Boletim 12/08/25
(Atenção: Pessoas que vivem de política são altamente tolerantes a riscos, buscam experiências de estresse elevado, a qual têm pouco controle, e são competitivas em um nível extremo. Tão competitivas que podem tomar decisões que lhe causarão ruína. Mas, se vencerem, terão uma grande descarga de dopamina. Costuma valer a pena…)
Não satisfeita em trabalhar com jornalismo político, a colunista busca sempre novas maneiras de sofrer. Por isso, contratou um professor de xadrez (sério). Não sou uma boa jogadora, ainda estou aprendendo… Mas quando um partido retira de circulação, ou “captura”, um nome de peso de outra sigla dentro da mesma base aliada, seria mais como mover o bispo para uma diagonal longa, não para atacar diretamente o rei adversário, mas para abrir caminho para peças menores e controlar o ritmo da partida?

Nessa analogia, o ex-governador Wilson Martins, filiado ontem a noite ao PSD do deputado estadual Georgiano Neto, é como uma torre, cuja ausência reposiciona o equilíbrio de forças e obriga os aliados remanescentes (PT e Republicanos e, como efeito colateral, até o Progressistas) a replanejar sua defesa e suas conexões? Perguntar é de graça…
A máxima enxadrística é de que “o tabuleiro não tem amigos”, só espaços a conquistar e tempo a administrar. Tic, tac, tic…
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FAQ (Frequently Asked Questions): Perguntas Frequentes
Pergunta: O deputado federal Marcos Aurélio Sampaio ainda fica no PSD com a ida de Wilson Martins para o partido (já que ambos têm projeção equivalente de 100 mil votos)?
Resposta da colunista: Fica. “Se o Georgiano (Neto) e o Castro Neto tiverem mesmo esses votos que eles falam que têm, não é ruim não (a ida de Wilson Martins), pois o PSD pode fazer quatro federais, em tese, e diminui aí 50 mil votos do PT, que eu acho tua conta muito inflacionada (a fonte se refere à última coluna com projeções de votos. Leia aqui)”, disse um interlocutor próximo à família Sampaio.
Já um observador externo enxerga o seguinte: “Marcos Aurélio ganha (com a jogada de Wilson), desde que não venha ninguém mais pro PSD”. Mas ninguém quem? Poderia ser Jadyel Alencar, por exemplo? Ouvido pelo boletim, o aliado dos Sampaio refuta na hora: “Se vir o Jadyel (para o PSD) aí é sacanagem!”…

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Pergunta: Átila Filho (deputado pelo Progressistas) não tinha sido convidado pro PSD? E agora, vai pra onde?
Resposta da colunista: “Átila fica sem opção porque não tem como ir pro PT, morreu pro Átila. A não ser que ele (Átila Filho) faça uma chapinha com Jadyel (Alencar), que acho improvável”, pondera um político estadual de alta patente sobre o caminho de Átila. Outro ator político afirma que, ganhando ou perdendo (a exposição ao risco é inerente ao exercício político), Lira fica no PP.

“Ele não vai comprar briga com o CN (senador Ciro Nogueira) em Brasília. Mesmo que seja eleito por outro partido e volte pra Brasília, as portas estariam fechadas. Não faz sentido estar em Brasília sem o CN (OBS: a principal bandeira de Átila é a educação. Sua família tem negócios no setor e as principais pautas do segmento passam por regulamentação na capital federal)”.
Traição na política é mesmo o maior defeito.
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Pergunta: A chapa do PT fica ferida de morte ou se recupera com a ida de Wilson Martins pro PSD?
Resposta da colunista: Para um petista que conhece como as rodas se engendram por dentro, “Flávio (Nogueira), Florentino (Neto) e (Zé) Santana devem tá revoltados. E o Franzé não pode mais sair”. Começa a erosão? Outro petista ouvido em off pelo boletim, pensa diferente e faz o seguinte desenho:

“Santana, Flávio Nogueira e Francisco Costa, estão mais ou menos confortáveis, porque o PT faz três deputados, mas veem risco porque Florentino e Franzé ficam mais expostos, será que eles podem disputar, mas tirar o pé? Já o Merlong (Solano) é um petista histórico e vai ficar. A verdade é que o Wilson Martins calado deu um drible em todo mundo!”. O xadrez sempre foi um jogo de consequências psicológicas…
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Pergunta: No xadrez temos a “dança dos cavalos”: movimentos não lineares, calculados em três ou quatro lances à frente, que desestabilizam o planejamento alheio sem que, à primeira vista, pareça uma ofensiva aberta. Quais jogadas ainda cabem a Franzé Silva?
Resposta da colunista: Há dois pontos de vista aqui. Para um petista (obviamente): “Franzé não pode mais sair (do PT)”, pois destruiria a chapa do partido onde construiu sua carreira política. Para um filiado de peso do PSD, é justamente o contrário: “Se ele (Franzé) vier pro PSD, ele pode disputar uma primeira suplência com o Fábio Abreu porque no PT tem Merlong e Florentino já”, disse o pragmático político, escancarando o convite.

