata-lo como tal”, Roberto Payró (1867-1928), escritor argentino.
- Grande mestre de xadrez norueguês e campeão mundial de xadrez clássico de 2013 a 2023. ↩︎



