EDITORIAL | De point de lazer a local obsoleto, Potycabana precisa ser modernizada

O anúncio do projeto de Parceria Público-Privada (PPP) para a concessão do Parque Estadual Potycabana coloca no centro das discussões o futuro de um dos espaços históricos de Teresina. Nas décadas finais do século passado, a Potycabana era sinônimo de lazer: suas piscinas eram ponto de encontro, diversão e memória afetiva de gerações. Com o tempo, o parque fechou, reabriu, modernizou-se, tornou-se palco de atividades físicas, encontros culturais e convívio diário de quem busca, em meio ao concreto quente, algum respiro urbano. Mas a realidade é incontornável: o equipamento envelheceu sem investimentos compatíveis, tornou-se obsoleto e hoje não atende mais às necessidades de uma cidade que cresceu, mudou e passou a demandar muito mais.

E essa demanda é profunda. Teresina é uma capital historicamente carente de infraestrutura de lazer, espaços esportivos e áreas culturais acessíveis. Em pleno boom do esporte, das bicicletas às corridas, das práticas de skate às manifestações artísticas ao ar livre, falta à população um espaço público moderno, seguro e inclusivo. A Potycabana é, talvez, um dos últimos grandes espaços capaz de cumprir esse papel social numa cidade desigual, quente e com poucas alternativas para quem depende exclusivamente de equipamentos públicos gratuitos.

Diante do custo elevado de revitalização e manutenção, cerca de R$ 170 milhões ao longo de 35 anos, a PPP surge como alternativa para modernizar o parque. O Estado admite suas limitações orçamentárias e oferece à iniciativa privada a oportunidade de requalificar um espaço que, sozinho, dificilmente conseguiria recuperar. Mas o ponto de preocupação aparece justamente aí: como garantir que um investimento privado dessa magnitude não transforme a Potycabana em um equipamento com barreiras indiretas que afastem as camadas sociais economicamente desfavorecidas?

O desafio, portanto, está na vigilância pública sobre o modelo de concessão. Manter o acesso horizontal, preservar o caráter popular do espaço, assegurar áreas esportivas e culturais abertas e garantir que nenhuma taxa com alto custo elimine o direito ao lazer, são requisitos que precisam ser resguardados. A Potycabana pode e deve se modernizar; assim como deve manter-se um lugar de encontro democrático, de pertencimento coletivo e de memória afetiva de milhares de teresinenses.

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