Boletim Sávia Barreto: 03/02/25
Prólogo
Não há nada demais em escrever sobre política. O leitor sabe que qualquer um pode digitar em um teclado. Agora, saber o que está realmente acontecendo… bom, aí é um pouquinho mais complicado. Sentiram minha falta ou apenas alívio?1 (Pergunta retórica, afinal, estou de volta de qualquer forma). Ah, o boletim de hoje está especialmente longo, portanto, não é para aqueles com capacidade de atenção limitada, vão desculpando.2
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“Sem experiência, mas com juízo”: o que esperar da gestão Severo na Alepi
Em relação ao novo presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, Severo Eulálio (MDB), um experiente ex-parlamentar fez a arguta observação a esse boletim: “Não tem experiência, mas tem juízo. Além de ter um pai (o conselheiro do TCE-PI, Kléber Eulálio), que sabe das coisas da política. Se juntar os dois pontos positivos citados, poderá fazer uma boa gestão, já que deve ser candidato a deputado federal e precisa de âncora para campanha. A conferir”. Só isso? O leitor deve estar se perguntando. Não, como sempre, tem mais. “Além do mais, é uma alternativa para vice (se o governador não tiver força para emplacar um Rafaboy, Severo poderá, pelo parentesco, ser a azeitona da empada)”. Ainda está longe, né?

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Faixa de Gaza
Alguns deputados estão chateados porque a reforma na Alepi não foi concluída a tempo para a volta dos trabalhos legislativos. Eles precisam atender em escritórios externos e ficar no vai e volta. Parte deles, aliás, está levemente desconfiada com o time jovem montado por Severo para dirigir a Alepi pós-PT. “O que esses caras entendem de política?”, questionou um deputado ao boletim (longe da colunista defender alguém, mas não tem que entender é de gestão?).
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Severo Boys
Alguns já ousam chamar a nova turma de Severo de “Severo Boys” (gente…), em alusão aos “Rafaboys”, nomes do entorno mais privilegiado do governador Rafael Fonteles. A depender do contexto, a nomenclatura não é bem um elogio, mas vai depender do trabalho para se confirmar para onde pende o adjetivo. Para completar, um grupo de servidores da Alepi estava combinando (caso não tenha segunda ordem em contrário, frise-se) fazer uma “manifestação passiva”, vestindo-se se branco na posse de Severo. Motivo? “Pedir uma administração pacífica!”. Eita!

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Terra arrasada ou o povo está implicando?
Amigos de um político que deixou recentemente o espaço privilegiado que ocupava, não poupam análises críticas ao companheiro (em off, claro): “Gestão desastrada. Para completar, se queimou também no X (partido), pois deixou de atender muito pleito dos companheiros. Por último, vazou a conversa dele com o Y (político aliado) sobre sua ida para o Z (outro partido). Ficaram decepcionados com ele. Fez tudo para jogar seu mandato fora. Vamos aguardar se ele tem alguma surpresa preparada. Ou um milagre”, analisou friamente um colega de partido em conversa reservada com a colunista.
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Vamos decidir no momento oportuno
Há quem defenda, dentro do Governo Rafael Fonteles, que a Secretaria de Assistência Social (Sasc), hoje chefiada por Regina Sousa, diminua de tamanho, criando coordenadorias específicas para áreas tão díspares como Trabalho e Direitos Humanos (esses espaços, se porventura criados, contemplariam aliados, claro). A questão não está 100% definida, pois criação de uma Unidade Gestora (UG) é sempre pauta pouco popular e precisa passar por todo o trâmite na Assembleia Legislativa. Tudo isso é meio chato, especialmente quando o contraponto é a prefeitura de Sílvio Mendes (UB), que vai na linha de enxugamento da máquina. O cálculo político é intricado e a turma que trabalha para deixar tudo como está também é grande.
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O Zé Santana está vetado por que mesmo?
Sendo assim, quem vai para o lugar de Regina, cuja saída já foi plenamente anunciada pela própria? “Tinha que ser alguém do PT raiz, um Antônio José Medeiros (ex-secretário estadual de Educação na gestão Wellington Dias) ou um Olavo Rebelo (ex-conselheiro do TCE-PI). Ou seja, um nome indicado pelo Wellington (Dias), que é o ministro da mesma área no governo Lula”, defendeu um gestor ouvido pelo boletim. Beleza, e se Wellington Dias indicar o ex-deputado Zé Santana, que está em pré-campanha intensa para deputado federal? “Aí não dá, né? Não entra no critério”. Oxe, que critério? “Ele é candidato a deputado federal e ia desequilibrar o jogo, mesmo sendo apadrinhado do Wellington. Ciumeira doida nos outros deputados federais do PT”. Ihh, gente…



