Boletim 07/02/25

Confusão, dedo na cara e desconfiança: o novo clima entre os vereadores de Teresina

Sugestões de locais mais tranquilos do que a Câmara de Teresina para o leitor dar uma volta: Ucrânia, mais ou menos ali na região de Donetsk; faixa de Gaza, no Oriente Médio ou no gabinete do secretário de Estado do Donald Trump. Agora, se o leitor quer confusão, disputa por espaços, dedo na cara e gritaria… a avenida Marechal Castelo Branco é o local certo. Apertem os cintos, o ano Legislativo começou em Teresina!

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Era uma vez um doido que se encontrou com um doido e meio

Um vereador das antigas estava sentado ao lado de colegas quando chegou um novato com fama de polêmico. Papo vai, papo vem, o mais novo se virou para o mais velho e pontuou, sem mais nem menos: “Me disseram que você é zangado…”. O parlamentar experiente considerou aquilo uma leve afronta. “Eu respirei, porque a conversa tava boa e tomei um susto. Aí eu falei: ‘Meu irmão, deixa eu lhe dizer dois ditados: primeiro, que quem tem, tem medo. E o segundo é que o pau que dá em Chico, dá em Francisco. Se você ou qualquer um vier para cima de mim e me der um murro, eu dou dois”. Absolutamente do nada.

O alvo da fala inflamada retrucou: “Que é isso?”. E o povo mudou de assunto. “Remédio para doido, é doido e meio. E eu sou doido duas vezes”, resumiu o parlamentar.

[A política é uma bebida única, que mistura acaso e circunstância. Mais complexa é quanto mais reúne espíritos e personalidades diferentes entre si. Entre essas nuances, interagem diversas variáveis, de maneira não linear.]

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Quero uma escolta

Já um vereador gente boa, mas com fama de não levar desaforo para casa, confrontou um colega novato, vamos chamá-lo de Y. “Se tu falar mais uma vez do X e da família dele, eu te quebro na porrada!”. O novato se defendeu e disse que não falou nada demais. Em vão. O aviso foi mantido. Y chegou a relatar a interlocutores que estudou pedir proteção policial. A história não andou – pelo menos por enquanto.

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Watergate é fichinha

Questionado se está mesmo tudo um pouco mais inflamado do que o normal, um vereador admitiu ao boletim, em off, que sente “o clima um pouco tenso mesmo”. Motivo? “Tem uns caras circulando na Câmara, que ninguém sabem quem é… A gente não conversa mais em segurança”, assinala.

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Bloco dos Profissionais funciona assim

Expandindo um pouco mais nossa perspectiva, a Câmara de Teresina está dividida em dois blocos: o mais ligado ao presidente Enzo Samuel (formado por blocos de siglas coincidentemente da base do governador Rafael Fonteles como PT, PDT, PSD, SDD, PSB) e o bloco mais próximo a Sílvio Mendes e à oposição (Progressistas, União Brasil, Republicanos, etc). “Resumindo: existe uma divisão hoje e os blocos representam o momento que estão passando os vereadores. O bloco dos meninos do Enzo conseguiu fazer mais presidente e titular de comissões importantes, estão mais fortes. A turma da base do Sílvio não se entende e ficou sem comissão relevante”. 

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Bloco da Desunião

E por que mesmo o povo que apoiou e foi eleito do lado de Sílvio não conseguiu espaço nas comissões? Complô? É que na política, as cadeias de evento quase nunca seguem uma linha reta de força. “Tudo brigando, o povo que mais briga. Disputam o mesmo eleitorado. Ficaram fora de todas as comissões importantes. Perderam a cadeira na CCJ, o Z, que é gente boa, deu o balão neles e nós demos o balão de volta pra não ir o Y”, explicou um articulador com anos de Câmara nas costas. Veredito do júri: “Pegaram a suplência, mas não vamos deixar participarem nunca”. Ihhh…

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Almoço tranquilo

Na residência de um parlamentar, um almoço recente começou 13h e foi até 1h da manhã. “Foi só alegria”, desconversou um vereador presente, questionado pelo boletim. Será? Claro que no meio de tantos comes e bebes, alguns ânimos se exaltaram um pouco, é natural…

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Fique frio

Nesse almoço, um vereador bem votado e que chegou agora, mandou um recado duro via representante do Palácio da Cidade, que também estava na hora. “O Fulano chutou o balde, estava chateado que a turma investiu muito na campanha e quer espaço. Aí deu uma lapadinha. O Sicrano (secretário municipal) só pediu para ter calma”. Já outro ex-parlamentar presente questionou um colega poderoso, sentindo-se injustiçado por acordos do passado. A turma do deixa disso atuou e poeira baixou. Calma? Tem, mas acabou.