Detalhe: a turma de candidatos a federal do PT espera que dois suplentes sejam chamados para serem secretários estaduais de Rafael Fonteles, numa eventual vitória no pleito de 2026. No PSD, a expectativa é de que um suplente vire secretário estadual. Na política, entre o céu (vitória) e o inferno (derrota), tem um vasto mundo de possibilidades, leitor…
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Pergunta: No xadrez, retirar uma peça forte do adversário muda a geometria do jogo: espaços antes controlados ficam vulneráveis, rotas de ataque se abrem e a defesa se reorganiza às pressas. Jadyel Alencar ainda é a única peça que pode se mover?
Resposta da colunista: Essa partida se comporta com 12 atores para 8 vagas: 3 tabuleiros (PSD, PT e PP) e um querendo colocar o quarto tabuleiro (Republicanos).
Alguma mulher na jogada? “Não tem mulher competitiva, esquece as mulheres. São 6 casas em cada tabuleiro, os 2 primeiros tabuleiros estão cheios. Se o Jadyel ganha, ele inaugura um grupo e será dono de um grupo todo. Mas se perde, se acaba. Há um alto custo para ele”, pondera um experiente player ouvido pelo boletim e por dentro das conversas da sala gelada. E agora, Jadyel?

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Pergunta: A captura de Wilson Martins foi uma jogada prematura de Georgiano Neto ou importa menos o valor da peça retirada e mais o impacto sobre a estrutura inteira de forças? Um xeque planejado não para amanhã, mas para o fim da partida?
Resposta da colunista: Para um político governista, em reserva, “Georgiano está sempre testando os limites do RF (Rafael Fonteles, governador), por isso todo mundo coloca ele como potencial adversário no futuro”. Para esse interlocutor, no entanto, a ida de Wilson Martins ao PSD não aconteceria sem o aval de Fonteles, ou pelo menos sem a oposição declarada dele.

Dessa forma, é preciso ponderar se o Governo petista deixará o PSD eleger quatro federais e ficará com três (a projeção de votos realista é essa hoje) ou moverá peças secretas para que o PT e não o PSD elejam quatro federais… um a mais, um a menos, aqui em Brasília, é o preço de um impeachment, cotação de peso de ouro.
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No ramo da conjectura
Para alguns, a eleição é a coisa mais importante do mundo. A identidade delas está ligada ao resultado que sai nas urnas. O leitor talvez seja como eu: para mim, a eleição nada mais é do que uma “distribuição de probabilidades com resultados possíveis. Às vezes, tudo gira em torno de eventos aleatórios e o mundo é um lugarzinho complicado. Portanto, é com cautela que uso o termo “racionalidade” para falar de projeção de votos. Nesse ramo, acertar, mesmo que só um pouco, é muita coisa.
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Para ler, ver e ouvir
Antes de vê-lo, a ideia inicial era indicar o filme “Amores Materialistas”, da diretora Celine Song (que fez o excelente “Past Lives”, assistam), mas após assisti-lo, concluo que não desejo esse sofrimento nem aos inimigos. Vamos de livro (de novo)?
Acompanho tudo o que escreve o estatístico norte-americano Nate Silver. Ele ficou conhecido por fundar o site FiveThirtyEight e previu corretamente os resultados de eleições históricas, como a de 2012, vencida por Obama. Hoje, escreve uma newsletter no Substack com projeções políticas e outras apostas (como esporte), e lançou um livro que versa sobre um ramo (tomada de decisões sob risco) que o leitor que caminha pela política deve conhecer bem: “No Limite: A Arte de Arriscar Tudo”.

O livro é uma continuação de “O Sinal e o Ruído”, que a colunista também recomenda fortemente. Estou no comecinho, mas adianto que bebo desta fonte, afinal, distinguir entre informações significativas e ruído, no meu segmento, é absolutamente tudo.
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Se conselho fosse bom
O mundo é um espelho: quando você duvida ou teme, ele age refletindo seu estado emocional. Ande no mundo com confiança calma de que, se der certo, ótimo, se não, ninguém vai morrer por causa disso. Se você vive para si e faz o que gosta de fazer – desde que não prejudique ninguém, todo o resto se ajustará. Quando você está no caminho que não é para você, sentirá desconforto, frustração e incerteza. Nunca faça nada pelo qual sua alma protesta ativamente.
Você é o mestre da sua realidade. Só você sabe melhor do que ninguém o que precisa acontecer e como. Se você vive segundo suas diretrizes, mesmo que sejam fora do que os outros consideram bom senso, as coisas terminam bem no final. Acredite nisso.
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Cifrada do Expecto Patronum
No reino de Hogwarts, o gente boa Cedrico Diggory está consolidado junto a Harry Potter em relação a uma posição bastante disputada na chapa do próximo Torneio Quadrienal – disso ninguém tem dúvidas. Mas, a turma dos bruxos da dinastia Dinossauros (ligada ao líder de quatro eras passadas, Dumbledore), manda avisar que não aceita nada quieta, né? Eles ensaiam utilizar o feitiço “Expecto Patronum”, aquele que invoca um protetor mágico contra dementadores e coisa e tal para barrar Cedrico na parada. “A cada dia, as barreiras no segmento dinossáurico, crescem. O termômetro subiu alguns pontos…”, avisa, enigmático, o antigo professor Severo Snape. Coisas concretas ou nuvem de fumaça?
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Foto do dia
“Quem souber morre”, respondeu um emissário do boletim ao ser questionado qual era mesmo o assunto da conversa entre o presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, Severo Eulálio (MDB) e o deputado estadual Tiago Vasconcelos (MDB). Seria, por exemplo (a título de hipótese), um papo sobre os planos do MDB para ultrapassar o PT e eleger 12 estaduais e não 11 previstos nas eleições de 2026? A turma quer uma compensação do Governo Rafael Fonteles por perder a vice e planeja pegar nomes da chapa de estadual do PT? Como disse o ilustre emissário, quem souber…

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A frase para pensar
“Quando eu era criança, me ensinaram que qualquer pessoa podia ser presidente. Agora estou começando a acreditar”, Clarence Darrow (1857-1938), advogado americano.
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Feito à mão
A charge do Rico de hoje, sobre adultização:




