(Estou em Teresina essa semana, o que significa longas horas de cafés e conversas presenciais. Às vezes, a capacidade de estudar um jogo e entender sua mecânica, mesmo que não tenha permissão para jogar, se torna um dos seus maiores ativos. Cultive-a1)
Boletim 22/08/25
Políticos e figuras relevantes de vários espectros ideológicos que conversaram com o senador Ciro Nogueira (PP) nas últimas semanas saíram cientes de que o candidato que irá disputar com Rafael Fonteles a eleição de 2026 não é o ex-prefeito Joel Rodrigues e nem a ex-deputada federal Margarete Coelho pelo Progressistas. “É um candidato misterioso, mas ele (Ciro) não diz quem é”, revela uma das fontes que ouviu a história circular nos corredores mais restritos da oposição. Quem seria?

O segredo de uma estratégia bem implementada é que ela não vaze. Quem detém mais informação, lê melhor o cenário. Algumas pessoas têm muitos dados, mas não sabem ligar os pontos ou filtrar o barulho daquilo que importa. Outros, lutam contra a realidade e menosprezam os adversários, considerando morto quem está vivíssimo. Entramos num lugar bem delicado aqui. Pegou o café (sem açúcar), leitor?
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Ismael Silva, a jogada
Odeio especulação, mas se o leitor quiser falar sobre, tudo bem, vamos falar sobre. Quem Ciro poderia, hipoteticamente, sacar da cartola (ou do bolso, se você é um fã do vereador Pedro Alcântara, do PP de Teresina) para disputar contra um governador cuja avaliação positiva chega aos 80% (chamamos isso, na política, de “sacrificio”)? “Só pode ser o Ismael (Silva, vereador de Teresina e secretário municipal de Educação de Teresina)”, avalia um político que conversa com Ciro e navega na oposição.

Aqui estou sendo especulativa, mas faz sentido. Afinal, Ismael é jovem, negro (recorte racial semelhante a maioria da população piauiense, formada por negros e pardos), vem de família humilde e ascendeu socialmente com a bandeira da educação. Em debates com Rafael Fonteles (que vem de família abastada, frequentou as melhores escolas e é um empresário bem-sucedido) é uma antítese.
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Ciro com foco em ser vice ou ministro, Joel senador ou suplente
A propósito, por que o candidato a governador não seria Joel Rodrigues, ex-candidato ao Senado que ficou perto de derrotar Wellington Dias em 2022? As apostas aqui são nacionais. Ciro trabalha forte para ser o candidato a vice-presidente da República numa eventual chapa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas em 2026, com o apoio do clã Bolsonaro.
A segunda opção é mesmo renovar o mandato de senador e ser ministro novamente (ele já foi chefe da Casa Civil do Governo Bolsonaro). Assim, Joel é o nome seguro para disputar o Senado (aí entramos numa questão complexa sobre até onde vai a transferência de votos de Ciro a Joel e, nesse caso, a família de Júlio César Lima fica mais confortável com a candidatura do patriarca ao Senado Federal) ou ficar mesmo na primeira suplência de Ciro. Não dá para “desperdiçar” Joel.

Margarete é reconhecida, por dentro e por fora da oposição, como nome preparado. Apesar da torcida e incentivo de Ciro, as barreiras para a consolidação da sua candidatura seriam, na visão de nomes ouvidos pela coluna, a percepção de uma questão de classe social elevada, que a afastaria do eleitor popular no Piauí.
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Ismael pode esquentar o nome para a sucessão de Sílvio
Para ser justa, ainda é preciso entender se as conversas que circulam quase sob sigilo na oposição são um blefe para esconder a falta de quadros competitivos ou não, é uma jogada maior que prevê: 1) Ismael Silva, mesmo que perca para Rafael, esquenta o nome para a sucessão de Sílvio Mendes em 2028 (aí o vice-prefeito Jeová Alencar pode começar a se preocupar) ou 2) o nome surpresa de Ciro Nogueira não seria Ismael, mas um segundo (não consigo pensar em ninguém agora).
Ou ainda 3) todas essas jogadas são meramente ensaios para 2030, quando o grupo cirista acha que o candidato à sucessão de Rafael Fonteles (caso reeleito) seria nada mais nada menos que Wellington Dias de novo (essa é uma informação e não uma especulação. Muitos oposicionistas apostam que Wellington volta a tentar o Governo e não o Senado em 30. Mas é assunto para outro dia). Veremos.
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Todo mundo deve
Quem entra na política sabe que: 1) os problemas são infinitos. E 2) os problemas são solúveis – se você tiver os contatos certos. Recursos são importantes, mas com contatos, eles virão naturalmente. Ou vinham? “Hoje em dia, todo mundo deve agiota!”, desabafa, resignado, um político, sobre o preço de ter um mandato na atual cotação. Mais tarifa do que Trump?
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Aluguel de emendas, negociação de atas e lutas por lideranças
No glossário político, os termos comuns são “aluguel de emendas” e negociação de “atas”… Tudo isso para ter ferramentas necessárias na luta por liderança, que é calculada da seguinte forma: “O X e a Y (deputados) pegaram um prefeitinho meu, dois vereadores de 500 votos e um suplente. Eu tomei de volta dois prefeitos deles e vou pegar mais vereadores. Eles pensam o quê?”, questiona um candidato que não terá menos de 40 mil votos (se estiver dormindo).
Esse é um jogo vencido por pessoas não convencionais, com certa fluidez, ousadia suprema e senso de urgência. Lembrando que essas não são minhas opiniões. Não escrevemos aqui sobre as opiniões pessoais da colunista, o tema desse boletim é “como o mundo funciona”. Sorry.
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Quem não tem avião é pobre
“Chegar no interior sem ser de avião, o prefeito já sabe que o candidato é pobre!”, revela um deputado que, custe o que custar (e como custa!), prefere pagar a conta do aluguel. Já outro candidato, introvertido (isso é um paradoxo na política), desabafa que “viajar é um saco” e foi orientado por uma liderança do interior a “ostentar” mais: “Tem que chegar com duas SW4 e não apenas uma pra dar aquele impacto…”, ouviu do eleitor. É mole?

