Boletim 26/03/26
Prólogo

Um cara muito legal chamado Thomas Hobbes, disse um dia desses (mais precisamente em 1651, ano de lançamento de sua obra-prima da Ciência Política, “O Leviatã”), que o objetivo do homem deve ser “buscar a paz e tentar segui-la”. Mas como o Cebolinha da Turma da Mônica está careca de saber, os planos costumam encontrar os contratempos… Essa lei da natureza embute em si outra ideia: “Faça o que for preciso para se preservar”.
Sendo assim, enquanto estivermos vivos, haverá conflito. Ao buscarmos a paz terminamos tendo como subproduto uma “guerra de todos contra todos”. É verdade… Todos podem correr (é o direito legítimo de fugir). Mas ninguém pode se esconder.
A vida sem regras, ou seja, no estado de natureza, é “sórdida, brutal e curta”. Mas não pense, leitor, que Hobbes é um cínico. Os cínicos pensam o pior das pessoas. Hobbes (e a humilde colunista) são, pelo contrário, céticos. Os céticos não aceitam verdades sem exame racional e desconfiam da tradição e da linguagem confusa, buscando fundamentos claros para o conhecimento.
E, para isso, Hobbes escrevia perigosamente como se nada o impedisse. Vivia com medo e era absolutamente destemido. Ao magnífico Hobbes, dedica-se a simplória coluna da semana.
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Quero ver o mar pegar fogo pra comer peixe frito
O status atual do caos das chapas de deputado federal e estadual no Piauí é o seguinte, como ilustra um pré-candidato que está virtualmente no PT, participa das reuniões do MDB, tem um acordo irrevogável com o PSD e já tinha alinhado um pré-acordo com o Republicanos: “Não sou louco de tomar decisão antes dos 44 min e prorrogação. E eu tenho tempo…”.
“Estão rachando gente de todo mundo e ninguém tem voto pra dar, só papel (dinheiro) e papel eu tenho”, resumiu um outro pré-candidato que aceita ser convencido apenas com votos transferidos e carimbados de lideranças confiáveis (esse artigo é raro). Um milhão de estalecas nessa altura do campeonato é troco, leitor!

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Nunca mais eu vou dormir
Por sua vez, um líder político que já dormia pouco, agora começa a ligar para o povo com o intuito de sondar disponibilidade para candidatura em sua agremiação por volta das 22h. “Ele tá dando uma de duro, mas sentiram a pancada. Está em cima da hora pra montar chapa. Estão atrás de cauda”, justificou uma coruja, atenta observadora dos movimentos noturnos.
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Call secreta pelo Zoom: aí é loucura
Escaldado, um outro político recusou fazer uma chamada de vídeo (call) com o líder político da agremiação que ele foi convidado a ingressar e o chefe do andar de cima. O objetivo da videoconferência era fechar um acordo de filiação com urgência. Por motivos de viagem, não dava para ser pessoalmente. Todos têm pressa. Mas o pré-candidato, não. “Quando chegarem a gente se reúne pessoalmente e resolve…”. Fazer chamada de vídeo para selar acordo eleitoral… aí é loucura!
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Caçando problema para vender solução
Já um secretário governista, da cozinha do governador Rafael Fonteles (PT), enxerga o jogo como “mais do mesmo”: “Não é interessante para eles (políticos) estar tudo resolvido, sempre vai ter o problema da vez”. Ele não deixa de ter razão…
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Como convencer alguém a ser bucha
Falando em confusão, um dos problemas do momento é achar mulher com voto. Uns três mil que seja, uns cinco mil, quem sabe. Só para constar e não ter risco da Justiça Eleitoral cassar as chapas por fraude da cota de gênero, que reserva recursos e espaço para mulheres serem candidatas, obrigatoriamente.
“Quer trazer a Z (ex-candidata a deputada estadual) pra ser bucha? Tem que chamar o governador e dizer qual estrutura ela vai ter depois (da eleição). Não tem segredo. Reúne os suplentes e diz que o primeiro suplente vai assumir uma secretaria no Governo e aí eles vão trabalhar. É assim que se faz”, revela um águia na formação de chapas, em off. Anotaram?

