Boletim 09/09/25
“Era a única amarra que segurava Wellington Dias no sentido político. Ele sempre tinha esse teto de vidro gigante, era o centro dos ataques da gestão dele. Agora, Wellington se torna mais solto e mais leve”, afirma um interlocutor político privilegiando avaliando a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que decidiu discretamente, em sessão colegiada na semana passada, pelo arquivamento da ação penal que envolvia a ex-deputada federal Rejane Dias, esposa de Wellington, no período em ela que exerceu o cargo de secretária estadual de Educação do Piauí.

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Ação mudou todos os planos eleitorais de Wellington e Rejane
Tanto Rejane Dias, que desde 2023 é Conselheira do Tribunal de Constas do Estado (TCE-PI), como Wellington, divulgaram notas nas redes sociais em que ficou marcado o tom de desabafo. “A nota do ministro foi mais pro lado pessoal. Ela (Rejane Dias) gosta de política e esse processo mudou os planos familiares, ficando sem nenhum herdeiro político”, completa um observador político ligado ao PT.
Mas antes de fazer uma dissecação desse assunto, é importante lembrar que a ação judicial que Rejane respondia foi um ponto de inflexão nos planos políticos do grupo familiar e, por que não dizer?, do próprio PT no Piauí.
A esposa de Wellington foi deputada estadual, federal e nutria o projeto de ser prefeita de Teresina (plano barrado pelo PT da capital em 2012, quando o próprio Wellington teve que sair candidato, no sacrifício, no lugar de Rejane). Após o processo, ela também enfrentou problemas de saúde, já superados.
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O TCE-PI e o foro
Você deve lembrar, leitor, que depois disso, Rejane Dias foi para o TCE-PI na vaga indicada pela Assembleia Legislativa do Piauí em um acordo com o ex-deputado Zé Santana, que herdou os colégios de Rejane para abrir mão da disputa no TCE-PI. Ele era o favorito.
Ir para o TCE-PI é visto no mundo político como uma espécie de “aposentadoria”, destinada comumente a deputados que coroam o final de uma bem-sucedida carreira (casos de Kléber Eulálio, Xavier Neto e Olavo Rebelo, que se aposentou antecipadamente e abriu vaga à Rejane). Alguns políticos brincam e chamam a ida ao TCE-PI de “céu”, comparado à labuta da vida política (seria esta o “inferno?”- não de Dante, acreditemos).

O TCE-PI também tem, claro, foro privilegiado. Os conselheiros são julgados no STJ, assim como governadores e desembargadores.
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Sem sucessor eleitoral… exceto Vinícius
Ou seja, naqueles anos de Operação Topique (relativa a contratos de transporte escolar) e Lava Jato, houve uma mudança de planos, deixando a família Dias sem sucessor eleitoral. Exceto, agora, pela tentativa de eleger o filho, o médico Vinícius Dias como deputado estadual pelo PT. Mas aí já é uma consequência da história e não um motivo. Quando se narra uma história, é importante organizar a cronologia: o que veio antes e o que veio depois, importa muito.

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Ação era grave e pedia prisão
Após a denúncia do Ministério Público Federal, a família Dias enfrentou uma série de ataques nas redes sociais além de viver em suspenso com os pedidos do processo judicial.
“Era uma ação relativamente grave em todos os seus termos, que relaciona e cita o governo WDias. O somatório de penas daria mais de 20 anos, daria perda da função pública, perda dos direitos políticos, pedia prisão, em outras palavras”, analisou um observador jurídico, a pedido do boletim. Conforme apurado pela colunista com fontes em Brasília, a ação envolveu, inclusive, quebra de sigilo telefônico dos acusados, que incluíam membros da família de Rejane.
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PT antigo comemorou e acha que WDias fica mais leve politicamente
Grosso modo, ninguém sabe se o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e senador Wellington Dias mudará de postura, sendo mais incisivo na defesa de um espaço na chapa majoritária de 2026 na reeleição do sucessor, Rafael Fonteles. Mas parte da resposta é que o PT antigo, especificamente, comemorou a decisão do STJ, apostando que a força de Wellington cresce com a liberdade do fim desse processo. O final de semana foi elétrico entre a velha guarda petista.

