Newsletter Boletim, Sexta-feira: 04/07/2025
EDITORIAL
O caso do supervisor de segurança flagrado agredindo com socos e pontapés duas mulheres flagradas cometendo furto em uma loja do Shopping Rio Poty, em Teresina, é uma situação que choca pela violência e covardia das imagens compartilhadas na imprensa esta semana, mas não surpreende.
O avanço da violência como resposta para problemas complexos acaba acarretando em situações como essa presenciada em Teresina e que também já foi retratada de norte a sul do país. A investigação da Polícia Civil do Piauí, sob a supervisão da delegada Syglia Samuelle, titular da Delegacia dos Direitos Humanos, aponta que foram encontradas evidências dignas de nota e capazes de preencher a estrutura jurídica necessária para que o segurança possa responder criminalmente por tortura.
Mas a pergunta que fica ao observarmos essa situação é: como uma pessoa, que responde como supervisor de segurança de um dos maiores shoppings de Teresina, se deixa agir dessa forma descontrolada? A resposta pode estar na naturalização da brutalidade como método de justiça. Vivemos em uma sociedade que, cada vez mais, compactua com a ideia de que certos crimes – especialmente os cometidos por pessoas em situação de vulnerabilidade – justificam a violência extralegal.
O que aconteceu no Shopping Rio Poty não foi um ato de justiça, mas de barbárie. Se o Estado falha em garantir uma resposta eficiente ao crime, isso não significa que cidadãos – muito menos profissionais contratados para proteger – possam assumir o papel de juízes e carrascos. A tortura é um crime inafiançável e imprescritível, previsto na Constituição Federal, justamente por representar uma violação profunda da dignidade humana.
Além disso, é preciso questionar: por que casos como esse, muitas vezes não despertam a comoção pública? A seletividade da nossa indignação revela um problema ainda maior: a desumanização de quem comete crimes, como se alguns corpos merecessem mais proteção do que outros. O supervisor de segurança deve responder pela lei, assim como as mulheres acusadas de furto. Mas a sociedade precisa refletir sobre o que legitima essa escalada de violência. Enquanto acharmos que alguns crimes justificam a barbárie, estaremos alimentando um ciclo perigoso – onde a tortura vira rotina, e a justiça, linchamento.
CASO DE SEGURANÇA ACUSADO DE TORTURA EM SHOPPING DE TERESINA ALERTA PARA A NATURALIZAÇÃO DA BRUTALIDADE

QUADRO GERAL: A Polícia Civil do Piauí indiciou um segurança do Shopping Rio Poty, em Teresina, por tortura na abordagem a duas mulheres flagradas furtando 11 perfumes e bijuterias de uma loja. Os crimes ocorreram em 10 de maio. Câmeras do próprio shopping registraram a abordagem feita pelo homem, que ocupava o cargo de supervisor de segurança do empreendimento. A investigação usou as gravações para confirmar as agressões e definir pelo indiciamento. (G1 Piauí)
VALE ACOMPANHAR PORQUE: Após as agressões, ocorrida em uma Doca do Shopping, a Polícia Militar foi acionada e chegou ao L1 para conduzir as duas mulheres à Central de Flagrantes, onde foram autuadas por crime de furto e liberadas em audiência de custódia. Após serem liberadas, as mulheres registraram Boletim de Ocorrência contra o segurança e as imagens das câmeras de segurança, que confirmaram as agressões, foram obtidas pela Polícia Civil. (GP1)
NÃO DITO: As investigações iniciaram após as imagens das câmeras de segurança vazarem e mostrarem o supervisor de segurança agredindo fisicamente as mulheres. O episódio expõe um grave problema no tratamento de furto em estabelecimentos comerciais e a linha tênue entre segurança e abuso de poder. As alegações de tortura e violência desmedida sublinham a necessidade urgente de uma revisão nos protocolos de abordagem de segurança em shoppings e outros ambientes similares. (Diário do Povo)
TÚNEL DO TEMPO: Em reportagem de 2019, a Folha de São Paulo, fez um levantamento que mostrava ser comum a prática de tortura promovida por seguranças de supermercados a pessoas flagradas cometendo furtos. A reportagem cita o caso do segurança Januário Alves, que quando jovem foi torturado após ser confundido com um ladrão, em 2009, numa unidade do supermercado Carrefour. “Fui torturado porque sou negro. Para eles [seguranças] um negro como eu não tem condições e nem pode ter um carro como esse”, afirmou. (Folha de São Paulo)
VÁ MAIS FUNDO: A plataforma Nexo debateu em seu Podcast “Durma com essa” os relatos frequentes de casos com acusações de tortura em redes de supermercados em todo o país, retratando em especial um caso ocorrido na cidade de Canoas, no Rio Grande do Sul, onde três de sete pessoas envolvidas em um caso de tortura eram policiais militares, dois da ativa e um aposentado. Eles trabalhavam como seguranças do local e participaram da agressão contra duas pessoas que teriam tentado roubar dois pacotes de picanha. (Durma com essa)
PAREI PARA VER
O artista @cassiovasconcellos, por meio da expedição Serras e Sertões, registrou imagens espetaculares das formações rochosas incomuns do Buriti dos Cavalos, localizado na cidade de Piripiri, no Norte do Piauí. O local, com cerca de 200 hectares, conta com pelo menos 10 sítios arqueológicos, com registros rupestres, cachoeiras, trilhas, cavernas, ideal para os amantes de turismo de aventura ou da prática de esportes radicais.