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O bom filho à casa torna
A foto abaixo é o registro que marca a refiliação do deputado estadual Franzé Silva ao PT. Sim, leitor. Poucos sabem, alguns negarão, mas Franzé chegou a se desfiliar do PT e estava de malas prontas para o MDB, onde disputaria, provavelmente com mais chances de sucesso, uma cadeira de deputado federal. Pois bem, o senador e ministro Wellington Dias atuou para recolocar seu peão no lado certo (para ele, claro) do jogo. A turma do Palácio de Karnak ficou meio chateada com a saída do petista da sigla e não queria mais papo.
No pelotão intermediário, mas com trabalho organizado e consistente, o ex-presidente da Assembleia Legislativa seria peça decisiva no MDB e não deixa de ser também no PT.

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O verdadeiro motivo para o fim da fusão cruzada…
É quase consenso entre políticos da base aliada de que os motivos para o fim da fusão cruzada do PSD e do MDB foram esses: Georgiano Neto tomou/conquistou (o verbo depende de que lado da história o leitor se encontra) colégios do presidente da Assembleia Legislativa, Severo Eulálio (que trabalha para ter 90 mil votos na reeleição e quem, sabe, ser candidato a prefeito de Teresina em 2028. Falemos disso depois. Se disputasse para federal, por exemplo, Severo poderia até ser eleito) enquanto articulava para conseguir ao pai, o deputado federal Júlio César, apoio de prefeitos que votam em Marcelo Castro (particularmente em Canto do Buriti).
Hobbes estava certo? “O homem é o lobo do homem” (Homo homini lupus)?

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Manda eles se virarem para lá
Foi a gota d’água para os “históricos” do MDB que temiam perder espaço e serem “buchas” (ter votos apenas para ajudar a eleger terceiros) para Georgiano eleger os seus por lá: “A gente não vai trabalhar pra eleger Simone (Pereira), Julim (César Filho) e Toninho (da Caridade), os três que o Georgiano injeta neles. Eu fiz as contas, não é o Y (deputado) que vai me convencer da conta não. Tão querendo enganar quem? Os caras fizeram (o fim da fusão) por necessidade de sobrevivência. Os meninos do Georgiano fazem 4 (deputados), manda eles se virarem pra lá”, relatou um emedebista sem papas na língua.

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Estamos na mesma chapa mas não quero papo com ele
“O cara (prefeito) veio atrás da gente, a gente não disse pro caba largar o Marcelo Castro (e votar em Júlio César). E o segundo voto de senador podemos também fazer uma reavaliação, não é?”, questionou um filiado de peso do PSD à colunista sobre o rompimento que ele avaliou como um “pleito legítimo, mas feito da forma errada”.
A colunista ponderou, tentando trazer a paz pregada por Thomas Hobbes, e disse que achava que o senador Marcelo Castro não tinha nada a ver com essa confusão. “Meu amigo véi, para se reunirem no MDB teve a autorização dele ou não?”, questionou. A ligação falhou na hora e a humilde cronista não conseguiu responder. Fica pra próxima!

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Se for, ótimo, e se não for, ótimo também
A colunista quis saber de um interlocutor do alto escalão do Palácio de Karnak: e se o deputado federal Jadyel Alencar disputar mesmo o Senado pelo Republicanos? Apesar de muitos duvidarem e entenderam a jogada como um “aviso de insatisfação” do líder do Republicanos, num cenário polarizado e sem grandes paixões políticas, um novo nome, com energia e ousadia, é bem capaz de bagunçar o tabuleiro…
“Rapaz, tem duas opções aí: ou é verdade, aí bacana boa sorte, a vida segue. E se não for, ele volta (pra chapa de federal). A briga MDB e PSD era ótima pro Republicanos porque ele era a válvula de escape. Agora complicou um pouco”, respondeu o karnakiano. Relembremos mais uma vez Hobbes: “A guerra não consiste apenas na batalha, mas na disposição conhecida para a luta.”

