Boletim 15/05/25

O mercado do voto no Piauí: campanha de deputado não sai por menos de R$ 10 milhões e vereador de 500 votos vale 60k 

“Voto é mercadoria frágil”, alertou um importante político ao boletim. Segundo ele, a mercadoria pode ser danificada no transporte e todo cuidado é necessário. A eleição é em 2026, mas se fosse a Bolsa de Valores, o pregão estava aberto hoje, com ações em alta e em baixa. O boletim informará ao leitor a cotação do dia. Aqui não falta volatilidade, liquidez e risco!

P.S: Antes que perguntem, o boletim ouviu que os recursos são utilizados para gastos com estrutura tais como, gasolina, marketing, material gráfico e etc.. Favor, não mate a mensageira!

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Vale mais a pena um prefeito ou um vereador?

Um coordenador de campanha ouvido pela colunista está às voltas com cálculos complexos. Vale mais a pena capturar a simpatia de prefeitos ou de vereadores para apoiar um deputado estadual que busca a reeleição? “Não vou investir em prefeito que é muito caro, vou investir em vereador que vale mais a pena. Vamos fechar o ano com 200 vereadores”, apontou o coordenador, que almeja chegar aos 40 mil votos para o seu candidato (a).

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E tem que dar o troco

Um vereador com cerca de 400 votos pode ser adquirido nesse mercado por 40 mil ações de confiança. Isso se ele já não estiver vindo de outro proprietário, é claro. O mercado de seminovos é diferente. “O X (um deputado experiente) tinha dado 40k antes, aí tivemos que dar 80k pro cara devolver os 40k dele”, apontou o coordenador. Deu pra entender, leitor? Tem que conferir sempre o troco e o retorno sobre o investimento, é claro.

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Se não conhecer nada fica difícil começar

Para os deputados que já têm estrutura e buscarão a reeleição, projetam-se nos bastidores gastos realistas de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões para a campanha (esses não são à risca os números declarados à Justiça Eleitoral, o leitor deve ter percebido…). “Vai ter um ou outro que vai destoar e gastar menos, mas a média pra um competitivo vai dar R$ 15 milhões”, admitiu um político que entende do segmento campanha.

“Não dá pra entrar aventureiro. Uma pessoa que não tem relação com ninguém é mais difícil, ela vai gastar”. Gastar em quê? “Força, estrutura, boca de urna”, respondeu. Ahh, bom…

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Liderança de 500 votos por 40k

Outro político ouvido pela colunista, aponta que os cálculos estão “muito superfaturados” para um apoio direcionado a um candidato a deputado e devem levar em conta que os valores são relativos a “ter a preferência do voto (de uma liderança, vereador, suplente, prefeito ou vice-prefeito) e fechar”. “Tenho um vereador de 500 votos no interior que pediu 40k pra me apoiar, e fora isso, em torno de 2,5k a 3k mês e mais 20k só uma vez, que é pra ele”. Certo…

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Em Teresina, pode chegar a 1 milhão

Tudo isso vale para lideranças do interior. Em Teresina, um vereador de mandato que apoia outro, também de mandato e que irá tentar uma vaga para a Assembleia Legislativa em 2026, levou uma conta de 24 parcelas de 50k. Fazendo as contas, dá mais ou menos um milhão, tudo. 

Claro, as faturas dependem da negociação: um (a) suplente com média de 3 mil votos na capital, conseguiu um aporte de 350k e uma ajuda de custo de 20k mensal. Outro suplente, com 4 mil votos em média em 2024, saiu bem mais em conta: 200k, somado ainda à conta que um ex-aliado não quitou e mais um contracheque mensal de 3,5k. 

Na Bolsa de Valores, é assim: compre quando todo mundo está vendendo e mantenha até que todo mundo esteja comprando!

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Entre a cruz e a espada 

Os líderes do andar de cima da igreja Assembleia de Deus (Mesa Diretora e superintendentes) fazem pelo menos uma reunião por mês para deliberar questões morais, sociais e (por quê não?), políticas. A pergunta que não quer calar: quem vai ser o candidato a deputado estadual/federal apoiado oficialmente pela igreja? 

A questão está um pouco obscura mas, por ora, fonte da igreja informa ao boletim que o Conselho Político está suspenso e, até o momento, sem a definição de candidatos oficiais. A decisão beneficia alguns. Para outros, é choro e reza muita!

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Não desisto nem a pau

Caso alguém esteja querendo saber se vai prosperar a ideia de que o superintendente do Sebrae no Piauí, Júlio César Filho, o Julim (volte uma coluna para entender) deixe de ser candidato a deputado estadual na chapa do MDB, segue a resposta. “Zero, zero, zero”, enfatizou um interlocutor bem próximo do irmão do deputado Georgiano Neto (MDB).

 “Rapaz, esses caras querem o quê mais? Voto pra distribuir? Não vai somar e a conta não vai fechar”, completou o emissário. Fica pra próxima então?