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E não era a Setur?
Por que mesmo o espaço político da deputada estadual Bárbara do Firmino (eleita pelo Progressistas e a caminho do PSD) deixou de ser a indicação da cabeça da secretaria de Turismo ou Cultura (era essa a expectativa no mundinho da política até ontem) para uma superintendência numa pasta estadual a definir? Afinal, Bárbara não apenas deixou seu grupo político para apoiar o governador Rafael Fonteles (PT), acumulando os desgastes naturais desse tipo de decisão. Ela abdicou de uma pré-candidatura a prefeita somando, na época, coisa de 20% das intenções de voto em Teresina, para votar em Fábio Novo, então candidato pelo PT.

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Precisa resolver internamente
Com a resposta, um político do primeiro escalão estadual: “Há duas candidaturas para a Assembleia Legislativa na família do Firmino (Filho, ex-prefeito). É um ‘drama familiar’, que impacta hoje no espaço político da Bárbara”, analisou, em reserva. Ahh… A outra candidatura, que parece irredutível, é pela direita, com a irmã de Bárbara, Cristina Soares. Cristina adotou nas redes sociais o nome “Cristina do Firmino”, o mesmo da irmã. Mesmo com os nomes ainda bastante associados ao legado do pai, a campanha de 2026 caminha para exaurir o discurso pessoal e ser, de fato, uma disputa de estrutura.

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Apostas de Chico e Bandeira
O secretário estadual de Segurança Pública, Chico Lucas, tem o DNA em diversas frentes paralelas dentro do Governo (de regularização fundiária a tecnologia), mas deve focar esse ano em uma espécie de Pacto pela Ordem com múltiplas ações na segurança pública do estado. Já o secretário estadual de Educação, Washington Bandeira, teve a pasta como destaque no popular Jornal Nacional semana passada com uma matéria positiva sobre o uso de Inteligência Artificial nas escolas piauienses. A meta na Seduc é atingir o concorrido primeiro lugar no Ideb (calculado com base no aprendizado dos alunos em português e matemática) em 2025.
Os dois ainda são os nomes mais cotados para a cadeira de vice do governador Rafael Fonteles em 2026. O mais forte vence? Ou é o contrário?


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A lei da reciprocidade
A reciprocidade é a terceira lei de Newton: para cada força exercida pelo objeto A no objeto B, há uma força igual, porém oposta, exercida pelo objeto B no objeto A. Sendo assim, a força afirmada por um é recíproca com uma força igualmente poderosa e direcionada de maneira oposta pelo outro objeto. Atenção: não é possível que um objeto exerça uma força sem experimentar também uma força recíproca contra ele. Ah, isso não é sobre Física.
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Suplente do Ciro: todo mundo quer
Outra coisa não, mas a vaga de primeiro suplente de senador de Ciro Nogueira (Progressistas) na chapa de 2026 está concorridíssima. Dos nomes cotados (da ex-deputada e ex-esposa, Iracema Portella, a ex-vice-governadora Margarete Coelho), está com gás total o do ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues. O boletim explica abaixo.
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99% de chance de ser o Joel porque…
Motivos:
- 1) se o candidato a presidente da República eleito for de direita, são altas as chances de Ciro Nogueira assumir como ministro, deixando assim um nome da sua estrita confiança no Senado;
- 2) Joel Rodrigues tem peso político próprio, capitaneado pela expressiva votação ao Senado que teve em 2022. Pode, assim, “terceirizar” a campanha para Ciro. Ou seja, fazer agendas pelo interior e representar o senador em compromissos inevitáveis para que Nogueira esteja de corpo e alma na eleição do sucessor de Lula (quem? Bom, falemos mais disso nos próximos boletins).