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Projeções atualizadas para Alepi
“Se tiver estouro de voto do Severo Eulálio, o MDB pode fazer 9 (a sobra PSD é 52,5 mil votos e a sobra do MDB 57,7 mil. O coeficiente é 63 mil votos mais ou menos)”, disse um petista sobre a chapa de deputado estadual no atual cenário. Um emedebista concorda em partes, pois considera as nove vagas do MDB como inevitáveis e não circunstanciais:
“O MDB só não faz o nono se o PT fizer 15 deputados, o que eu não acredito”. Por sua vez, um petista relata ser “impossível” o PT não eleger 15 nomes em 2026. Mas a verdade é que muita gente acha que a sigla só faz 14 deputados e a vaga que roda pode ser a nona no MDB, a quinta do PSD ou a terceira do Progressistas. Como as chapas não estão formadas, o boletim aguardará para fechar o prognóstico.

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Aula de Retórica com Aristóteles
“Entre o X (comandante do partido A) e o Y (general do partido B), quem tem história política no Piauí? O X é um menino do buchão que surgiu um dia desses, ali é tudo pirulito do Governo. Tu vai confiar em quem? O que o X te prometer ele vai te dar 50% e Y vai te dar 100%”, ouviu um político que estava sendo convencido a ficar com Y e não com X na divisão das chapas. Apesar de tudo, o político tinha seus compromissos com X… “Falei de um modo elegante pra não me perseguirem. Sempre tem essas ameaças veladas”. Pisando em ovos nível hard! Ethos, phatos e logos?
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A seita
Apesar disso, o controverso X tem seus defensores: “Aqueles prefeitos dele são uma seita, né? Insuportáveis, apaixonados”, analisou um deputado federal sobre o, talvez, futuro colega. Já um secretário estadual também fez uma observação favorável: “Fale o que for, mas ele trabalha, faz política 24h”. Sejamos justos!
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Três novos candidatos na Câmara de Teresina?
Para completar, na Câmara de Teresina, vereadores estão sendo “gentilmente convidados” a se sacrificar, ops, a se disponibilizar a ajudar a chapa de deputado estadual ou federal. Além do presidente da Câmara, Enzo Samuel, estarão nas urnas os vereadores Petrus Evelyn, Pedro Alcântara, Samantha Cavalca, Ana Fidelix e Eduardo Dragalana.
A novidade, apurada pela coluna, fica por conta de Zé Filho, Zé Neto e Leônidas Júnior, sondados para a disputa. Um dos cotados, que deseja não ser candidato de jeito nenhum, admitiu à colunista que provavelmente será: “O X (padrinho político) quer porque quer que eu ajude nessa chapa. Meu Deus, sobrou pra mim! Por quê? Por quê?”. A colunista não respondeu por considerar a pergunta retórica… O pessoal da Câmara às vezes é um pouco dramático, leitor!

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A escalação final de Vinícius Dias
Como até os amadores sabem, dois corpos não podem ocupar simultaneamente o mesmo lugar no espaço. Quando você coloca um objeto dentro de um copo cheio de água, a água transborda porque o objeto ocupa espaço. Quando se lança um candidato a deputado estadual no meio da pré-campanha, alguém terá que perder colégios eleitorais pois a quantidade de lideranças descompromissadas beira aos 0% nessa altura do campeonato.
Sendo assim, no núcleo duro petista espera-se a permanência na chapa de deputado estadual do PT de Mauro Eduardo, ex-secretário estadual de Inclusão para Pessoa com Deficiência. Beleza, e quem sai então para que o médico Vinícios Dias, filho do ministro Wellington Dias, entrar no jogo? “Soube que é o Oliveira Neto (suplente de deputado estadual”, indicou um petista do primeiro escalão à colunista. Alguns, no entanto, ainda esperam que Vinícius seja mesmo candidato a deputado federal mais pra frente. Vamos aguardar, leitor.