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Quinto dos…
Algumas pessoas (moradores de Nárnia) acreditam que há apenas quatro fases na definição do nome que será desembargador pelo Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça do Piauí (vaga da OAB-PI). Esquecem de uma entre-fase, localizada entre o voto dos advogados e do Conselho Estadual, antes da lista sêxtupla ser enviada ao TJ: é a fase dos blefes (ameaças de movimentos não concretizados para forçar terceiros a agirem) e desistências.

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Só desisto se for bom pra mim
Claro, tem as panelinhas que só viajam juntas, tem as brigas pra saber quem vai patrocinar a festa tal e outras querelas e miudezas desse naipe. Mas falando de coisa séria, se o custo da candidatura for maior do que os benefícios de figurar numa lista de projeção do próprio nome, é melhor pegar o beco (ou a beca?). Ou, quem sabe, vislumbrar uma vaga de magistrado (a) eleitoral e outras opcionalidades disponíveis no cardápio restrito a poucos e bons também cabe no roteiro?
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Eles estão em paz
Parece que a turma dos bombeiros atuou no disse me disse entre a prefeitura de Teresina e a Câmara e a paz voltou a reinar. Quer dizer, mais ou menos. Como tem bem uns 10 candidatos à sucessão do presidente Enzo Samuel (PSD), a turma está tentando mostrar serviço nos bastidores para projetar poder de articulação. Se as emendas não rodam, pelo menos a pauta da prefeitura (que inclui aumento de imposto e coisa e tal) vai rodar? É só uma pergunta, aliás…

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Mais ou menos em paz
“Vota, vota sim, só quando a prefeitura merecer! Tem de 8 a 10 que têm peito (para brecar projetos da PMT) e seis a oito que vêm na esteira. Ele (prefeito) quer a Câmara submissa. O negócio não é quem bate mais é saber quem aguenta apanhar. Fora isso, o X (candidato a presidente da Câmara) do lado deles, pode esquecer o sonho!”, disse um parlamentar acometido por um breve surto de sincericídio. É pagar (maneira de falar) pra ver?
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Conversa com rumo ou só espuma?
A colunista recebeu e prontamente encaminhou para uma dezena de políticos que conhece bem o vice-governador Themístocles Filho (MDB), a imagem do encontro do Cabeça Branca (os políticos o chamam assim, informalmente) com o ex-prefeito e presidente estadual do Progressistas, Joel Rodrigues, no Congresso das Cidades. “Tem chance de ir pro outro lado?”, o boletim questionou. “Não, kkk”, respondeu um deles (essa é uma amostra representativa do todo). Precisa falar mais alguma coisa?

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Safra dos recados
Basicamente, cabe à oposição tentar cavar, via imagens e narrativas, a ideia de que Themístocles pode aderir a eles, insatisfeito com o fato de ter a vaga de vice-governador negada na chapa de reeleição de Rafael Fonteles. E, para o grupo do vice, deixar no ar o recado de que tem para onde ir também não faz mal. Estamos na safra dos recados. Na prática, a única dúvida sólida é quando será a conversa derradeira e particular, sem convidados externos e barulho, entre Themístocles e Rafael para selar as compensações da permanência do vice no grupo governista.
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Sejamos objetivos
Como não há história de que ninguém tenha deixado a chance concreta de ter mais um mandato de federal, a vaga de Marcos Aurélio Sampaio à reeleição é certa, sobrando, entre as alternativas compensatórias, uma cadeira de conselheira no Tribunal de Contas do Estado para a prefeita de Esperantina, Ivanária Sampaio (isso não é para agora, pois o conselheiro Kléber Eulálio ainda tem quatro anos antes de se aposentar), uma secretaria robusta que faça obras e uma segunda pasta (essa da cota do deputado que seria eleito no grupo, Felipe Sampaio).

