*Matéria atualizada
Eles estão em outdoors pela cidade, são convidados para palestrar, trabalham viajando para uma, duas, três ou mais cidades no Piauí. Alguns são remunerados com salários que chegam a R$ 40 mil, mas aqueles que arriscaram empreender e lançaram seus próprios cursos chegam a faturar mais de R$ 100 mil por mês. Sim, a Todavia está falando do mercado de trabalho de uma elite de professores em Teresina.
No estado onde, neste ano de 2025, os estudantes piauienses dominaram o primeiro lugar geral não apenas nas universidades federais do próprio Piauí, mas também do Maranhão e Ceará, com a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), alguns professores são considerados verdadeiras celebridades. São admirados por alunos e até por figuras públicas importantes, como o governador Rafael Fonteles (PT), ex-aluno do Instituto Dom Barreto, que frequentemente menciona em discursos o professor Marcílio Rangel, que dirigiu a escola por mais de 20 anos e faleceu em 2006.
Mas e hoje? Quem são os professores que fazem os olhos dos alunos brilharem? Quem são os nomes que dominam os quadros, os palcos de eventos e até as redes sociais? Para responder a essa pergunta, foram procurados ex-alunos de escolas, além de mais de uma dezena de professores para entender quem são esses educadores.
Na lista da Todavia, estão os dez professores mais citados pelas fontes e percebidos pelos estudantes ou pares como os mais requisitados nas escolas de Teresina (a lista não está organizada por ordem de citação):
Rômulo Aranthes: Dom Barreto, São José, Equação Certa e Madre Savina, Colégio das Irmãs
Carlos Alberto: Dom Barreto e São José
Antenor Fortes: Dom Barreto, São José, Madre Savina
Samuel Sousa: Dom Barreto, Equação Certa e Santa Maria Goretti
Rúbia Gomes: Dom Barreto, São José, Equação Certa, Madre Savina
Fábio Benigno: São José
Flávia Leda: CEV
“Enemy to lovers”: escolas tradicionais X cursinhos de professores
Até pouco tempo, em Teresina, os cursinhos pré-vestibulares e as escolas particulares eram vistos como inimigos naturais (aliás, é um mercado que disputa o ensino). Mas, em vez de competir, esses dois segmentos começaram a enxergar que podem ser aliados. Alguns dos cursinhos de professores, são por exemplo, vendidos em parceria com as escolas.

Quem explicou isso foi outro nome citado na lista de professores admirados entre alunos e colegas, o Rômulo Aranthes:
“As escolas perceberam que os cursos livres são grandes aliados, pois eles conseguem oferecer um serviço mais personalizado, quase um atendimento VIP, algo que a escola tradicional não conseguiria fazer em larga escala. Isso acaba sendo benéfico para todos, porque, se a escola tentasse oferecer esse serviço diretamente, poderia gerar um problema, como se estivesse cobrando o aluno duas vezes, o que não seria ideal. Por isso, muitas escolas e cursinhos estão firmando parcerias, aproveitando as vantagens que esses cursos livres oferecem”, explicou o professor que também é sócio do curso “Carderno das Letras” e se divide entre o trabalho de ser gestor e a docência.
E os professores nas redes sociais?

Mas se o mercado da educação de Teresina está em expansão, a influência dos professores também vai para fora da sala de aula. Sobre isso, a Todavia conversou com o Ramon Aranthes, irmão de Rômulo.
Ramon é professor do Dom Barreto, São José e Colégio das Irmãs e usa as redes sociais (@ramonaranthes) para mostrar um lado da vida que vai além da sala de aula. Triatleta e competidor do Iroman – modalidade de triatlo de longa duração com natação, corrida e ciclismo – ele fala com uma visão moderna sobre o papel do professor.
“Hoje em dia o aluno não observa você só como profissional, ele observa você como cidadão, até as suas conquistas pessoais e ele passa a ter em você um exemplo. Isso faz parte também de todo esse pacote para que o aluno construa um posicionamento em relação ao professor. Então, você pode ter certeza que os professores que são indicados como exemplares ou que são esses que estão entre os mais queridos, o aluno não admira só a aula do professor, ele tem uma admiração pela persona que ele representa” avaliou.
Professoras na política