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Chance quase 100% que não. Quase
A possibilidade de que a conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE), ex-deputada federal Rejane Dias, fosse candidata a senadora foi analisada por um petista de Brasília como “praticamente impossível”: “Não tem possibilidade dela ser candidata nesse curto espaço de tempo, esse ano é praticamente impossível ela ser candidata, quase 100%”. Conclusão óbvia: todos sabem que Rejane esteve na política porque gosta e ninguém acha improvável que ela possa retornar no futuro ao jogo eleitoral. A conferir.
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Ele não é candidato (mas se quisesse, seria)
Apesar das especulações, o verdadeiro motivo de Wellington Dias sair do ministério do Desenvolvimento Social para coordenar a campanha de Lula no Nordeste é que as duas funções são mesmo incompatíveis: “Não tem como conciliar agenda política com administrativa, não se coordena campanha de Brasília. Tem que resolver problema político toda hora e como ministro, no horário de expediente, não pode”. Realmente!
O boletim, para não deixar nenhuma dúvida, pontuou: “É que tem gente que fala que se o Wellington se desincompatibilizou do cargo no prazo pode vir a ser candidato a alguma coisa, sei lá…”. O interlocutor por dentro das conversas da sala gelada respondeu, enigmático: “Claro que ele (do ministério) saindo fica livre e desimpedido. Mas não é candidato não”. Entendi…

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As chances de reeleição de Rafael Fonteles, o favorito
O Instituto Atlas Intel divulgou uma pesquisa na semana passada que repercutiu pouco no Piauí (leia aqui). Considerando que o Atlas é um dos principais institutos citados por rafaelistas para balizarem suas opiniões, a colunista achou por bem também levar a sério o que diz o instituto.
Vejamos: Rafael Fonteles tem 61% de aprovação com 52% de ótimo/bom e 60,9% do eleitorado dizendo que ele merece a reeleição. O cientista político Antônio Lavareda chama o combo de “piso eleitoral consolidado” (convergência de aprovação, avaliação positiva e merecimento de reeleição). Para a colunista, a avaliação de governo ainda é a variável explicativa do comportamento do eleitor.

A colunista não é nenhuma expert em matemática, mas se os dados da Atlas forem considerados, a probabilidade de reeleição de Fonteles é de 85% a 92%, de Joel de 18% a 15%. Isso porque a bibliografia de Ciência Política apresenta um “piso de reeleição segura” entre os incumbentes brasileiros. Uma aprovação acima de 50% combinada com avaliação ótimo/bom acima de 45% gera uma zona de conforto eleitoral.
Quando o “merecimento de reeleição” ultrapassa 55%, a probabilidade estatística de reeleição em primeiro turno supera 70% (a de Rafael é de 60,9%). E quando a rejeição fica abaixo de 30%, o incumbente tem trânsito eleitoral amplo o suficiente para vencer sem depender de voto útil.
Por esses dados, o eleitorado demonstra maior inclinação à manutenção do status quo do que à busca por alternativas, o que reduz o espaço para candidaturas de ruptura. Isso não significa que a oposição não tem trabalho a fazer, e deve entregar os pontos, pelo contrário, é a prova de que o discurso que se contrapõe não está bem organizado na cabeça do eleitor até o momento.
Os que sobram convencer: 6%
Contra Joel Rodrigues (PP), Rafael venceria, segundo a Atlas, por 57×36 — uma margem de 21 pontos com apenas 6% de indefinidos. 6% é pouco, o que indica que a margem de convencimento para a oposição é restrita pois boa parte do eleitorado já está cristalizado nesse cenário.

A criatura e o criador
Wellington Dias tem imagem 52% positiva, 40% negativa, 29,3% de rejeição. A rejeição de Wellington é quase o dobro da de Fonteles. Traduzindo: a renovação geracional representada por Fonteles conseguiu produzir uma diferenciação real de capital político dentro do próprio PT piauiense. Rafael é o líder político mais popular do estado e ponto.
Lula ainda é o maior puxador de votos no Piauí
Um dos saltos mais difíceis para um político é despartidarizar sua imagem sem romper com a base, ou seja, conseguir voto de gente de outro campo ideológico sem perder os seus eleitores tradicionais. Com chances de 57,7% no primeiro turno e com 23,6% dizendo que não votariam nele “de jeito nenhum”, Rafael está bem. Fato inegável. Mas não melhor que Lula, cuja imagem positiva vai de 61% contra 35% negativa no Piauí. Conclusão: o efeito Lula ainda puxa o campo progressista para cima no estado, não o contrário. Sendo assim, se Lula seguir popular e puxador de votos para Rafael, o eleitor pode optar pela continuidade de projetos percebidos como integrados.