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Os apressados que se acalmem

Quem estiver com pressa vai se frustrar. O ex-prefeito Firmino Filho atuava no estilo morde e assopra com a Câmara de Teresina: “Até liberava (espaço na gestão para quem não se elegeu na base dele), mas era do meio do ano pra frente”, relembra um político que passou pelas gestões Firmino, Dr.Pessoa e agora Sílvio. “O principal sentimento dos vereadores novatos é que não têm espaço para contemplar a mínima base deles. Vai perdurar a insatisfação silenciosa. Não vejo ninguém recebendo nada até depois do carnaval”, analisou, em reserva, um vereador que entende do assunto “adesão”.

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Quem fala demais, leva invertida pública pra aprender

Não há, nesse primeiro momento, projetos polêmicos para a prefeitura negociar. Tudo foi tratado e aprovado ainda na gestão Dr.Pessoa, entre novembro e dezembro – o que se prova hoje uma decisão acertada do Palácio da Cidade, que usou a perspectiva de poder e o capital político cheio, pós-eleição.

Sílvio Mendes já começou marcando posição quando desmentiu os vereadores Dudu e Deolindo, que deram entrevista falando de indicação de diretor de Unidade Básica de Saúde na capital: “Tem até padre que mente”, direcionou o prefeito. Tecla SAP: acordos políticos não são para serem espalhados por aí. Os tempos mudaram. Quem falar demais, vai levar investida em público? Discrição é o segredo do sucesso?

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Fala Senhor Engraçadinho

Um leitor bastante conhecido da coluna, que vamos chamar de Senhor Engraçadinho,  se deparou dia desses com uma daquelas correntes de Whatsapp que fazia o profundo questionamento: “Se você pudesse fazer uma ligação para você mesmo quando criança, o que você diria?”. O Senhor Engraçadinho, que estudou no Instituto Dom Barreto, mais ou menos na mesma época em que o governador Rafael Fonteles (PT), disse o seguinte: “Ah, se eu pudesse fazer essa ligação era só: ‘Animal, reprova só mais um ano e estuda com o Rafael’”. Pode rir, leitor!

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Se conselho fosse bom

É preciso sim procurar alguma dificuldade e desconforto na vida para crescer. Mas isso não é o mesmo que ser viciado em se torturar. Quanto mais você força coisas, mais elas tendem a resistir. Você pode ter preferências na vida, mas seu humor não deve depender de nenhuma delas. Se algo que você almeja está ao seu alcance, aja e ouse. Se não estiver, simplesmente deixe para lá. As coisas mais importantes são naturais. Lembre-se, só há três coisas que você realmente possui:

sua alma, seu sangue e seu cérebro. Eles não estão a venda. 

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Cifrada da Proposta Irrecusável

Um jovem empresário de um polêmico e midiático ramo de negócios, fez uma proposta estilo Poderoso Chefão, ou seja, “irrecusável”: queria ser suplente de senador de um pré-candidato competitivo e, em contrapartida, tornaria a campanha do homem completamente sem custos. Mas, nem todos são persuasivos como Don Vito Corleone, não é mesmo? O pré-candidato, que nunca precisou de ninguém bancando ele, desconversou, recusando com educação. É aí que você entende a diferença entre amadores e profissionais: poder sempre será superior a dinheiro, tontos!

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Foto do dia

Screenshoot

A transição entre os deputados Severo Eulálio (MDB) e Franzé Silva (PT) pareceu tão pacífica. Pena que só durou quatro dias. Com a decisão do Tribunal de Contas do Estado de suspender pagamentos para servidores nomeados por Franzé Silva no dia 31 de janeiro, apoiadores de Franzé criticam, reservadamente, Severo pela manobra. Até uma turma do PT que estava chateada com Franzé já acha que estão exagerando contra o ex-presidente da Alepi.

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A frase para pensar

“Minhas palavras atrairão uma mente forte ou ofenderão uma fraca”, Anne Sexton (1928-1974), considerada uma das maiores poetas norte-americanas do século XX.

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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