Boletim 04/04/25

Briga de foice entre Júlio e Marcelo e ponto cego de Ciro para o Senado

São três grupos fortes para dois ganhadores. Quem pegar o 1% a mais, leva. O perdedor, descerá aos círculos do Inferno de Dante (metaforicamente). Uma rápida (só dessa vez, não se acostume) avaliação da disputa para o Senado no Piauí, trazendo alguns nexos de causalidades1.

Ciro Nogueira – O senador tem dois perfis de Instagram: Ciro Nogueira e Ciro Nogueira pelo Piauí. Não é por acaso. As duas personas são distintas, pelo bem dos dois projetos paralelos que Ciro encampa. Mas, às vezes, é impossível separar:

“Ciro é potência, é o único dos três que pode se eleger em qualquer estado, indo e voltando. Agora essa história de ser vice-presidente, complica pra ele no Piauí…”, ponderou um observador político, em reserva, ao boletim. Dá para explicar?

Com a palavra, um petista de carteirinha histórica, assinada de próprio punho pelo Lula: “Eu mesmo, entre ele (Ciro) e os outros dois (Júlio César e Marcelo Castro) não fazia diferença, agora faz diferença (por conta das últimas declarações de Ciro, ao mercado financeiro, de fortes críticas ao governo Lula)”.

“Ciro está transformando uma coisa totalmente favorável a ele em algo que vai ser um pecado o cara do PT votar nele PT. O PT pode fazer campanha e tipo proibir. O Ciro não precisa ir pro tudo ou nada, mas para ser vice (de Tarcísio de Freitas), ele tem que ir. E isso prejudica no estado dele”. 

Júlio César – Tendo Marcelo e Ciro no mandato, Júlio é quem tem a largada com mais obstáculos. Mas os julistas (apoiadores de Júlio César) defendem que todos os senadores foram eleitos pelo lado do Governo, de Wellington Dias para cá e agora não teria como ser diferente. 

“De 16 prefeitos do X (deputado estadual governista ligado a Marcelo Castro), 15 votam no Ciro”, reclamou um integrante do primeiro escalão da cúpula do PSD aos ouvidos do boletim. Mesmo com Marcelo Castro negando a combinação de votos com Ciro, a turma que apoia Júlio César deixa nas entrelinhas que a chapa está mais azeda do que azeitada.

Marcelo Castro – Por sua vez, aliados de Marcelo Castro enxergam que o senador “não pode impedir que um prefeito que tem compromisso com o Ciro queira votar no Marcelo! Onde já se viu…”. Realmente. Eles acreditam ainda que todos os problemas de Júlio César são internos e Marcelo está levando a culpa sem ter.

É fato que Marcelo também é criticado internamente pela força do filho, Castro Neto (deputado federal do PSD) em bases no interior, mas claramente o fogo amigo é menos intenso do que o direcionado a Georgiano e Júlio.

“Quando Georgiano (Neto, filho de Júlio César) diz que vai fazer quatro deputados, a base entende que ele vai tirar quatro de lá e não votam no Júlio pra derrotar o Georgiano. O bom senso pra todo mundo é que eles retirem essas candidaturas e não coloquem ninguém. Ele tem a cadeira dele, que vai pro Julim (Júlio César Filho), a Simone (Pereira) que hoje é deputada e lançaria mais um e não mais três”, ponderou um integrante do Governo sobre como melhorar a questão Júlio e Marcelo. Fica a sugestão.

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Congestionamento em Parnaíba

O boletim avisa aos interessados e desavisados: marquem com antecedência as visitas ao litoral. Não que as praias estejam cheias, é que a temporada alta está mesmo no gabinete do prefeito Francisco Emanuel (PP). Até quinta-feira a noite já tinham passado por lá Jadyel Alencar (Republicanos), Georgiano Neto (PSD) e o ex-governador Wilson Martins (a turma de federal), isso sem contar Evaldo Gomes, Rubens Vieira e Tiago Vasconcelos (a turma de estadual).

Tudo isso sem foto postada nas redes sociais. Mas a colunista nunca precisou de foto para saber o que acontece…

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Correndo para ocupar

“Lá tá meio solta as coisas. Suplente tem um bocado. O prefeito é um cara jovem, passando aquilo a primeira vez…”, destacou ao boletim um dos presentes nas conversas com Francisco Emanuel, que deve: 1) exonerar todo mundo ligado a família Mão Santa, 2) colocar no lugar os novos aliados e 3) aceitar recursos de todo mundo também (especialmente deputados ligados ao Governo Rafael Fonteles) enquanto se mantém filiado ao Progressistas e recebendo apoio do senador Ciro Nogueira. 

“Ele pode aprender e tem gente que quer ensinar!”, completou o político sobre o futuro do novo gestor do segundo maior colégio eleitoral do Piauí. Política é algo que se aprende ligeiro!

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Gracinha no PSD?