O problema da oposição: fragmentação
O eleitor piauiense que rejeita Rafael Fonteles (34-35%, o teto tradicional da oposição no estado) não encontra um receptor único para o seu voto. A oposição tem três vetores que competem entre si antes de competirem com o governador: Joel, Tony Rodrigues (PL), Tony Kerley (Novo) e Mainha. Que mal pergunte: não seria melhor unificar?

O que pode fazer o cenário mudar é…
Como observadora ocular, a colunista cobre eleição no Piauí desde 2008 (pois é, a luta é antiga!). Como leitora e admiradora da História, o arco temporal é quase infinito de reviravoltas e lições. Dessa forma, sejamos diretos: a campanha tem chance de reverter o polo do favoritismo de Rafael para Joel? Um político piauiense experiente costuma dizer que é preciso “ter paciência, pois campanha são só três meses”. Para valer, são três meses. Mas o tempo antes, sempre conta.
Há sim variáveis com poder de disrupção: um evento exógeno (externo) grave (econômico, institucional ou de escândalo) ou um rompimento dentro da base (com os pontos de tensão concentrados ainda no PSD de Georgiano Neto e no vice-governador Themístocles Sampaio, em silêncio absoluto até agora). Se não houver queda da aprovação de Rafael (<50%), queda de Lula no estado ou surgimento de um candidato outsider competitivo, o cenário tende a estabilidade. Claro que o fator surpresa não tem esse nome por acaso. Mas hoje a realidade é essa. Favor, não matar a mensageira!
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Super confiantes, mas com uma pulga atrás da orelha
O clima na base é de confiança na eleição de Rafael Fonteles, mas ainda não com os 70% que alguns sonhavam há poucos meses. Deputados e figuras de relevo ouvidas pela colunista enxergam que “vai ter campanha”. “Fico preocupado com descontentes, incluindo a classe empresarial. Não pode ter segundo turno”, disse ao boletim, pedindo off, um político tomador de decisão no PT.
Já na oposição, por partirem de uma posição de desvantagem, parecem agir com mais liberdade pois o que têm a perder é significativamente menor. Arriscam mais, o que não significa que necessariamente acertem. Poucos falam, em reserva, sobre vitória, mas acreditam que podem ficar mais fortes agora para um embate no futuro próximo, ou seja, 2030. Além de terem como maior projeto, de fato, a reeleição ao Senado de Ciro Nogueira, que é a verdadeira cadeira em disputa.


