Editorial – Débora Vitória está morta, o principal suspeito está solto: onde está a Justiça?

Quase três anos se passaram desde o dia em que a vida de Débora Vitória, de apenas quatro anos, foi interrompida por um disparo de arma de fogo, no bairro Ilhotas, em Teresina, na frente da mãe, Dayane Gomes. Nesta segunda-feira (29/09), ela encontrou o principal suspeito de apertar o gatilho da arma que matou sua filha andando nas ruas e resolvendo problemas da vida comum, no Departamento Estadual de Trânsito. A mãe sobreviveu à tragédia com uma ferida que não cicatriza: a dor de perder a filha e a angústia de ver o caso ainda sem julgamento.

O encontro inesperado, entre Dayane e o policial militar apontado como autor do disparo, José da Cruz Bernardes Filho, reacendeu o sentimento de revolta e impotência. “Foi ele que matou a minha filha”, diz a mãe abalada ao ver o suspeito, em vídeo que circula nas redes sociais e causa comoção. O processo se arrasta, a perícia já confirmou a origem do tiro, e o indiciamento ocorreu. Mas a Justiça, responsável por dar uma resposta à família e à sociedade, ainda não concluiu os trâmites processuais. O caso de Débora Vitória é didático para entender o Brasil, um país onde a morosidade e a falta de responsabilização corroem a confiança nas instituições.

Débora Vitória não terá outra chance. Sua infância foi roubada em um instante e para sempre. “A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta”, a frase é de autoria do jurista Rui Barbosa, ao mencionar a demora na prestação jurisdicional, salientando que um direito que chega tarde para a parte lesada não cumpre a sua função de justiça, mas se torna uma injustiça ainda maior. 

Cabe ao Poder Judiciário garantir que essa história não seja apenas mais um número em estatísticas de violência. As instituições devem uma resposta à mãe que chora, à criança que não volta, e a todos nós que acreditamos que vidas inocentes perdidas precisam, no mínimo, de reparação.

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