Uma comida tipicamente piauiense pode ser servida em Teresina, São Paulo ou do outro lado do mundo. Ainda assim, certos sabores têm a capacidade de despertar lembranças muito específicas. A bomba de Teresina, aquela carne de sol e a famosa paçoca são exemplos.
O Boletim Brio conversou com profissionais da gastronomia para saber quais pratos tipicamente piauienses eles destacam e por que essas receitas são importantes para a cultura do estado.
A Maria Isabel, o carneiro, a galinha caipira e o capote aparecem entre as escolhas. Nas respostas, os profissionais também falaram sobre infância, família, tradição e a relação que desenvolveram com a culinária piauiense.
“Me sinto ainda mais piauiense”
O chef executivo do Santa Grelha e do Ryori Teresina e professor e consultor do Senac, Alessandro Darwin, escolheu dois pratos: Maria Isabel e carneiro com leite de coco.

A preferência está relacionada às refeições que fazia com a família e às receitas preparadas pela mãe e pelos avós. Hoje, ao reproduzi-las profissionalmente, Alessandro mantém referências que fizeram parte de sua formação pessoal e gastronômica.
“É como se eles me levassem de volta às memórias da minha mãe, dos meus avós, da comida de casa e de tudo que ajudou a formar quem eu sou. Um reflexo do tempo que a família se juntava num domingo à mesa. Até emociona lembrar isso. Além de amar comer os dois, existe um sentimento muito forte quando estou preparando. São pratos que me conectam com minhas raízes, com a minha história e com a minha identidade. É como se eu me sentisse completamente pertencente ao lugar de onde vim e, principalmente, a quem eu sou. Meio doido dizer isso, mas é como se me sentisse piauiense original”, declarou.
“O carneiro e o bode são algo bem piauiense”
A jornalista gastronômica Lia Formiga escolheu o carneiro ao molho como seu prato preferido para preparar e comer. A preferência começou ainda na infância e está relacionada principalmente às experiências que teve com o pai e a avó paterna.

“Meu paladar foi moldado pelos sabores que vivi na infância, principalmente ao lado do meu pai e da minha avó paterna. Foi com ela que aprendi muito sobre a cozinha e foi também através dela que nasceu em mim essa paixão pela culinária”, pontuou.
Para Lia, o carneiro também representa uma tradição bastante presente na alimentação e na gastronomia do Piauí.
“O tempo jamais apaga”
A produtora de alimentos saudáveis Maria da Conceição Veloso, conhecida como Marie, trabalha com refeições preparadas sem adição de glúten, trigo ou lactose. Entre os pratos tradicionais do Piauí, ela destacou a galinha caipira.

A escolha também está relacionada às lembranças da infância e às refeições que fizeram parte de sua convivência familiar.
“Tem cheiro de afeto e gosto de infância. É uma receita que, além de alimentar, traz memórias, carinho e guarda histórias que o tempo jamais apaga.”
“Maria Isabel é contar a história do nosso território por meio da comida”
A consultora executiva de negócios gastronômicos e embaixadora do Bioma Caatinga, Larissa Batista, escolheu a Maria Isabel, prato que também dá nome ao festival realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) em Teresina.

Larissa considera a receita uma importante representação da identidade gastronômica do Piauí. Em seu trabalho, procura preservar as características tradicionais da preparação enquanto utiliza técnicas e apresentações diferentes.
“É uma preparação aparentemente simples, mas que permite trabalhar técnica, sabor, memória e criatividade. Gosto de respeitar sua essência regional e, ao mesmo tempo, explorar novas apresentações e combinações. Para mim, preparar uma Maria Isabel é contar a história do nosso território por meio da comida”, disse.
“É o sabor do Piauí contado através do fogo, da fumaça e da cajuína”
Moisés Evangelista, conhecido como Assador The Moza e proprietário do food truck The Moza, escolheu o capote como seu prato piauiense preferido.

(Foto: Reprodução)
A partir da receita tradicional, ele desenvolveu uma versão própria utilizando técnicas do American Barbecue. O capote é temperado e defumado lentamente e, na finalização, recebe um barbecue artesanal reduzido na cajuína.
“O capote é cuidadosamente temperado e defumado lentamente, absorvendo o aroma da lenha e ganhando cor, maciez e um sabor marcante. Para finalizar, recebe o nosso barbecue artesanal reduzido na cajuína, uma combinação que traz equilíbrio entre o defumado, o doce e a acidez, deixando o prato ainda mais piauiense. Assim nasceu o Capote Defumado do Assador The Moza: tradição piauiense, técnica americana e identidade própria em cada pedaço.”
O convite que fica
As escolhas dos profissionais mostram como a culinária piauiense está relacionada à história familiar, aos costumes locais e às experiências pessoais de quem cozinha. Maria Isabel, carneiro, galinha caipira e capote são receitas tradicionais que continuam presentes tanto nas casas quanto no trabalho de profissionais da gastronomia.
Uma dica do Boletim Brio para experimentar as sensações que a culinária piauiense oferece é o Festival da Maria Isabel, que reúne algumas dessas referências e amplia o espaço dedicado à culinária produzida no estado.

Conhecer e consumir a culinária local contribui para a valorização dos produtores, cozinheiros, receitas e tradições que fazem parte da história do estado.