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O xadrez do Piauí (literalmente)
Ser péssima em alguma coisa nunca impediu a colunista de exercitar suas parcas habilidades no que quer que seja (um exemplo é essa coluna, o outro são os jogos de xadrez que a colunista joga/perde só por birra). Pelo menos decorar as funções das peças no tabuleiro, a humilde cronista aprendeu. Vamos ver se o leitor concorda com as correlações desse exercício de imaginação?
O rei: Rafael Fonteles e Ciro Nogueira. É a peça mais importante do tabuleiro e também a mais limitada nos movimentos: anda apenas uma casa por vez. Aquele cuja sobrevivência justifica todas as demais peças, mas que não pode sair correndo sozinho. Cada passo seu é calculado, contido, cercado de cautela. Se o rei cai, a partida acaba.
A rainha: A peça mais poderosa do tabuleiro: anda em qualquer direção, qualquer número de casas. São operadores políticos experientes e onipresentes nos bastidores. É quem transita onde ninguém mais pode. Senadores como Marcelo Castro (MDB), Wellington Dias (PT) e o ex-prefeito Joel Rodrigues (PP). São habituados aos cíclicos movimentos do poder. Você sabe leitor: na crise ou não, você nunca verá uma onça comendo mato.
Bispo: Hoje esse papel está dividido entre Marcelo Nolleto e Washington Bandeira para Rafael Fonteles. O deputado federal Júlio Arcoverde para Ciro Nogueira e o secretário municipal de Planejamento Marco Antônio Ayres para o prefeito de Teresina, Sílvio Mendes. Não podem sair da diagonal em que nasceram: podem andar por quantas casas quiserem, mas sempre no mesmo campo. Controla seu pedaço e dentro da sua diagonal, é imbatível.
Torres: Os deputados estaduais Severo Eulálio, Georgiano Neto, Fábio Novo e o vice-prefeito Jeová Alencar, por exemplo. A torre anda em linha reta, horizontal e verticalmente, sem desvios, com força bruta e alcance longo. Movem recursos, emendas e peso político em linhas diretas. Não improvisam. São fundamentais para fechar territórios inteiros.
Cavalo: é a única peça que pula por cima das outras. Um Chico Lucas, um Jadyel Alencar, um Petrus Evelyn, um Eduardo Dragalana ou um delegado Charles. Move em “L” (dois passos para um lado, um para outro) e chegam onde ninguém esperava, ocupando a espaços que as peças convencionais não alcançam. O risco: são difíceis de controlar. Pulam por cima da lógica da base.
Peões: deputado estaduais, vereadores e deputados federais. Andam apenas uma casa para frente. Não voltam. Mas carregam dois poderes secretos: o en passant (a captura lateral, a traição discreta, o voto que vai para outro candidato sem que ninguém veja) e a promoção: o peão que chega ao outro lado do tabuleiro se transforma em qualquer peça que quiser.
O vereador que virou deputado estadual, que vira deputado federal. O nome lançado para “puxar votos no município” e que de repente acumulam capital político próprio. Os peões são a infantaria da chapa, assim como são a maior fonte de surpresas eleitorais.

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Jeová vice de Joel?
Questionado pela coluna, um oposicionista disse que está mesmo em aberto o espaço para quem será o vice de Joel Rodrigues. Ventos sigilosos dizem que até um petista de anel de tucum recebeu de um emissário do outro lado com um convite misterioso (que foi recusado, por sinal). Pode ser o vice-prefeito de Teresina, Jeová Alencar, para puxar votos na capital? “Quem vai fazer a chapa é o Joel. Vai ser lançada com o povo e vai passar pelo crivo do SM (Sílvio Mendes). O nome do Jeová foi falado por muita gente, mas não vai (ser ele). Ele (Jeová) quer ser prefeito”, disse o oposicionista sincerão.
Jeová é visto por um deputado da base, bastante pragmático, como um nome “que tem poder de fazer zoada em Teresina” enquanto Joel “vai no peito e na marra” para o interior. Para nós, pessoas comuns, como a colunista o leitor, levantar da cadeira é algo normal e sem riscos. Para pessoas que operam poder, política e orçamentos, levantar da cadeira é arriscado e convém avaliar direitinho os prós e contras para o caso de você sair e o lugar já estar ocupado, não é mesmo?

