A eleição do professor Paulo Henrique Pinheiro para a reitoria da Universidade Estadual do Piauí (UESPI), com 67,71% dos votos válidos na última quarta-feira (12/11) levou para o centro do debate público a necessidade de pensar o papel da instituição no desenvolvimento intelectual e econômico do Estado. Embora a UESPI reúna mais de 10 mil estudantes, dois campi na capital e 11 no interior, seu potencial acadêmico ainda não se converteu em reconhecimento nacional, como ocorre com outras universidades estaduais de referência no país, a exemplo da Universidade de São Paulo (USP). Afinal, o que falta para que a UESPI alcance o patamar de excelência que os piauienses merecem?
Os relatos de estudantes e docentes ajudam a elucidar parte desse cenário. Queixas recorrentes sobre problemas estruturais, salas com ar-condicionado quebrado, espaços transformados em depósitos, alagamentos e até princípios de incêndio, revelam um cotidiano que desafia a atividade acadêmica. Professores apontam que a qualidade do ensino e da pesquisa se vê comprometida por anos de manutenção insuficiente, fragilidade orçamentária e incertezas administrativas. Tais percepções, vindas de quem vive a universidade, revelam um quadro que merece atenção do Estado e da sociedade.
Há, também, sinais de tentativa de reorganização. O recente concurso para professores e servidores, bem como a discussão sobre atualização da oferta de cursos, indica uma movimentação institucional necessária, embora ainda insuficiente para reverter as defasagens acumuladas. Debates recentes envolvendo carga horária docente, mobilizações de categorias e reposicionamentos internos apontam para a necessidade de um diálogo mais próximo entre governo, gestão universitária e comunidade acadêmica, diálogo que é condição indispensável para qualquer projeto de futuro.
Universidades públicas só se tornam centros de excelência quando há investimento consistente, previsível e de longo prazo. A experiência de instituições estaduais consolidadas, como a USP, demonstra que autonomia administrativa, infraestrutura adequada e financiamento contínuo são as bases para o avanço científico. Não falta talento, nem vocação intelectual, não é isso o que limita o Piauí, mas a ausência de condições estruturais, esse solo fértil para a produção do conhecimento científico.
O momento exige uma reflexão madura sobre o valor da educação superior para o Estado. A UESPI é um patrimônio intelectual que produz conhecimento feito no Piauí, por piauienses, e é um braço de contribuição para avanços sociais, através do fortalecimento da economia, da formação cidadã e da nossa autonomia científica. A eleição do novo reitor abre uma janela de oportunidade, mas os problemas seguem os de sempre. É na capacidade de responder às crises com inteligência prática que se reconhece um gestor habilidoso. Mas é somente com um pacto institucional que envolva financiamento estável, modernização da infraestrutura, valorização docente e fortalecimento da pesquisa como eixo estratégico, que se perseguirá a rota da excelência, que o Piauí tanto precisa e merece.


