Boletim 06/02/25

Os quatro candidatos que a oposição (não) tem no Piauí para 2026

Devido a circunstâncias um tanto peculiares, a oposição no Piauí tem quatro possíveis candidatos ao Governo estadual em 2026, mas ao mesmo tempo não tem nenhum. Sem mais delongas, vamos a eles:

  • 1-Gracinha Mão Santa: a deputada estadual do Progressistas é afiada no discurso, representa a região mais numerosa em eleitores depois da capital, tem sobrenome com história política mas… vale a pena tentar a difícil empreitada de concorrer contra um governador bem avaliado, correr o risco de ficar sem mandato e, aí sim, perder uma boa plataforma para concorrer à prefeitura de Parnaíba em 2028? Muita gente entendida das coisas e ouvida pelo boletim, acredita não, não vale…
  • 2-Joel Rodrigues: Ora, o ex-candidato a senador que por um fio não derrotou o hoje ministro Wellington Dias (PT) na disputa pelo Senado em 2022, é conhecido, tem história pessoal de origem humilde, é negro (representando grande parte do eleitorado piauiense, que pode se enxergar nele) e segura a oratória. No entanto, quem, me diga quem na política em sã consciência, deixaria de ser primeiro suplente do senador Ciro Nogueira (PP), num dos caminhos mais seguros e eficazes de chegar ao Senado? Vale o sacrifício? (Pergunta retórica).
  • 3-Margarete Coelho: Ex-vice-governadora, tem um cargo nacional relevante no Sebrae. Advogada não apenas no nome, mas com currículo e casos, também de família política. Tem presença mas, acima disso, conteúdo para um debate qualificado – isso até os adversários concordam. A única questão é que ninguém na oposição ouvido por esse boletim acredita que Margarete entrará nessa eleição majoritária: “Se ela quisesse seria ótimo…”, disse um emissário à coluna. Essa é a questão: ela quer?
  • 4-José Maia Filho, o Mainha: O ex-deputado federal tem tido uma agenda intensa com seus pares na oposição nas últimas semanas. Depois de ter deixado o espaço que ocupava no Governo Rafael Fonteles para declarar apoio ao ex-prefeito Sílvio Mendes (União Brasil) ainda no final do ano passado, Mainha passou a ser visto como uma opção, apesar de políticos de quilate no Progressistas preferirem vê-lo numa chapa de deputado federal ou estadual.

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Seria um sonho: Georgiano

Forte mesmo, concordam ambos os lados, seria o deputado estadual Georgiano Neto (PSD), se topasse deixar a base do governador Rafael Fonteles para ser candidato a governador pelo lado de Ciro Nogueira. “Eu não vejo nem 10% de chance disso acontecer. Mas seria bom demais, colocando um vice da Planície Litorânea, e com o apoio do Sílvio (Mendes) teria jogo”, argumentou um oposicionista ouvido pelo boletim. O único fato é que Georgiano Neto segue buscando publicamente o contrário, dar mostras ao Governo Rafael Fonteles de que ele e seu grupo são confiáveis. 2030 é quase amanhã.

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Sem o Lula vocês vão ver

Claro, que nem tudo são espinhos. Há algumas flores. A possibilidade do presidente Lula não ser candidato à reeleição, por exemplo, é levada em conta pelos oposicionistas. “Sem Lula, RF (Rafael Fonteles) pode perder um grande ativo no estado que mais ajudou a eleger o atual presidente”, apontou um interlocutor do lado de lá.

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A gente vai ter mais voz agora

“Outra coisa: a vitória em 2024 de Sílvio e de nomes da oposição em cidades como Parnaíba e Campo Maior, por exemplo, pode levar as coisas para um certo equilíbrio.. até mesmo midiático. E para quem não acredita: o efeito Trump”, completou o emissário, que não quis cravar, por sua vez, quem seria “o nome” da oposição: “Ahhh, nome, tem vários”. Sim, quais? “Joel, Margarete, Gracinha…”. Ah…

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O adversário joga parado

Eleição é jogo que se joga em dupla. Resumindo: para mais ou para menos, o opositor,  governador Rafael Fonteles (PT) tem popularidade. A oposição faz pesquisa e sabe disso. Ele pode perder apoio popular? Claro, a política é dinâmica. Mas hoje, mesmo que derreta um pouco, Rafael ainda tem lenha para queimar e permanecer numa posição confortável.

A oposição, por sua vez, parte com cerca de 25% a 30% de intenções de voto em qualquer cenário. É de praxe. São os eleitores mais à direita, críticos irredutíveis da esquerda. Isso também não é pouco. Mas, como se sabe, a vitória é dada com 50% +1. O vencedor precisa falar ao centro, como Sílvio vez pegando votos da esquerda, de lulistas, e Rafael fez conquistando voto de bolsonaristas.

