O presidente Donald Trump assinou nesta quarta-feira, 30, uma ordem executiva que oficializa a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, que entrará em vigor daqui a uma semana, no dia 06 de agosto. A nova alíquota traz quase 700 exceções, como suco de laranja e outros produtos agrícolas, petróleo e derivados, metais e peças de aeronaves. Antes disso, foi anunciada ainda a sanção ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com a aplicação da lei Magnitsky, que impõem uma série de restrições financeiras, como bloqueio de bens.
A expectativa sobre o tarifaço do presidente americano e a reação do governo brasileiro dividiu a esquerda e a direita (como se fosse difícil fazer isso) quanto à percepção da resposta dada pelo Governo Federal e como o presidente Lula têm agido em relação à essa crise. A coluna Termômetro conversou com o deputado federal Merlong Solano (PT) e com o ex-deputado Mainha (PL) para tentar entender como diferentes espectros políticos analisam a resposta do governo brasileiro ao tarifaço e a aplicação da lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes pelo governo dos Estados Unidos.

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“Lula foi inconsequente”, diz Mainha
O deputado Merlong Solano acredita que o presidente Lula tem tomado a atitude correta desde o começo e que está mostrando de maneira inconteste que o “Brasil é um país soberano e que isso nunca poderia ser aceito”. Além disso, o parlamentar afirmou ao Termômetro que o Brasil busca negociação com os Estados Unidos desde quando Trump anunciou tarifas para todo o mundo, em abril. E acrescenta “não se discute a autonomia do Poder Judiciário, isso não está na mesa de negociação”.
Já o ex-deputado Mainha disse à coluna que o comportamento do governo Lula foi “inconsequente” e que desde o começo o que houve foi uma tentativa de faturar politicamente. “O Lula sempre pensou muito mais em faturar politicamente para levantar uma bandeira populista, do que nas consequências econômicas do que essa guerra com os Estados Unidos poderia gerar”, disse.
Mainha lembra ainda outro embate de um líder sul-americano contra os Estados Unidos e afirma que o presidente Lula está se inspirando nele. “Hugo Chávez chamou para o sentimento patriótico dos venezuelanos contra os Estados Unidos e o resto a gente conhece”.
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“Brasil tem que se manter independente de insanidades”, diz Merlong
Em relação às ações internas que o Governo brasileiro está tomando, o deputado Merlong reforça à coluna que há ações a curto, médio e longo prazo. “No curto prazo o governo está trabalhando para manter os empregos, utilizando medidas como a concessão de crédito, como o país realizou durante a tragédia das enchentes no Rio Grande do Sul”. Além disso, ele reforça a importância de medidas como a busca por novos mercados consumidores. “Essa é uma medida que o Brasil precisa tomar até mesmo para se manter independente de insanidades, como a demonstrada pelo candidato a ditador Donald Trump”.
Porém, Mainha alerta para o risco de inflação e redução de poder de compra, que pode atingir a população. “A curto prazo ele (Lula) pode ganhar com isso, levantando uma bandeira nacionalista, mas a médio e longo prazo, ele, e todo o país perdem, pois isso vai gerar inflação, reduz o poder de compra da população e com a economia ruim, o eleitorado dele não vai ficar com isso de ‘que a culpa é do Bolsonaro’”.
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Lula deve ou não ligar para Trump?
Outra questão que dividiu esquerda e direita nessa crise entre Estados Unidos e Brasil diz respeito às negociações entre os dois países. Merlong é categórico ao afirmar que “Lula não deve ligar para Trump”, e explica: “A conversa de chefes de Estado exige uma preparação prévia, com a diplomacia. Não é como uma conversa de mesa de botequim, onde um grita mais alto que o outro, que bate o ombro, não funciona assim”.
No entanto, Mainha pontua que “Lula já vinha fustigando essa situação”. Ele lembra que quando Trump anunciou tarifas a dezenas de países no mês de abril, quando começou uma guerra tarifária com a China, “o Brasil nem estava na lista dos países abordadas por Trump, mas aí o presidente brasileiro começou a reagir, sem nem estarmos nessa lista”, criticou ao Termômetro, associando o comportamento do presidente Lula à decisão recente de Trump em relação às tarifas impostas ao Brasil.
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Sobre a Lei Magnitsky: intimidação ou justiça?
Em relação à aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, Merlong reforça que “devemos prestar toda solidariedade ao ministro”. E classifica a ação do governo americano como “clara tentativa de intimidação”, ressaltando que “o ministro está seguindo toda a legislação prevista no caso do julgamento da tentativa de golpe”.
No entanto Mainha vê, em conversa com a coluna, essa aplicação como “um alerta para a situação do Brasil, onde a justiça está se juntando com a política”. Ele reforça que “essa lei Magnitsky é uma lei muito séria e os Estados Unidos não fazem isso por birra, ‘ah, não gosto do chefe de tal país’, não é assim, é uma questão cheia de critérios”. E afirma que a atuação do ministro está extrapolando a área judicial.
“Uma coisa é a justiça, outra é a relação diplomática entre os países. O presidente dos Estados Unidos instou o tarifaço pelo governo brasileiro, mas quem respondeu foi a justiça, que no outro dia decretou o que podemos chamar de prisão noturna para o Bolsonaro”.
No fim das contas, os fatos são vistos de forma completamente distintas pela esquerda e pela direita, claro. Na análise do deputado Merlong Solano o presidente Lula age de forma correta na crise das tarifas com os Estados Unidos. Já o ex-deputado Mainha enxerga as ações do presidente Lula como populistas e irresponsáveis, além de serem capazes de prejudicar a economia e o bolso do povo. E no meio disso tudo, resta saber quem sairá mais forte dessa crise: Lula ou Bolsonaro?
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Quem sobe
Ministro Alexandre de Moraes
Apesar de o governo do presidente Donald Trump ter aplicado a lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, por meio de decisão publicada pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Tesouro norte-americano, houve uma grande movimentação para prestar solidariedade ao ministro. O presidente Lula publicou mensagem em solidariedade ao ministro em suas redes sociais, assim como o próprio STF, que divulgou nota, além do ministro Flávio Dino e ministros do governo Lula.
E na noite de ontem o ministro foi ao estádio Itaquerão para assistir à vitória do Corinthians sobre o Palmeiras no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, onde sorriu, acenou e até mostrou o dedo do meio para alguns torcedores que o vaiaram.

