Na tarde de segunda-feira (11/05), câmeras registraram a vereadora de Teresina afastada do cargo, Tatiana Medeiros, chegando ao Instituto de Medicina Legal para uma perícia psiquiátrica. Ela chorou na recepção. Precisou do SAMU após uma crise de ansiedade durante o exame. O laudo ainda não saiu, mas o julgamento popular alastrado nas redes sociais, já tem veredicto: fingimento.
Tatiana era vereadora, advogada, secretária-geral do PSB em Teresina. Viajava, circulava, tinha projeto de vida. Foi presa em abril de 2025, condenada a quase 20 anos em primeira instância, perdeu o mandato e está proibida de exercer qualquer função pública.
A condenação de Tatiana Medeiros inclui crimes como compra de votos, lavagem de dinheiro, organização criminosa e peculato. Se confirmada em instâncias superiores, pois a defesa recorre, é grave e merece punição à altura. Nada disso, porém, transforma um possível adoecimento psíquico em mentira.
O colapso psíquico não escolhe currículo. Acomete quem ascendeu e perdeu tudo de uma vez, quem construiu identidade em torno de poder, status e reconhecimento e viu esse edifício desabar em questão de meses. A Justiça decidirá se é ou não o caso de Tatiana, cujo laudo psiquiátrico da perícia ainda não foi divulgado.
De todo modo, serve de reflexão que casos severos de depressão, síndrome de estresse pós-traumático e episódios dissociativos são respostas conhecidas a esse tipo de ruptura abrupta. Tatiana está internada em clínica psiquiátrica com quadro descrito pela defesa como gravíssimo. Já em junho de 2025, dois meses após a prisão, laudos médicos comprovaram transtorno mental suficiente para converter a prisão preventiva em domiciliar.
“Atriz premiada.” “Chora agora que antes não chorava.” “Só lembra que é frágil quando convém”, foram alguns dos comentários de internautas. O problema é que a consciência coletiva sobre saúde mental ainda opera numa lógica de merecimento. Reservamos empatia só para quem consideramos vítima.




