Não reconhecemos mais o nosso Centro: o que houve com a Praça da Cepisa, de Burle Marx?


Caminhar por Teresina hoje é se deparar com contrastes. Obras e reformas inauguradas há pouco tempo, mas, que frequentemente estão degradadas. O Boletim Brio recebeu imagens que representam esse cenário no Centro de Teresina. A que mais salta os olhos é da praça Da Costa e Silva, popularmente conhecida como Praça da Cepisa, projetada por Bule Marx, o mesmo paisagista responsável pelo calçadão de Copa Cabana no Rio de Janeiro, e um dos patrimônios culturais da capital piauiense.

As fotos mostram água esverdeada, sacolas e plásticos em sua fonte principal, bancos quebrados, restos de papelão e algo parecido com um abrigo improvisado por pessoas em situação de rua, cenário distante dos registros de sua inauguração, na semana da Independência de 1977. À época, 21 escolas públicas e particulares desfilaram com temas do poeta Da Costa e Silva, reunindo, segundo o site Teresina Antiga, cerca de dez mil pessoas entre populares, políticos e empresários. A praça nascia como símbolo de encontro e identidade urbana. Ainda no Centro, mais adiante, as obras de revitalização, que trouxeram novas calçadas, bancos, lixeiras e vasos com plantas concluídas a pouco tempo, também já apresentam sinais de degradação.

Mas por que isso acontece? A resposta não é simples. Talvez não caiba na quantidade de linhas de um editorial e, certamente, não recaia sobre um único responsável. O esvaziamento e a consequente “desvitalização” dos centros urbanos não é uma realidade exclusiva de Teresina. Mas, falando da nossa capital, a tradicional Praça da Cepisa e as ruas do Centro podem não ter o mesmo significado para diferentes gerações. Muitas vezes, o afeto que um avô carrega por aquele espaço não chegou ao neto, que talvez sequer saiba a origem da praça ou o propósito de sua criação. A vitalidade de um espaço público depende da presença constante de pessoas e da diversidade de usos ao longo do dia. Além da presença de policiamento, são moradores, comerciantes, frequentadores que garantem a sensação de segurança e pertencimento.

Dos anos 70 para os dias de hoje, Teresina cresceu, se desenvolveu, ganhou novas avenidas e equipamentos públicos. Porém, para além do “check” de entregar uma obra, é preciso continuidade no cuidado e garantir que ela cumpra uma função social. A cidade passa por problemas orçamentários e, portanto, escassez dessas obras. Então, não seria um desafio para o agora reconstruir o elo entre espaço e cidadão? Cidades não vivem apenas de concreto novo. O respiro mesmo vem de gente que reconhece naquele chão uma extensão de si mesma.

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