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Não vazou: placar majoritário de 9 a 2
A decisão saiu no início da semana passada, mas não vazou porque foi discretamente julgada no Conselho Superior do STJ, formada pelos 13 membros mais antigos. A votação, sigilosa, mas apurada pelo boletim, foi de 9 votos a favor do arquivamento e apenas 2 votos contrários. Ou seja, uma posição majoritária pela não localização de indícios de crime.

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O gestor não tem controle completo do que acontece
Mas o que a decisão pelo arquivamento sinalizou? “O que ficou claro no papel é que o gestor não tem completo controle da gestão. A ação sequer foi recebida (no STJ), porque não encontrou indícios suficientes. Era a única ação que ela (Rejane Dias) respondia”, pontuou um jurista com pé na política, em reserva.
A colunista buscou ouvir o advogado do caso de Rejane Dias no STJ, Wildson Oliveira (foto abaixo), que disse que ia retornar (isso já faz mais de 24h). A humilde cronista é paciente…

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Chapinha de estadual do Republicanos a todo vapor
“Venha sem compromisso”, ouviram relevantes pré-candidatos a deputado estadual a respeito de uma reunião secreta (mais ou menos) marcada para segunda-feira a noite pelo comando do Republicanos, partido que tem como líder o deputado federal Jadyel Alencar. A ideia é montar uma chapinha por lá para a Assembleia Legislativa do Piauí, tal qual a chapinha de deputado federal que Jadyel já montou, aliás. Pergunta inocente: o Palácio de Karnak está por dentro da história? Ou ficou sabendo agora?

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Nomes especulados para a chapinha
Pode valer a pena mencionar quem deve (ou melhor, estuda) ir para a chapinha de Jadyel Alencar: Gessivaldo Isaías, Marden Menezes, Fábio Xavier, Ziza Carvalho e Breno Macêdo/Bárbara Soares (leia mais sobre o assunto na Foto do Dia), Enzo Samuel e outros.
Um político ouvido sobre o tema “chapinha de estadual” acredita que “vão pra cima dele (Jadyel) para não ter chapinha!”. O sujeito da frase é oculto… “vão” quem? E se forem, vai acontecer o que? Como sempre, a colunista não tem as respostas… (no máximo, as perguntas)

OBS: Para quem estava em Nárnia nos últimos meses, o Governo Rafael Fonteles deseja manter apenas duas chapas na base governista: PT e MDB, com perspectiva de cada um eleger média de 11 deputados (claro, é sempre de bom tom combinar com os russos antes!).
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A verdadeira festa pós-posse do STJ
“O mundo real do Judiciário anda é longe de Instagram”, disse um advogado leitor da coluna sobre a cobertura a respeito da posse do ministro piauiense Carlos Augusto Brandão, o Caíto, no Superior Tribunal de Justiça (STJ) na semana passada (leia a última coluna do boletim aqui). Aparentemente o nobre jurista até que tem razão…

Ao contrário da concorrida posse, não vazou uma foto sequer do show privado dos cantores Nattanzinho e Xand Avião no final de semana pós-posse. “A festa do 0,0002% que realmente é próximo estava em outra festa, que foi pancada demais. Os 99% da posse andaram é longe da porta!”. Faz parte…
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Ouvi dizer1
“O X parece que nasceu agora, está com 45 dias de nascimento” – Quando um experiente localiza um inocente no jogo.
“Quem acha que tem amizade com político fica no meio do caminho…” – Contexto: Você espera uma coisa e seu amigo do andar de cima larga a sua mão.
“Não vou chamar de burro porque é muito forte” – Às vezes é necessário admitir que até mesmo os aliados possuem algumas limitações, não é mesmo?
“Ninguém perde foro… ficar na mão de um juiz ou de um promotor nesse mundo tão maluco que a gente vive? Zero” – A incredulidade gerada entre os pares quando políticos dizem que não irão disputar futuras eleições, preferindo ficar sem mandato (pois é…).
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Para ler, ver e ouvir
A revista Piauí faz hoje, na humilde opinião da colunista, o melhor jornalismo literário e investigativo do Brasil. Por isso mesmo, a equipe do boletim (incluindo as colunistas Paula Sampaio e Shelda Magalhães) não poderia ter deixado de marcar presença no Festival Piauí de Jornalismo, ocorrido na Cinemateca de São Paulo no último final de semana.

