A rede de supermercados Carvalho Super, uma das maiores do Piauí, decidiu adotar a jornada 5×2 para seus colaboradores, reorganizando suas escalas de trabalho sem comprometer o funcionamento das lojas. Por exemplo, um grupo está de folga na segunda e terça, outro está trabalhando. Na quarta e quinta, invertem. A loja continua aberta todos os dias, do início ao fim.
Durante muito tempo, a organização das jornadas de trabalho foi pensada quase exclusivamente a partir da lógica da produtividade imediata: mais horas, mais presença, mais entrega. Mas essa equação, cada vez mais questionada, começa a dar sinais de esgotamento. Em um cenário em que saúde mental, retenção de talentos e reputação institucional se tornaram ativos estratégicos, repensar o tempo de trabalho deixou de ser uma concessão e passou a ser uma decisão de gestão. É nesse contexto que a adoção da jornada 5×2 ganha relevância.
Tem gente que olha para esse anúncio e pensa: “Que empresa generosa, abrindo mão do lucro pelo bem dos funcionários.” O Carvalho Super fez um movimento incomum, mas inteligente. O nome da empresa circulou na mídia, nos grupos de WhatsApp, nas conversas de almoço. E circulou associado a uma ideia positiva: essa empresa se preocupa com as pessoas. Outros comentaram: “Vou comprar só nessa loja agora”.
Isso tem nome no mundo dos negócios: capital de marca. Clientes fiéis, com valores em comum com as marcas, compram mais. Funcionários satisfeitos produzem mais, faltam menos, pedem demissão menos. O custo de contratar e treinar um novo funcionário é sempre maior do que o de manter um que já conhece a operação.
Em outras palavras: tratar bem o trabalhador é, também, um bom negócio.
Esse padrão de organização do tempo permite ao trabalhador planejar sua vida com maior autonomia, fortalecendo vínculos familiares e sociais, que são reconhecidamente protetores da saúde mental.
Enquanto isso, há gestores que olham para um modelo 5×2 e enxergam apenas ameaça ao lucro imediato. É uma visão míope e, mais do que isso, é uma visão que cobra o preço mais alto de quem menos pode pagar: o trabalhador.
Descanso não é um inimigo do trabalho. É o que torna a alta produtividade possível.