COLOQUE NA AGENDA
O primeiro final de semana de julho vem com diversas opções de competições para os amantes de corrida em todo o Piauí. O perfil @correpiaui selecionou as competições que serão realizadas no final de semana:
No sábado (05/07)
• Piracuruca Run – Piracuruca
• Sky Beach Run – Barra Grande
No domingo (06/07)
• Capivara Run – São Raimundo Nonato
• Corrida União Calçados – União
• Picos Pro Race Cangaço – Picos
O QUE ESTÃO FALANDO
A Sociedade Esportiva de Altos comemorou em suas redes sociais a boa fase na série D do Campeonato Brasileiro, onde é líder do Grupo A2, com 5 vitória e 5 empates, além de carregar uma marca história, como o time com a maior invencibilidade do futebol brasileiro atualmente. Ao todo já são 4 meses e 13 jogos sem saber o que é uma derrota, somando resultados do Campeonato Piauiense, Copa do Nordeste e Série D. E neste final de semana o Altos voltará a campo para enfrentar o lanterna do seu grupo, o time cearense do Maracanã, buscando ampliar a sua vantagem na competição e aumentar a série invicta.
ACHAMOS QUE VALE FICAR SABENDO
DEPENDENDO DE LICITAÇÃO: A desativação parcial do aterro sanitário de Teresina foi anunciada na manhã desta quinta-feira (03) pelo prefeito Silvio Mendes (União Brasil). A decisão ocorre 11 dias após o menino David Kauan Silva da Costa, de 12 anos, atropelado por um trator no local. Em entrevista à TV Clube, o prefeito afirmou que, a partir da decisão, apenas os carregamentos da varrição e capina da cidade serão depositados no local. A intenção, segundo a Prefeitura de Teresina, é afastar catadores de lixo não cadastrados e evitar tragédias semelhantes à morte de David Kauan. De acordo com Silvio, os resíduos domiciliares vão ser destinados a aterros sanitários particulares enquanto uma nova licitação do lixo não for concluída. (G1 Piauí)
INDICIAMENTO POR TORTURA: A Delegacia dos Direitos Humanos da Polícia Civil do Piauí indiciou um ex-segurança do Shopping Rio Poty, identificado como Antônio Marcos Farias dos Santos, por crime de tortura contra duas mulheres acusadas de furtarem perfumes importados da Riachuelo, no último dia 10 de maio deste ano. O relatório de indiciamento foi assinado pela delegada Syglia Brito em 20 de junho de 2025. Em depoimento, uma das mulheres relatou que se encontrava no Shopping Rio Poty, quando por volta das 13:40h foi pega, juntamente com outra colega, pelos seguranças do shopping furtando perfumes na loja Riachuelo. Em seguida, elas foram levadas para a região das DOCAS, no 1, onde passaram a ser agredidas com chutes, socos na cabeça e na barriga. (GP1)
PRESO POR ESTUPRO: Um homem, que não teve a identidade relevada, suspeito de estupro de vulnerável contra a própria neta, foi preso na manhã desta quinta-feira (03), na zona Rural da cidade de Demerval Lobão, a 35 km de Teresina. O homem estava foragido desde 2020, quando os abusos foram descobertos após a vítima, na época com 14 anos, engravidar. Segundo o delegado, Hugo Alcântara, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), o crime foi descoberto quando a vítima, procurou ajuda médica, revelando estar grávida e relatou os abusos. (Cidade Verde)
MAIS UM CONCURSO: O Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PI), em Teresina, tem concurso autorizado para ocupar 22% do quadro de funcionários atual do órgão. A informação foi dada em reunião da diretoria do Lacen, parlamentares e o Ministério da Saúde. Ainda não há informações sobre a quantidade oficial de vagas que estão disponibilizadas no concurso, que será realizado no âmbito da construção da nova sede do Lacen, que já tem um projeto orçado em R$ 30 milhões. (ODIA)