Falando em Parnaíba, está previsto para acontecer na semana que vem, segundo soube essa humilde cronista, uma reunião entre a deputada Gracinha Mão Santa (PP) e o deputado Georgiano Neto (PSD). Perguntas no ar: Gracinha não ia para o MDB pelas mãos do deputado João Mádison? O PSD não vai fazer fusão cruzada com o MDB e, portanto, deixará de ter chapa de estadual? Se Gracinha entrar no MDB com a digital de Georgiano é outros quinhentos? O ex-prefeito Júnior Percy tem uma adversária daquelas no litoral?

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Chama, espera ou nega

A Câmara de Teresina pode esperar, convocar imediatamente ou não convocar Leônidas Júnior, o suplente da vereadora de Teresina, detida e afastada pela Justiça Eleitoral, Tatiana Medeiros. O boletim apurou que a tendência é realizar uma consulta ao Tribunal Regional Eleitoral sobre o tema, já que o Regimento da Casa é antigo e lá não consta situações como essa de forma taxativa (o TRE-PI mandou afastar Tatiana, mas no Regimento tem o termo “licenciamento”…). Tudo no Direito é interpretativo, né?

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Achei meio machista

Sobre a prisão de Tatiana Medeiros (volte uma coluna), compartilho a análise de um político (de direita) enviada ao boletim: “Não entro no mérito, mas muitos homens tiveram denúncias de envolvimento e não tiveram essa mesma exposição que ela. Acredito, por incrível que pareça, que o fato dela ser mulher e ter ganho um protagonismo foi também motivo para uma ação mais enérgica como essa”. Opinião registrada para deliberação do leitor, como sempre.

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Mais que amigos, friends

Depois de dizer que o deputado Georgiano Neto (PSD) era um “péssimo deputado” e já tinha falta suficiente para ser cassado na Assembleia Legislativa, o deputado Evaldo Gomes (SDD) parece que é meio coração mole e reconciliou-se com o colega em selfie paz e amor. Consta nos bastidores que um dos motivos do entrevero foi a adesão ao grupo de Georgiano de uma suplente de vereadora de Batalha, ligada a Evaldo, que não deixou barato.

 “O Georgiano nunca nem conversou com essa mulher, e nem tem o telefone dela. Ela foi apoiar o Capote e a gente que levou a culpa. Rapaz, que loucura”, defendeu um aliado de primeira hora do PSD. Página virada?

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Se conselho fosse bom

O psicólogo austríaco Alfred Adler (1870-1937) acreditava que todos os problemas decorrem do complexo de inferioridade, que está ligado à baixa autoestima. O mundo é cheio de cobras, por isso, prevalecem aqueles com o antídoto mais forte: amor próprio. Pessoas de alta autoestima são raras: elas preferem honestidade e integridade. Pessoas com baixa autoestima adoram jogos mentais, perda de tempo e precisam ser constantemente validadas por outros. Ter autoestima não quer dizer que você será adorado por todos, mas sim que você é tão ancorado em sua existência que não se compara com ninguém. Você se respeita e isso traz poder.

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Cifrada Bonnie e Clyde

Uma turma está dormindo com um olho aberto e outro fechado aguardando o desfecho misterioso de um caso cabuloso. X, por exemplo, avisou num grupo de pretensos cavaleiros que se sente ameaçado e só sai da taverna para casa e vice-versa: “Se acontecer alguma coisa comigo, já sabem quem foi…”. Já Y, recebeu um recado por um mensageiro legal: “Você e o Z vão pagar pelo que fizeram com ela (e)”. 

Mas, recebeu uma resposta de bate pronto: “Ainda que eu tivesse prejudicado de alguma forma, e não fiz disso, não sou covarde nem moleque. Diga a ela (e) e a turma dela (e) que não tenho medo não, o que bate, volta!”. Tem gente que adora flertar com o perigo?

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Foto do dia

Na nova pesquisa Datafolha, a reprovação do Governo Lula (38%) supera a aprovação (29%), enquanto 32% acham a gestão petista regular. Lula está 5% melhor em aprovação do que a Quaest do início da semana, mas o resultado ainda é preocupante. O Governo Lula tem um problema de imagem, mas não é o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, que irá resolver. A imagem é um reflexo dos rumos do Governo, que não tem conseguido projetar planos de futuro para a população. Está amarrado no passado (Bolsonaro) e no presente (não tem base sólida no Congresso).

A coalização grande demais impede o Governo de andar além das minúcias de negociações intermináveis com o Congresso? O Governo cede tanto que não tem mais DNA?

O bolsonarismo, com todos os defeitos, tinha uma qualidade inegável: vendia, em essência, uma ruptura com “tudo isso que está aí” (sistema). Quando e se a inflação dos alimentos melhorar (e talvez Donald Trump e seu tarifaço ajudem nisso indiretamente), o sentimento da população também deve mudar. Mas isso não é suficiente. 

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A frase para pensar

“Se há um livro que você quer ler, mas ainda não foi escrito, então você deve escrevê-lo. O mesmo vale para qualquer empreendimento: se a solução que você busca não existe, crie-a”, Toni Morrisson (1931-2019), romancista norte-americana.

  1. Lembre-se, leitor: a política é uma cadeia interminável de acontecimentos, mas está presa por fios. Se cortarmos um dos fios, não podemos dar nada como certo. Entre o minúsculo e o enorme, há o trivial (o minúsculo reiterado)↩︎

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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