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Aroma de poder

A dificuldade em ter um nome competitivo está diretamente ligada ao fato de que uma candidatura de oposição hoje envolve baixa perspectiva de poder. Comparações com a eleição de Sílvio Mendes são inválidas, pois Sílvio largou e esteve na frente durante todo o pleito de 2024 em Teresina. Independente do que diziam os institutos de pesquisa, Sílvio era percebido como favorito, pelo mundo político e pela população.

Política é disputa por acesso ao Orçamento Público, definir políticas, dizer onde, quando e como se gasta o dinheiro público. Todos querem estar mais perto do poder. E sentem o cheiro dele, de longe. Não tem nenhum amador brincando de perder mandato, status ou poder aqui.

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Rei morto, rei posto!

Um político que tinha um forte indicado numa diretoria que foi trocada recentemente, fez o seguinte comentário aos colegas após a deposição do antigo gestor: “Ainda bem que acabou!”. A turma ficou boquiaberta: “Se ele que tava lá dentro fala isso, avalie nós…”.

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Parque nacional das Bets no Piauí

O boletim teve acesso e sabe que chegou a circular na Prefeitura de Teresina a ideia de um projeto que poderia transformar a capital numa espécie de “parque nacional das bets”, as casas online de apostas esportivas. Seria assim: benefícios fiscais em troca da instalação das empresas em Teresina. Lado positivo: atração de recursos para os combalidos cofres públicos. Lado negativo: risco de imagem negativa com a associação ao vício e potenciais irregularidades em bets. 

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Fernandim OIG

Ao que consta à colunista, o projeto não foi cancelado, apenas mudou de endereço e será instalado em um município do interior do Piauí e não mais em Teresina. Ah! Coincidência! Piauí tem figura de relevo no tema: o empresário piauiense Fernandin OIG (que nega ser dono do Jogo do Tigrinho). Ele é proprietário de empresas que operam sites de bets e possui ligações públicas com o grupo do senador Ciro Nogueira (PP). Fernandin, não custa lembrar (para quem sofre de perda de memória recente), depôs em CPI no Senado, no final do ano passado, sobre as bets.

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Engraçadinho

De um atento e espirituoso interlocutor de bastidores do Mundinho da Política local: “Essa disputa de vice (do governador Rafael Fonteles para 2026) está interessante. Resta saber aí quem será o Rafaboy e quem ficará como Rafaboi…” 1

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Se conselho fosse bom

Quais são os problemas que você diz ter? Segurança financeira? Ora, isso é um problema motivador e se você tiver um projeto ou propósito, é até divertido. Sério que seu único problema é ganhar mais dinheiro? É verdade que os problemas são infinitos, mas todos são solúveis. Fique feliz porque sempre terá problema para resolver, assim você pode, quem sabe, parar de pensar só na sua vida microscópica e tentar contribuir para algo maior do que você. Todos os dias você tem uma escolha: enfrentar seus problemas ou esquecê-los. Se você escolhe a primeira opção, você cresce e seu poder aumenta. Não há exceções.

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Cifrada Good Luck

Um político de âmbito municipal, que vamos chamar de X, resolveu dar uma passadinha na comemoração de um político federal que almeja um cargo ainda maior, o Y. No meio dos comes e bebes, X esforçou-se para ser simpático, mas teve a infeliz ideia de desejar “boa sorte” ao postulante. Para quê… Recebeu na lata: “Vai desejar só a boa sorte vai dar o apoio também?”, questionou o experiente Y. Tréplica, sem pestanejar: “O apoio é uma tendência, mas depende de uma conversa (ênfase)…”. Como o leitor está careca de saber, na política não há nada que um diálogo contundente não resolva! E dá-lhe conversa!

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Foto do dia

Ontem foi marcado um passo importante para o projeto nacional que o governador Rafael Fonteles parece trilhar na política. O petista tomou posse em Brasília, em clima de festa, com a presença de sete ministros e diversos secretários estaduais, como presidente do Consórcio Nordeste. O mandato é de um ano. Passa rápido, mas sabendo, dá para fazer muita coisa. Primeiro, Rafael terá a oportunidade de abraçar pautas nacionais, com lugar de fala, representando um bloco importante política e eleitoralmente. Acostumado a ser “o primeiro”, não terá que fazer tanto esforço assim para se destacar de sua antecessora, a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, que fez um mandato menos combativo. 

Segundo, se o próximo presidente da República for de esquerda (e essa é uma questão totalmente em aberto), quase ninguém nos corredores do Palácio de Karnak duvida que Rafael possa ser convidado (e aceitar) o cargo de ministro (da Fazenda? Quem sabe!) para depois de 2026. Não que precise, mas essa hipótese fortalece ainda mais a disputa pelo cargo de vice-governador na chapa de 2026 do petista. 

Screenshot

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A frase para pensar

“A estupidez humana é a única coisa que dá uma ideia do infinito”, Ernest Renan (1823-1892), escritor e filósofo francês.

  1. (Provavelmente uma referência à expressão “boi de piranha”, aquele que se submete ou é submetido a um sacrifício para livrar outra pessoa de uma dificuldade”). ↩︎

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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