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Governos elegem

Podemos classificar as eleições como momentos em que “cidadãos livres e politicamente iguais exercem seu direito de escolher seus governantes” ou então “apenas uma arena na qual pessoas com preferências heterogêneas processam seus conflitos de acordo com algumas regras” (classificação do cientista político Adam Przeworski). Beleza, e como explicar o fato de que raramente governantes buscando a reeleição são derrotados? 

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Mais conhecido e com estrutura

O modelo padrão da Ciência Política explica que aquilo que acontece no dia da eleição é resultado de um longo processo de persuasão, tanto porque os incumbentes dirigem a burocracia estatal como também porque conseguem ocupar mais espaços no imaginário popular – ou seja, têm maior tempo de exposição de imagem (ninguém vota em quem não conhece ou em quem não gosta. E você só gosta de quem conhece, não é?). É por aí.

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Se iludir e se decepcionar

Os políticos em competição sempre farão tudo aquilo que puderem para incrementar sua vantagem eleitoral. Numa eleição, o trabalho do marketing é elevar as expectativas, mesmo que se saiba que na realidade pouco se pode fazer para cumprir as promessas. Nenhum candidato pode se dar ao luxo de não fazer promessas ou deixar de oferecer esperança. A política nada mais é do que uma sucessão de desapontamento e esperança. Ciclo infinito.

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Senta que lá vem história

Com jeitinho, tudo é possível ser resolvido. 

Conta-se no anedotário da política piauiense que o então deputado Jesualdo Cavalcanti, quando assumiu a presidência da Assembleia Legislativa queria impor uma moral restauradora: tinha que assinar ponto, acabar com as feiras dentro da Casa e até mesmo os cargos fantasmas… Um deputado chegou para Jesualdo pedindo uma caminhonete para transportar uns eleitores até a cidade de Barras. 

Jesualdo: “Não, dotô, assim não dá. Tu acha que eu vou dar carro da Assembleia pra tu carregar eleitor?”.

O deputado, sem se afobar: “Não é eleitor não, rapaz. É tudo chefe político…”.

E o carro foi arrumado. Sabendo explicar, né?

A historinha está no livro “Piauhylário”, presente de um leitor, e de autoria de Deusdeth Nunes, o Garrincha.

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Se conselho fosse bom

A única maneira de se diferenciar é fazendo algo que as outras pessoas discordam. Você precisa pensar por conta própria. Esta é a chave mestra. Se todos concordam com você, isso significa que você está apostando na mesma coisa que eles, portanto, terá os mesmos resultados medíocres que os normais têm. Seu crescimento ameaça as pessoas que não têm planos de mudar. O diferente é notado. O igual se camufla na multidão. Não copie ninguém: muito sofrimento vem de tentar ser como pessoas que querem coisas completamente diferentes das suas. 

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Cifrada da Lei do Mais Esperto

Os cavaleiros mais astutos vivem sob a lei da selva, em que o mais apto sobrevive. X está no partido dos Radicais, mas é um homem pragmático nível máximo. Instado a entrar numa empreitada futura sem muita chance de sucesso, ele tem empurrado com a barriga. “Cá pra nós, eu tenho meus compromissos com os cavaleiros federal e estadual, né? Vou só fazer um lero e ir empurrando. Não posso fabricar voto!”, admitiu, apontando ainda o fato de que o grupo está dividido. O líder nacional quer cavaleiros para o Tapete Azul, o líder eterno, prefere cavaleiros para o Tapete Verde e a facção local quer formar um time para o Tapete Vermelho. Quando é assim costuma dar em nada com coisa nenhuma?

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Foto do dia

Uma reunião estratégica na noite de quarta-feira (14), resultou em nova posição no campo conservador piauiense, segundo fonte presente informou ao boletim: a turma quer colocar o empresário Tiago Junqueira como opção prioritária da direita para disputar o Governo do Estado. Até então, o ex-deputado federal Mainha era tratado como o pré-candidato natural do grupo. Os bolsonaristas alegam que Mainha teve alianças passadas com nomes do PT e etc e tal. 

Ligado ao agronegócio, com base no sul do estado e com trânsito direto junto à família Bolsonaro, Tiago é defendido pelos bolsonaristas mais aguerridos. Uma comissão formada por Denise Almeida, Maria Soares, Lilibeth Carvalho e Weslley Demes procurou Tiago para apresentar a proposta e sondar sua disposição em aceitar a missão. O grupo defende que, antes de qualquer anúncio, o nome dele seja testado em pesquisas de opinião. A resposta de Tiago ainda não foi anunciada. O boletim vai acompanhar. A direita vai se dividir? A colunista nunca foi boa em contas… mas dividir soma, nesse caso?

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A frase para pensar

“Ela nunca foi um bom exemplo, mas era gente boa”, Rita Lee (1947-2023), cantora, para seu epitáfio.

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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