Boletim 21/02/24

Sílvio, Jeová e o ritmo da “Bancada Camaleão” de vereadores 

O vereador de Teresina, Juca Alves (PRD), fez escola depois de aparecer tocando um berimbau numa roda de capoeira (sim…) no Palácio da Cidade, junto com o prefeito Sílvio Mendes (União Brasil) e o vice-prefeito Jeová Alencar (Republicanos) na última sexta-feira, 21. Em seguida, o secretário de Articulação Institucional, Victor Linhares, também chegou um pouco atrasado para tocar um berimbau na Prefeitura de Teresina (vide imagens abaixo). 

Um colega de Câmara, no entanto, lamentou ter perdido a oportunidade pois quando chegou na PMT a roda de capoeira tinha acabado: “Se eu tivesse lá, tinha me jogado no chão e dado uns saltos”, comentou (a colunista ouviu, não foi ninguém quem contou não), com o objetivo de impressionar o prefeito, segundo ele. Nessa turma só entram profissionais. Atenção, amadores estão vetados, leitor!

(P.S.: Ah, pauta era realmente inclusiva e relevante. Foram recebidos na Prefeitura o mestre Borracha e crianças com Transtorno do Espectro Autista).

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O lugar de resolver BO

Falando nisso, o Palácio da Cidade está um quase anexo da Câmara de Teresina. É difícil não topar por lá com um vereador, às vezes, até dez de uma vez. Um político com quem a coluna conversava por telefone enquanto ele esperava ser atendido, brincou: “Na antessala do Jeová (secretário municipal de Governo) só agora tem uns 15 vereadores. Dá para eleger um presidente de Câmara…”. A colunista fez uma pergunta ingênua: “Mas aí depende: o voto é aberto ou secreto?”.

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Aniversário Marquim Costa e o assunto Charles

Foi prestigiado o aniversário do vereador Marquim Costa, que completou quarenta e alguma coisa (ele não quis revelar à colunista o número concreto) com muitos advogados, empresários e políticos. Claro, na roda o assunto só podia ser: Charles da Silveira volta ou não volta para a Fundação Municipal de Saúde (FMS)? 

Bancada dividida: “Quero cegar se o Charles volta”, disse um político. Outro retrucou: “Pois tu vai ficar cego…”. E agora, leitor? Charles informou a vereadores que o procuraram que estava no litoral. Quando voltar, saberemos quem vai enxergar (ou não).

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Quem volta para a Câmara de Teresina? Teresinha Medeiros

A pré-campanha do deputado estadual Georgiano Neto (MDB) é tão intensa que mexe até com a Câmara de Teresina. É que um suplente voltará ao Legislativo nas próximas semanas para cumprir o apoio cedido a Georgiano e o grupo do PSD. A mais cotada para retornar é Teresinha Medeiros. Agora tem que combinar com o vereador Zé Neto, dono da cadeira. Afinal, ele assumirá ou não, sob indicação do PSD, a direção do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs)?

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Gustavo Medeiros na linha de frente da oposição

Se o primeiro suplente do senador Ciro Nogueira (Progressistas) caminha a passos largos para ser o ex-prefeito Joel Rodrigues na chapa pura, o segundo suplente poderia ser quem mesmo? Alguns oposicionistas acreditam que, no xadrez das regiões, era importante contemplar a cidade de União e adjacências, portanto, o prefeito reeleito Gustavo Medeiros (União Brasil) poderia ser esse nome.

Mas, é claro, tem gente que discorda e prefere que Gustavo dispute mesmo é… a cadeira de governador contra Rafael Fonteles (PT). Aí é pedir demais?

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Estocada gratuita

Depois de publicar uma lista de possibilidades cogitadas para votos em federais (leia aqui), uma leitora da coluna enviou esse singelo comentário: “Se o X (citado com votos para federal) ainda tiver votos que o eleja vereador, eu cogito mudar meu nome!”. Eita!

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O assunto é: agência de publicidade

O pessoal que realmente entende de Comunicação (não é o caso da colunista…) quer saber quando vai acontecer a licitação das agências de publicidade da Prefeitura de Teresina, afinal, considerando os últimos acontecimentos, a área é crucial.

Outra coisa, no âmbito estadual, procede que players de fora do Piauí querem entrar no circuito também de publicidade mirando 2026 e adiante no Governo Rafael Fonteles? Quem souber as respostas, favor enviar ao boletim o quanto antes.

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A mira de Rafael é pra cima

Um político da base aliada diz não ter (na cabeça dele) a menor dúvida de que o governador Rafael Fonteles é o grande favorito para se reeleger em 2026. A preocupação dele não é com o adversário, o X da questão é outro: “Ele (Rafael) tem que se eleger com a maior porcentagem de votos proporcional do país. Isso vai cacifar o Rafael pra ser uma liderança nacional do PT”. Liderança nacional para quê? Ora, leitor. Pense, pense…

Independente da aposta do nobre parlamentar, Rafael deu uma entrevista recente à jornalista Andreza Matais do Uol (leia aqui) em que defende o presidente Lula (claro) e o ministro Fernando Haddad (esse, uma não-unanimidade no PT). Paralelo a isso, Fonteles tem filiado boa parte do seu secretariado na sigla (o último foi Rodrigo Cavalcante, diretor do Interpi), ocupando os espaços no Piauí. No xadrez (a colunista, coitada, só perde nesse jogo) dizem que é essencial ocupar o máximo de espaço no tabuleiro.