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Quanto custa
Por baixo, por baixo, um candidato a deputado federal que planeja ser eleito no Piauí, admitiu à coluna que deve gastar R$ 15 milhões. Mas isso, diz ele, é porque é uma pessoa frugal e econômica: “A turma está gastando de R$ 25 a 30 milhões numa campanha dessa. Claro, boa parte é patrocinada também”. Certo, patrocinada por quem e de que forma? O interlocutor nunca mais respondeu, leitor. O boletim é paciente e segue aguardando…
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Xeque-mate no PSD
A expectativa de que um deputado petista migrasse para o PSD caso não houvesse a comentada fusão cruzada entre MDB e PSD, acelerou uma reunião entre o deputado Georgiano Neto e o governador Rafael Fonteles, no final da semana passada. Chateação grande, pois a briga pública entre emedebistas, petistas e “georgianistas” estaria “fortalecendo o Ciro (Nogueira, senador)”, segundo um petista do andar de cima. Hora de botar ordem na bagunça?
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Gambito nas chapinhas
Diálogo hipotético: “Qual é a prioridade do PSD?”. Resposta lógica: “A vaga na chapa majoritária”. Contra-ofensiva: “Então o PSD quer pai senador, quatro federais e chapa de estadual? Só isso? Quer mais nada não?”. Resposta cogitada: “Tudo bem, a gente deixa de mão a história de chapa de deputado estadual e faz a fusão com o MDB… mas também não pode ter chapinha de estadual (tchau PSB, PSD e Solidariedade)”. Tréplica: “Fechado”. E assim o PSD volta à fusão cruzada com o MDB (federais disputam no PSD, estaduais no MDB). Por enquanto, né? Em política, nunca se sabe o dia de amanhã…

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Se conselho fosse bom
Algumas pessoas são o menino Ney da inteligência emocional. Elas vão te odiar apenas porque veem você alcançando o sucesso que elas acham que merecem pelo trabalho que nunca tiveram coragem de fazer. Figuras a evitar: aqueles que encontram conforto na vitimização, os que buscam formas de receber sem nunca dar e os fanáticos que não conseguem compreender as nuances da vida real. Muito drama e tempo desperdiçado seriam evitados se os chatos parassem de falar sobre coisas que realmente não entendem. Nunca esqueça que os comentaristas profissionais são ótimos em comentar, não em fazer. Só ouça conselhos de quem realmente conhece o jogo. As opiniões dos espectadores são irrelevantes para os jogadores.
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Cifrada Infernal
Era uma vez, num reino distante, três cavaleiros que queriam restaurar a ordem e a tradição. Eram eles: o astuto Corvo; o imponente Barão, e a carismática Raposa. No início, eram unidos como as três pontas de um tridente. Mas, quando chegaram ao trono, as sementes da discórdia começaram a brotar. Em gabinetes disputados, dossiês repletos de acusações e falhas passadas eram guardados em segredo. Um deles dizia ter provas de que Corvo tinha agredido a esposa. Corvo, por sua vez, achava Barão um sonso e já articulava sua própria candidatura a sucessor do sábio rei. Um queria jogar no ventilador que o outro recebeu 200 mil estalecas de origem duvidosa, o que apontaria a hipocrisia entre discurso e prática. O poder é como o vinho mais forte; embriaga até os mais cautelosos?
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Foto do dia
Quase ninguém ficou sabendo (atenção, “quase”) que a Câmara de Teresina tem um estudo, bem fundamentado nos argumentos legais pelo procurador-geral da Câmara, Pedro Rycardo Couto, apontando a criação de duas novas vagas de vereador para a próxima eleição. Ou seja, o pleito de 2028 pode ter 31 vereadores eleitos e não 29, como é hoje. Argumento: o último Censo populacional do IBGE subestimou a quantidade de moradores de Teresina. Foi revisto para mais, e pela proporção, a população está perdendo representatividade no Legislativo. Agora, claro, não entra ninguém.
Para o leitor ter ideia, em tese, os beneficiados seriam os suplentes Alan Brandão (autor do pedido e atual superintendente da SDU Norte) e Roberval Queiroz, ambos do PRD. A votação das vagas depende do presidente, Enzo Samuel, dos próprios vereadores e do Orçamento de Sílvio Mendes, pois mais parlamentares também significa mais recursos para manter gabinetes e destinação de emendas.

