A nova onda das chupetas para aliviar a ansiedade e uma geração em fuga da “dureza” da vida adulta

EDITORIAL 

As novas gerações têm chamado a atenção por comportamentos que, à primeira vista, parecem insólitos e incomuns. Jovens que usam chupetas para aliviar a ansiedade. Grupos que organizam “chás revelação” para anunciar o diagnóstico de autista. Um caso na China chamou atenção, uma vez que desempregados chegam a pagar escritórios falsos apenas tirar fotos, onde simulam que estão trabalhando, em uma tentativa de escapar da pressão social.

Esses exemplos, que circulam com facilidade nas redes sociais, são observados como excentricidades ou parte de “trends” comuns do dia a dia na internet,  mas, na verdade, dizem muito sobre o nosso tempo. Em sociedades marcadas pela incerteza, pelo desemprego estrutural e pela ansiedade crescente, sobretudo entre os mais jovens, há a necessidade de uma válvula de escape, respostas simbólicas à angústia.

Elas revelam um mal-estar coletivo que atravessa a juventude contemporânea. Carl Jung lembra que, diante de tensões insuportáveis, o inconsciente busca símbolos de regressão a momentos de segurança psíquica. O caso da chupeta é emblemático: o objeto remete ao estágio infantil em que o bebê encontra na sucção um conforto imediato, um retorno a um tempo em que não havia responsabilidades, apenas o aconchego.

Da mesma forma, o pagamento para fingir trabalhar escancara a pressão insuportável de uma sociedade que valoriza mais a aparência de produtividade do que, de fato, buscar um objetivo sólido ou apenas buscar ser realmente bom no que se faz. 

Por outro lado, há quem enxergue coragem e alguma reinvenção nessas atitudes. Em vez de se calarem diante do sofrimento, esses jovens escolhem performar, ritualizar e compartilhar suas dores. Transformam o que antes seria vivido em silêncio em algo público, às vezes lúdico, às vezes provocador, como é no caso do “chá revelação” do diagnóstico de autista. É receber com leveza, o que antes era tido com puro estigma. 

Se antes a juventude encontrava refúgio em movimentos políticos, religiosos ou culturais, cada vez mais o que vemos agora é a elaboração de performance em bolhas nas redes sociais. 

Isso não elimina a gravidade das questões que estão na raiz desses atos: solidão, falta de perspectivas, precarização das relações sociais e pressão constante por sucesso. Ainda assim, cada geração encontra sua maneira de resistir e lidar com seus problemas. O desafio, agora, é compreender (e ajudar) uma juventude que tenta suavizar a dureza da vida adulta, e que ao mesmo tempo, não encontra o espaço necessário para amadurecer. 

Para para ver 

O registro, divulgado pelo perfil da @ufpi integra o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em fotorreportagem de Maria Catiany Oliveira.

Na imagem em preto e branco da Praça Rio Branco, a cidade se revela em movimento, num contraste entre suas raízes, o desenvolvimento e o jeito único de ser teresinense.

Foto: Maria Catiany Oliveira/ UFPI

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