Seja por obras, horários de pico ou acidentes, existem vias específicas de Teresina que cotidianamente apresentam trânsito lento e comprometem o tempo de quem precisa realizar o percurso. O Boletim Brio entrevistou um especialista em trânsito para descobrir quais são os cinco principais eixos que costumam apresentar engarrafamentos na capital e quais são as melhores soluções para os motoristas que enfrentam esse problema.
Na última semana, repercutiu em Teresina o trânsito fortemente engarrafado no cruzamento entre a BR-343 e a Avenida José Francisco de Almeida Neto, principal via do bairro Grande Dirceu, no Sudeste da capital. Por conta da construção de um viaduto, a rotatória está suspensa e, agora, faz-se necessário dar uma volta bem maior para conseguir retornar ao bairro, o que gera um grande congestionamento.
O que diz o especialista
O observador certificado e especialista de trânsito, o teresinense, Pedro Celso, Professor e Servidor Público Estadual no Maranhão, na Função de Examinador de Trânsito, pontuou ao Boletim Brio que a situação enfrentada pela região Sudeste não é exatamente uma novidade. “O caos enfrentado pelos motoristas esta semana na região do Grande Dirceu expõe um problema crônico na infraestrutura rodoviária de Teresina”, destacou Celso.

O especialista, também fundador do projeto Trânsito Seguro, apontou os cinco pontos com maior histórico de congestionamento na capital piauiense.
As cinco áreas de maior engarrafamento em Teresina:
- Cruzamento da Av. Principal do Dirceu com a BR-343
Segundo o professor, mesmo antes das intervenções atuais para o novo viaduto, esse trecho já configurava um dos maiores nós logísticos de Teresina.
“O local recebe o fluxo massivo que vem das pontes Anselmo Dias e Presidente Médici e serve como a principal artéria comercial e de ligação residencial da Zona Sudeste”, contou Celso.

- Cruzamento da Av. Frei Serafim com a Av. Miguel Rosa
Considerada o coração de Teresina, a Avenida Frei Serafim é o principal corredor de conexão entre o Centro e a Zona Leste e, muitas vezes, apresenta trânsito lento.

“Nos horários de pico (7h, 12h e 18h), o encontro com a Avenida Miguel Rosa vira um ponto crítico de lentidão devido ao alto volume de ônibus coletivos, veículos comerciais e carros de passeio”, descreveu o professor.
- Av. João XXIII (sentido Ladeira do Uruguai/Balão do São Cristóvão)
A Avenida João XXIII é a principal via de entrada e saída da cidade para quem vem de Fortaleza, por exemplo, pela BR-343. Apesar de os viadutos construídos nos últimos anos terem aliviado um pouco a sobrecarga da via, a região ainda costuma passar por períodos de lentidão.

“O trecho como um todo ainda acumula lentidão severa nos horários de pico, exacerbada por qualquer pequeno incidente ou obras complementares nas alças de acesso”.
- Cruzamento da Av. Miguel Rosa com a Av. São Raimundo (Piçarra)
Esse trecho, segundo o especialista, é um dos conflitos mais antigos apontados pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS) na Zona Sul.

“A região da Piçarra sofre com o afunilamento de faixas e o intenso fluxo comercial local. Apesar da presença do elevado na Miguel Rosa, as vias marginais e os cruzamentos no nível do chão registram retenções diárias e filas extensas”, acrescentou Pedro Celso.
- Avenida Maranhão (Marginal do Rio Parnaíba)
A Avenida Maranhão margeia o Centro da cidade e recebe o tráfego pesado de quem se desloca entre as zonas Norte e Sul, além de absorver o fluxo interestadual vindo de Timon (MA) pelas pontes.

“O entroncamento com as ruas do Centro comercial (como Teodoro Pacheco e Coelho Rodrigues) gera constantes travamentos devido ao fluxo de pedestres, estacionamentos na via e conversões lentas”, afirmou o educador de trânsito.
O que a STRANS sugere
Em resposta ao Boletim Brio, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (STRANS), por meio de Ricardo Freitas, diretor de Trânsito e Sistema Viário do município, afirmou que, no momento, o grande movimento pode ser atribuído à queda no atendimento do transporte público em Teresina. O diretor afirmou esperar uma regularização em breve.
“Um dos grandes problemas de trânsito em Teresina que estão causando congestionamento, em primeiro lugar, podemos dizer que a queda de atendimento do transporte público, que nós estamos fazendo todo um esforço para recuperar e fazer retomar plenamente, reduziu a quantidade de ônibus e, naturalmente, houve uma transferência de pessoas para outros veículos”, evidenciou Ricardo Freitas.
Com a volta dos coletivos, Ricardo afirma que os transportes individuais, como carros e motos, devem circular um pouco menos. A STRANS afirma produzir e planejar sistematicamente infraestruturas e construções que promovam cada vez mais a melhoria dos fluxos.
“Em operação inicial, os semáforos inteligentes, que na verdade é semáforo alto, adaptativo, para que haja um controle de fluxo melhor, para priorizar sempre o sentido mais carregado. E, além disso, nós estamos também estimulando, procurando estimular as pessoas a procurarem alternativas nessas avenidas”, enfatizou o diretor de trânsito da STRANS.
Soluções para o trânsito lento
O Boletim Brio organizou algumas sugestões de como solucionar o problema, juntamente com as propostas que o especialista em trânsito Pedro Celso ressaltou para minimizar as dificuldades enfrentadas pelos motoristas de Teresina
1- Evitar alguns horários
Celso destacou que, em todos os turnos do dia, existem horários em que os engarrafamentos são mais frequentes, conhecidos como “horários de pico”. Tendo isso em vista, o especialista recomendou que se evitem, ao máximo, essas “janelas no relógio” que mais prejudicam o fluxo.
•Manhã: das 07:00 às 08:30 (entrada de escolas e comércios).
•Meio-dia: das 11:30 às 13:30 (horário de almoço e saída de turnos escolares).
• Noite: das 17:30 às 19:30 (retorno para casa)
2-Buscar vias intermediáras
O professor pontuou ainda que buscar vias vizinhas, que tenham fluxo mais rápido e menos movimento, pode garantir maior praticidade para chegar ao destino. Assim, entende-se que nem sempre a via principal é a melhor opção, muito menos a mais assertiva.
Em aplicação imediata como ação emergencial, Teresina poderia combinar:
- Faixas reversíveis ou preferenciais nos horários de pico.
- Agentes de trânsito nos principais cruzamentos.
- Semáforos ajustados em corredores como Miguel Rosa, João XXIII e Presidente Kennedy.
- Divulgação diária de rotas alternativas e pontos de interdição.
- Essas medidas devem ser baseadas em contagens de tráfego e avaliação técnica, para não apenas transferir o congestionamento de uma avenida para outra.
3- Tecnologia e Apps
Usar aplicativos de trânsito, como Waze, Apple Maps ou Google Maps, para ver o tráfego ao vivo e encontrar caminhos secundários mais rápidos pode ser uma excelente alternativa prática para planejar bem a rota antes mesmo de sair de casa.