Alguns docentes são queridos entre os alunos e ganham também visibilidade na mídia por pautas que abraçam e bandeiras que defendem. Podem acabar virando lideranças políticas. Entre dois nomes citados por ex-alunos, estão Fabíola Lemos e Danny Barradas.
A professora Danny Barradas, mulher transexual, concorreu ao cargo de vereadora pelo Partido Progressistas nas eleições de 2022, tendo 96 votos. Com uma biblioteca com mais de 4 mil obras, costuma compartilhar trechos e opiniões sobre livros, além de uma rotina fitness nas redes sociais (@catherinevonbarradas). Na campanha, defendeu pautas como a “telemedicna” e creches em tempo integral. Atualmente, ela leciona na escola CPI e explicou à Todavia como essa trajetória começou:
“Eu comecei a dar aula em Teresina por conta da minha melhor amiga na época: a Fabíola Lemos. Ela era professora e quando nos conhecemos, perguntou se eu gostaria de dar aulas pois, segundo ela, eu tinha uma didática boa, já que, normalmente, os alunos têm uma certa dificuldade acerca de temas abstratos. Creio que o diferencial para, na época, ter chegado a dar aula em mais de 10 escolas foi o conhecimento que adquiri após anos me debruçando sobre vários ramos do conhecimento e a forma como eu passava tal conteúdo”, declarou.

A professora Fabíola Lemos se envolveu no debate político público durante as discussões sobre o movimento “Escola sem Partido”, que propunha restringir abordagens políticas e ideológicas nas escolas. Na época, foi alvo de críticas nas redes sociais por perfis ligados à ala conservadora, que a acusavam de doutrinação. A partir disso, passou a se posicionar politicamente de forma mais ativa. Em 2024, disputou uma vaga na Câmara Municipal de Teresina pelo Partido dos Trabalhadores, obtendo 1.051 votos. Durante a campanha, defendeu a ciência e a filosofia como instrumentos de transformação social e pautas como saúde mental, campanhas antirracismo e a regulamentação dos chamados “rolêzinhos” em motocicletas. Atualmente, segue atuante no cenário político e concorre à presidência municipal do PT em Teresina.
À Todavia, ela revelou o segredo para a popularidade entre os alunos:
“O bom professor tem que olhar pros alunos e perceber que eles estão entendendo sua comunicação. Pra isso, é preciso ter vontade de se fazer compreendido. Fazer o aluno conhecer a linguagem dos conceitos. Sem o domínio dela, você ficará falando sozinho. Levar o lúdico, as imagens, os sons. A aula deve ser um momento de provocação e inquietação”, contou.
Disputa acirrada

Os professores das escolas particulares de Teresina, entrevistados pela Todavia, vivem uma rotina intensa, e se dividem entre múltiplas instituições. Uma parcela deles são de empreendedores, donos de seus próprios cursinhos, transformando experiência em negócio e personalizando o ensino para atender a um público cada vez mais exigente. Com a expansão da educação privada na capital e a chegada de novas redes como a “Bright Bee School” e a “Great International School”, escolas bilíngues e internacionais, e que rivalizam com os colégios tradicionais teresinenses, a disputa por professores de ponta só tende acirrar ainda mais.
Atualização da matéria: Em respeito a integridade e a posição de todas as pessoas mencionadas em nossas publicações, a matéria foi atualizada no dia 07 de fevereiro, às 19h50, onde o professor Hélcio Aguiar teve seu nome e imagens retirados da matéria a seu pedido. O professor manifestou sua discordância em relação à abordagem da reportagem, especialmente no que se refere às questões financeiras mencionadas.




1 comentário
Josimar Marques Do Nascimento
Excelente reportagem – além de demonstrar o trabalho árduo e reconhecimento de professores exemplares na área educacional, mostrou a característica que faz a diferença para os alunos na visão deles.