O tema do evento desse ano foi “A contra-história – repórteres que bagunçam os mitos nacionais” e contou com convidados como Pakrat Estukyan, que escreve na Turquia sobre o genocídio armênio, e de Jiang Xue, que aborda violações de direitos humanos na China. É possível conferir como foi o evento no site da Piauí clicando aqui. Vale a pena.
Ah, para quem não sabe, a Revista Piauí é sediada em São Paulo, fundada por João Moreira Salles, documentarista e herdeiro da família dona do banco Itaú. O nome “Piauí” (em tupi: “peixe pequeno”) é tanto um gesto para o Nordeste como um símbolo que exalta a descentralização e um jornalismo profundo. Inspiração para nós, peixes pequenos do boletim.
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Se conselho fosse bom
Não jogue jogos que você não pode ganhar. Busque espaços onde as possibilidades se inclinam para você. O antídoto para sobreviver ao moedor de almas que é o mundo real não tem nada a ver com motivação, e sim com seleção. Algumas pessoas são verdadeiros monstros no caos e infelizes na estabilidade. Outras nunca devem trabalhar para ninguém enquanto certas pessoas não nasceram para serem fundadores de nada. Tudo parece chato se você estiver jogando o jogo errado.
A dura verdade é que o melhor caminho pode ser escolher um novo jogo… ou criar um. E não se importe com as reações iniciais: se ninguém te odeia, você não está fazendo nada importante, não está sendo você mesmo e nem falando a verdade enquanto defende algo em que acredita. Quando você faz alguma coisa que vale a pena, automaticamente você coloca um alvo nas suas costas. Pague o preço e nunca tente negociar.
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Cifrada do Retorno
O retorno do Cavaleiro dos Territórios à Távola Redonda Municipal tem dado o que falar entre aqueles interessados no próximo e concorrido Torneio Bienal que será disputado por lá. É que Cavaleiro dos Territórios é apadrinhado pelo Vice-Rei do Sul e a turma dos profissionais já sabe que ele vai e não volta mais para o Castelo de Hogwarts. “Vai deixar o filho no lugar e tentar se viabilizar presidente… já saquei o jogo dele, pensa que os outros são otários!”, relata um participante do restrito torneio, que prefere ver Cavaleiro dos Territórios a léguas de distância.
Bom, algumas dúvidas: o rei Lewis Hamilton irá antecipar o Torneio Bienal para evitar a jogada? O Vice-rei do Sul também quer antecipar (mas no rumo oposto)? A turma só tem profissionais e os amadores que cochilarem vão perder o trem?
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Foto do dia
O mundinho da política faz suas apostas e a do momento é a de que o advogado criminalista Breno Macêdo será o candidato a deputado estadual no lugar da esposa, a médica Bárbara Soares (Bárbara do Firmino), filha do ex-prefeito de Teresina, Firmino Filho.

Breno já tem participado de reuniões políticas representando a deputada, que vem a ser a primeira parlamentar na história da Assembleia Legislativa do Piauí a usufruir da licença maternidade (o que também nos diz muito sobre o corte de gênero na política piauiense).
Ao que consta, a decisão não foi tomada ainda mas, caso se efetive por esse caminho, a troca do titular da candidatura será compreensível, mantendo o mandato na família (em caso de reeleição) e sem maiores perdas de lideranças. O boletim acompanhará.
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A frase para pensar
“O tigre e o leão são mais fortes, mas o lobo não trabalha no circo”, provérbio siciliano.
- Frases reais ouvidas pela colunista nos últimos dias ↩︎