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Quem desce
Tarifa de 50%
Após o anúncio inicial de que taxaria em 50% todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, o presidente Donald Trump assinou nesta quarta-feira, 30, uma ordem executiva implementando a medida, que entrará em vigor na próxima semana, adiando em 7 dias a data inicial, que seria nesta sexta-feira. Mas o que chamou a atenção foi que o decreto de Trump trouxe uma longa lista de quase 700 exceções, entre aviões da Embraer, peças aeronáuticas, suco de laranja, castanhas, vários insumos de madeira, entre outros. O fato foi comemorado por grande parte dos exportadores brasileiros.

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Tendência do dia
Após o anúncio de que o governo dos Estados Unidos decidiu aplicar a lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessen, afirmou, em comunicado, que o ministro “investigou, processou e reprimiu pessoas que exerceram liberdade de expressão protegida pela Constituição dos Estados Unidos, submetendo repetidamente as vítimas a longas detenções preventivas sem apresentação de acusações formais”.
Internamente o Governo Federal e STF estariam estudando maneiras de como reagir às sanções financeiras impostas ao ministro Alexandre de Moraes pela lei Magnitsky que, entre outras medidas bloquearia bens pessoais do ministro nos EUA e também proíbe que o magistrado realize transações financeiras com cidadãos ou empresas americanas. No entanto, de acordo com a coluna da jornalista Miriam Leitão, no Jornal O Globo, o ministro Alexandre de Moraes não possui contas, nem bens ou investimentos nos Estados Unidos.
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Fala Marcante
“Minha solidariedade pessoal ao MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES. Ele está apenas fazendo o seu trabalho, de modo honesto e dedicado, conforme a Constituição do Brasil. E as suas decisões são julgadas e confirmadas pelo COLEGIADO competente (Plenário ou 1ª Turma do STF)”
Ministro Flávio Dino, no Instagram
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Agenda reservada
Nome forte da chapa do PT, o deputado federal Flávio Nogueira participou, ao lado do governador Rafael Fonteles (PT), da inauguração de obras na cidade de Altos, como a reforma da Centro Estadual de Tempo Integral Afonso Mafrense, além da entrega de uma nova unidade do Espaço da Cidadania e de obras de pavimentação asfáltica em mais de 50 ruas da cidade.
O parlamentar seguiu a agenda do governador Rafael Fonteles em Altos e logo em seguida participou do encerramento da festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Demerval Lobão, ao lado do prefeito Júnior Carvalho. O parlamentar reforçou as agendas pelo interior do Piauí nesse período de recesso da Câmara Federal, que retorna os trabalhos na próxima semana.