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Tem que ter o que tirar
Historinha real contada por uma testemunha ocular dos fatos. Assim que foi eleito, um prefeito deu a seguinte ordem à equipe: “Pode cortar tudo da oposição”. O então braço direito do gestor ponderou: “Não se faz assim. Com oposição, sempre tem que ter o que cortar. Fez errado, corta três (comissionados). Depois, vacilou, corta mais dois, trava as emendas e por aí vai”. O prefeito seguiu o conselho da experiente águia. E o resto é história…
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Se conselho fosse bom
O único antídoto para a ansiedade é a ação. A maioria das pessoas acredita que precisa estar motivada antes de agir, o que é um grande engano. Primeiro você faz, depois você se sente bem. Se for esperar se sentir bem para fazer algo de relevante na vida, passará seus dias sendo plateia dos outros. O que você espera aprender fazendo cursos, ouvindo podcasts e lendo livros geralmente só pode ser realmente aprendido tentando aquilo que você teme. Trate a ação em si como um sucesso em vez de aguardar o resultado da ação para se sentir bem-sucedido.
Entenda que quanto mais corajoso e proativo você é, maior a sua área de “sorte”. Feedbacks e opiniões alheias nunca vão substituir a forma como você se sente internamente. A confiança vem de como você cuida de si mesmo. A única maneira de projetar uma verdadeira sensação de paz genuína é viver seu próprio caminho e estar presente sem esforço e sem precisar escapar ou se contorcer para convencer qualquer pessoa. Faça as coisas difíceis que você está evitando. Corra o risco. Escolha o instinto.
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Cifrada do Sincero Até Demais
Era uma vez num reino muito distante e cheio de lógicas próprias, um novo integrante da cavalaria, Sir Dante, que ainda se adaptando às terras de antiguíssimas tradições milenares. Ao receber um caixeiro viajante, que cobrava pelo menos o empenho de suas ordens de pagamentos de serviços realmente prestados ao reino, Sir Dante teve reações peculiares. “O cavaleiro estadual X inclusive havia solicitado ao senhor a liberação dessas ordens”, lembrou, educadamente, o caixeiro. Sir Dante, educado, mas incisivo, respondeu: “O X é sócio na sua empresa?”. Ihhh, gente!
O caixeiro, surpreso, retrucou: “Não, mas lá na minha região eu voto nele no Torneio Quadrienal e ele disse que é amigo do senhor. Sempre que possível buscamos a ajuda dos amigos…”. Pra quê, né? Sir Dante achou que o rumo do diálogo estava perigoso: “Pois aqui não tem nada a ver história de amizade não. Quanto mais gente vier pedir pra liberar, mais demora pra sair!”. O caixeiro X não aguentou e falou, humilde: “Ahh, então deve ser por isso que minhas coisas não são liberadas nunca!”. A turma acha que é de bom tom ser sincero, mas não é pra tanto?
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Foto do dia
A colunista, como o leitor está cansado de saber, pode até não ser uma das mais inteligentes (mas também não é uma das mais burras). Buscando sempre aprender o que não sabe, esteve presente no evento Reboot, Seminário de Comunicação Política, Pública e Institucional, no início do mês, em Brasília. Lá, ouviu o seguinte de nomes como Felipe Nunes, CEO do Instituto de Pesquisa Quaest e de João Santana, ex-marqueteiro petista (hoje na campanha de ACM Neto, do União Brasil, na Bahia), a respeito do cenário da eleição presidencial deste ano:

1-Os incumbentes tendem a melhorar 6 pontos no ano de eleição por conta de entregas de obras. Quando isso não acontece é porque a população não acredita mais que está recebendo um benefício, e sim um direito. Perde-se a gratidão automática (como o Bolsa Família, que Jair Bolsonaro não apenas manteve mas aumentou o valor do benefício petista). As pessoas precisam acreditar que se votarem em A, o resultado é numa direção e em B, em outra, para se sentirem motivadas a fazer uma escolha.
2- O eleitor está calcificado, difícil de ser convencido e de mudar de visão de mundo. A juventude está negando a polarização (optando por opção de centro). O lulismo é maior do que a direita e direita é maior do que bolsonarismo (releia para entender). O eleitor independente é apático e desinteressado. Então, sobram 10% ou 3% (depende do analista) sem posição, para definir a eleição. Como os outros dois polos estão muito ocupados, a campanha é feita para disputar essa faixa curta, que são eleitores ambíguos, contraditórios e ambivalentes.
3- O impossível não existe na política. Quando rejeição fica alta em ambos os lados, surge o outsider (alguém que rompe padrões, fora da máquina). Ah, o eleitor está motivado a votar num senador contra a sistema em diversos estados. E, por fim, os analistas acham que vive-se num mundo de “miséria simbólica e falsidade ideológica”, com falta de sonho, desencanto e muita perturbação. A política se faz daí.
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A frase para pensar
“Pessoas que se dão ao trabalho de arriscar, enfrentar o abismo, são as que deixam pegadas para quem vem depois”, Marina Lima, cantora brasileira, em entrevista à Folha de S.Paulo.