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Quinto pela quinta vez

Deve ter, no máximo e arredondando para cima, umas cem pessoas interessadas nesse assunto. Mas, garanto ao leitor, são “aquelas cem”…

Se fosse uma novela, seria mexicana, pelos intermináveis capítulos e dramas adjacentes. O julgamento da vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça do Piauí no Supremo Tribunal Federal era para terminar na sexta-feira, 21. Era. O ministro Luís Roberto Barroso pediu vistas. Placar, 4 a 1 para que a vaga seja da OAB-PI e não do Ministério Público. A aguardar.

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A resposta de Fernando Lima

O vereador de Teresina, Fernando Lima, enviou nota de esclarecimento à coluna, segundo ele, para “evitar interpretações distorcidas” a respeito da informação (volte um dia) de que colegas dele de sigla estão questionando o apoio do parlamentar à pré-candidatura de deputado estadual do também vereador Eduardo Dragalana. Fernando Lima é do PDT e Dragalana é do PSD.

Vamos colocar a nota na íntegra para o leitor (e os colegas de partido do vereador, claro), conferirem os argumentos de Fernando Lima. Ele tem pontos interessantes aqui:

O debate sobre fidelidade partidária não pode ser seletivo. Se há questionamentos sobre meu apoio a um colega de parlamento, onde estão os mesmos questionamentos para os demais vereadores e suplentes do PDT que também declararam apoio a candidatos de outros partidos?

Se a preocupação fosse realmente com fidelidade partidária, esse debate deveria envolver todos esses nomes, e não apenas o meu. Mas parece que a indignação é seletiva. Além disso, o PDT, no cenário atual, sequer tem uma chapa consolidada para deputado. E, mesmo que tivesse, a coerência política deveria ser um critério para todos, e não uma regra aplicada conforme a conveniência de alguns.

Meu compromisso segue sendo com o povo de Teresina, que me elegeu para trabalhar por melhorias concretas na cidade. Não faço política de bastidores, não entro em disputas vazias e muito menos aceito ataques que tentam distorcer minha postura. Seguirei pautando meu mandato na transparência e no respeito à população, porque é isso que realmente importa. Fernando Lima. Vereador de Teresina – PDT”.

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Para ler, ver e ouvir

Confissão aleatória (que ninguém, absolutamente ninguém, pediu, por sinal): a colunista tem hiperofoco em produtividade. Como gerenciar o tempo? É melhor fazer mapa mental (no aplicativo Mind Meister ou no X-Mind) ou é preferível organizar tudo em listas? Coloca todos os compromissos no Google Agenda, Notion ou Todoist? Enfim, qualquer livro de produtividade e gerenciamento de tempo que você pode imaginar, eu já li ou está na lista para ler. Os melhores? Vou pinçar dois aqui: “Trabalho focado”, do Carl Newport (e qualquer outro livro dele) e “Quatro mil semanas”, do Oliver Burkeman. Vivemos numa era de escolhas implacáveis e impossíveis, onde força de vontade é um recurso finito. Ou mergulhamos no que importa, ou morreremos afogados em distrações. Faça sua escolha.

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Se conselho fosse bom

De todos os tipos de pessoas complicadas que você deve evitar, priorize ficar longe de indivíduos com baixa autoestima. Se você os trata bem, eles te desrespeitam. Se você os desrespeita, eles o tratam bem. Inconscientemente, essas pessoas se enxergam assim: “Eu não valho nada, e a maneira como eu mereço ser tratado é desrespeitosa. Quem me trata bem, ou está fingindo ou há algo errado com eles”. São seres humanos que vivem no caos, pois desejam eterna excitação emocional e atenção a qualquer preço. Criam dramas, dizem uma coisa e fazem outra, além de se ofenderem por coisas minúsculas. Fique longe desse desequilíbrio ambulante.

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Cifrada do Te Encontro Lá

Ainda hoje rodam histórias sobre um antigo rei que tinha, inegavelmente, uma personalidade autêntica. Voltemos ao túnel do tempo. Dia 01, o novo rei assume, todos os cavaleiros se arrumando para a posse. O ex-rei liga para um cavaleiro que nunca abandonou o barco e o proclama: “Vamos despachar comigo no castelo agora, se dirija para lá”. O cavaleiro, boquiaberto, tentou questionar: “Mas, como assim? Agora é a turma do novo rei que está lá…”. “Vá para lá e não diga mais nada. Temos que assinar uns documentos!”. O cavaleiro: “…”. Claro, o cavaleiro não foi para o palácio e até hoje se pergunta se o ex-rei pelo menos tentou e que tantos documentos urgentes eram esses… Quem souber, morre!

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Foto do dia

Não adianta ele negar… esse aí de costas é o secretário estadual de Segurança, Chico Lucas, comendo um tradicional cachorro-quente do Braga, no ponto que fica ali entre a avenida Frei Serafim e o prédio do Ministério Público Estadual. Quando estudante, a colunista já provou inúmeras vezes o cachorro-quente do Braga (ahhh, a inflação! Na época custava R$ 1 e hoje é R$ 5!) e entende a situação do secretário. O cachorro-quente do Braga vem com carne moída, salsicha e milho verde. Dá para acrescentar uma vaga na chapa majoritária de 2026, ou aí já é outro departamento? (Flagra enviado por um leitor fiel da coluna).

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A frase para pensar

“Nenhum fato jamais é corretamente retratado na imprensa”, George Orwell (1903-1950), escritor inglês

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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