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A frase para pensar
“Se você não conseguir o que quer, é um sinal de que você não queria seriamente, ou que tentou negociar o preço”, Rudyard Kipling (1865-1936), escritor britânico.
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Música da semana
É fevereiro e a colunista sabe que vocês estavam esperando a indicação da música “Tu xera”(Anderson e Vei da Pisadinha) ou então “Resenha do Arrocha”(J.Eskine), mas vamos mesmo com Patti Smith cantando “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana? Esse clássico irônico de sonoridade grunge, que critica a expectativa de uma juventude passiva e uma certa provocação contra a conformidade. “Ahhh, mas eu prefiro na voz do Kurt Cobain…”. Bom, esse boletim é de quem? Vamos ficar com a versão que a cronista prefere, sim?
Load up on guns, bring your friends (Carregue suas armas, traga seus amigos)
It’s fun to lose and to pretend (É divertido perder e fingir)
She’s over-bored and self-assured (Ela está tão entediada e autoconfiante)
Oh, no, I know a dirty word (Ah, não, eu sei um palavrão)
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- Este texto é feito manualmente, sem anúncios, sem IA e provavelmente também é anti-algoritmo. Isso só é possível por conta do apoio de leitores como você, que compartilham os links daquilo que gostam (ou desgostam, faz parte) e levam a mensagem adiante. Fique com o agradecimento sincero, como sempre, da cronista. Aliás, como sempre não, esse obrigada vem com uma força extra, aquela dos novos começos. ↩︎
- Como vocês notaram, aqui embaixo tem uma seção de comentários, que serão previamente aprovados antes da publicação. Vamos manter este um dos bons lugares da internet, por obséquio. ↩︎




7 comentários
Mayra Nolêto
Perfeito !
Vicente Filho
Muito bom. Parabéns pelo projeto!
Thiago Nunes
Estou muito feliz pela sua iniciativa no Boletim Brio. Parabéns para você Savia e para toda a equipe que abraçou esse projeto e por demonstrarem que no/do Piauí se faz jornalismo de altíssima qualidade. 👏👏👏
Pedro Arimateya
Afiada como sempre!
ORLANDO MAURÍCIO DE CARVALHO BERTI
Estava com saudades de suas colunas. Parabéns e vinda longa ao projeto. Precisamos de um Jornalismo verdadeiramente reflexivo. Dá trabalho e muitos não querem fazer, mas há uma necessidade, urgente, nesse tipo de conteúdo.
VICTOR HUGO
Como é bom voltar a ler uma coluna produzida por savia.. pra quem ama politica sentimos sua falta.. ficamos felizes com seu retorno, muito sucesso nessa sua nova etapa!
Carla Yáscar
Excelente estreia do Boletim Brio. Fica a expectativa para os próximos capítulos da cena política piauiense. Parabéns e muito sucesso!