Flamengo do RJ tem o coração dos piauienses… enquanto os times do estado pedem por torcida

O piauiense é fã de futebol. Isso é um fato cultural, sociológico e emocional. Mas esse amor quase nunca se traduz em apoio ao futebol local. Por que será?

Tetracampeão da Libertadores da América no último sábado (29/11), o Flamengo carioca se tornou uma potência econômica. Monta elencos com atletas de várias partes do mundo, contrata nomes de prestígio internacional, mantém alto nível competitivo em todas as frentes. Isso atrai, encanta e fideliza.

O futebol, assim como qualquer setor de sucesso no Brasil, é business. Uma soma de investimentos, gestão, estrutura e dinheiro.

O Piauí é majoritariamente flamenguista, assim como o Brasil. Os porquês estão na história: a antiga difusão de transmissões de jogos pelo rádio, a força simbólica do Rio de Janeiro, a hegemonia das transmissões nacionais e a migração criaram uma identidade rubro-negra profunda no Nordeste inteiro.

Hoje, com o Flamengo vivendo mais um ciclo de grandes vitórias, a onda rubro-negra cresce ainda mais. O torcedor sabe escalar o Flamengo inteiro, mas não consegue citar o artilheiro do estadual piauiense. Vibra com o Maracanã lotado, mas desconhece jogadores que atuam no Estádio Lindolfo Monteiro.

Não se trata de culpar o torcedor. Não é ele que abandonou o futebol piauiense. O que acontece com o Atlético – PI (CAP) no Futsal, campeão brasileiro no último domingo (30/11), conquistando um título inédito, prova isso. Quando há investimento, gestão e estrutura, o resultado vem. Os atletas respondem, a torcida aparece. Há um novo vento no esporte piauiense. A questão é saber se irá se fortalecer e perdurar. Nessa nova etapa, o Estado tem seu papel, a iniciativa privada, idem, e o torcedor, também.

No jogo de ida da final, que aconteceu dia 25 de novembro no Ginásio Verdão em Teresina, cinco mil torcedores lotaram as arquibancadas para acompanhar, nada menos do que o maior público da década para a modalidade no Piauí.

Havendo continuidade e profissionalização, quando os clubes locais tiverem condições reais de competir, a torcida não terá dificuldade em se reconhecer e torcer dentro de casa.

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