Themístocles pode: 1) voltar a ser deputado estadual para não ficar fora do jogo em 2030 (Felipe assumiria uma secretaria, com o plus de uma segunda secretaria). Muita gente ouvida pelo boletim duvida dessa disposição de Themístocles, pis ele precisaria passar dois anos no plenário da Alepi, como um deputado “comum” antes de tentar, hipoteticamente, retornar à presidência do Poder Legislativo ou 2) ser, ele próprio, secretário estadual.
A colunista tentou mandar um zap pro vice para tirar a dúvida, mas o celular dele é um Nokia lanterninha e a mensagem nunca chegou…
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Senta que lá vem história
Napoleão Bonaparte foi um dos maiores generais da história porque absorvia o máximo da realidade, sem filtros, conhecendo os aspectos mais profundos de uma batalha: território, soldados inimigos, moral da tropa, como os oponentes tomam decisões. Quando alertaram a Napoleão, na primavera de 1800, de que ele não conseguiria transitar pelos Alpes para invadir a Itália, pois naquela época do ano a região ficava bloqueada, Napoleão se negou a esperar: “Não haverá Alpes para o Exército de Napoleão”.

Não houve. Montou numa mula e liderou pessoalmente a tropa pelo terreno perigoso. O inimigo foi pego de surpresa e derrotado. Essa é uma história real sobre uma pessoa destemida (complicada, claro, mas destemida).
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Se conselho fosse bom
Escolha deliberadamente as fraquezas que você quer deixar aparente. Elas serão trunfos, quando bem usadas. Na vida real, é preciso calibrar se você deve provocar medo ou aceitar ser totalmente subestimado. Use as nuances, mantendo mistério suficiente para ser respeitado (já que sua profundidade total não pode ser discernida), ao mesmo tempo em que deixa os outros pensarem que possuem uma ligeira vantagem contra você.
Às vezes as pessoas simplesmente não sabem quais jogos estão jogando. Nos jogos de soma zero, o ganho de um é a perda de outro. Isso vale para o pôquer e a guerra. Nos jogos de soma diferente de zero, a cooperação aumenta o benefício de todos, mas nem todos sabem diferenciar um aliado de um inimigo. A verdade é que a última coisa contra a qual eles se protegem é um jogador que já desconsideraram. Permaneça ilegível. Nunca deseje que as coisas sejam diferentes. Abrace a realidade e direcione-a a seu favor.
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Cifrada do Toc, toc, toc
No Reino Nacional, o Cavaleiro Verde e Amarelo tem uma rede de contatos peso-pesado e sabe mexer os pauzinhos para acompanhar dicas misteriosas dos investigadores reais e federais. A maior torcida dessa turma é contar com o “imponderável”, colando no reino adversário a imagem de que o grupo de pessoas está ultrapassando o prumo, pois ao invés de passar a bandeja, estariam passando a caixinha…
Cavaleiro Verde e Amarelo diz que o próximo campeonato quadrienal terá uma “surpresa desagradável” ao seu adversário (como ele sabe disso, hein?). Na teia sanguínea e de porcentagens, tem gente que acha que o pau que dá em Chico dá em Francisco e se bateu, levou também? Há de se ponderar o tamanho do teto de vidro?
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Foto do dia
Os convidados, em sua maioria, ficaram no mesmo hotel hiper exclusivo em que foi realizado o casamento de Iasmin Dias e Raul Jatobá, na última sexta-feira, 22, em João Pessoa, Paraíba. A festa teve diversos momentos distintos e convidados ilustres, dando um termômetro do grau de proximidade e relevância política do clã chefiado pelo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e a esposa, Rejane Dias, conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PI).

“Os políticos que estavam no jantar eram os mesmos do casamento que se realizou às 18h, com mandato, só o deputado Carlos Augusto e a deputada de Luzilândia (Janaína Marques). Fora, sem mandato, o ex-governador Wilson Martins e o ministro da Integração, o Waldez (Góes). O governador chegou agora já durante o casamento, já tinha iniciado e frequentou aqui a festa, ficou numa mesa ele, o Wilson (Martins), suas respectivas e o sogro Araujinho e o Kennedy Barros, presidente do TCE-PI, também estava presente aqui”, revelou um convidado importante (e observador sagaz).
O jet set da política piauiense não guardará os ternos feitos à alfaiataria por encomenda e os vestidos de gala não, pois dia 04 de setembro, em Brasília, ocorrerá a prestigiada posse do ministro do Superior Tribunal de Justiça, Carlos Augusto Brandão. A colunista terá fontes e abelhinhas presentes. Aguardem as novidades direto do front.
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A frase para pensar
“Tente ensinar geometria a um porco. Você irá falhar e irritar o porco”, Jason Fladlien, autor e figura de destaque no mundo do Marketing.
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Feito à mão
A charge do Rico de hoje…

- Uma certa predisposição para o ceticismo e o pensamento individual são predicados muito bons para ler pessoas no ramo em que eu trabalho. ↩︎





