Boletim 22/09/25
Unindo esquerda e direita (pelo menos nisso), o elefante na sala é o motivo pelo qual a bancada de dez deputados federais do Piauí votou a favor da PEC da Blindagem na semana passada. O PT, é importante frisar, liberou sua bancada durante a votação na Câmara dos Deputados, quando 12 parlamentares petistas (incluindo os quatro piauienses Merlong Solano, Dr.Francisco Costa, Florentino Neto e Flávio Nogueira) votaram a favor da medida, que será discutida (e provavelmente enterrada) essa semana no Senado – após protestos no final de semana e a péssima repercussão na opinião pública.

Bom, na teoria dos jogos (a colunista tem hiperfoco em alguns temas…), compromissos são comprovados pelo custo: se algo não lhe custa nada, não significa nada. Se até a turma do PT votou a favor de uma pauta tão obviamente controversa, defendida majoritariamente pelo Centrão e alas da direita, é porque tinha algo a mais do que aquilo que foi dito. Observe as ações, não as palavras. São as ações que enunciam o verdadeiro contrato, leitor.
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Será se teve?
Como todo mundo sabe, a PEC da Blindagem determina que investigações contra parlamentares no STF só devem ser abertas após aprovação do Congresso. Não conformada com a versão pouco crível dada pelos parlamentares que se manifestaram publicamente sobre o tema (de que havia um tal acordo para não passar o texto da anistia na tentativa de golpe de 8 de janeiro), a colunista foi cavar em Brasília.
Como quem procura costuma achar, a colunista localizou uma teoria factível deveras interessante de um entendido no tema “conversa na sala gelada” na capital federal (fonte crível, frise-se, com histórico de credibilidade). Compartilho com o leitor:
“Tanta história que ninguém sabe direito o que foi que causou. Mas o pessoal do PT do Piauí está sendo questionado aqui em Brasília se teve um acordo do Hugo Motta (presidente da Câmara dos Deputados) com os estados. Você sabe quantos estados estão pra perder vagas? Muita gente votou nisso daí com a impressão de que haveria um empenho a mais para derrubar o veto (veto do presidente Lula que reduz em 20% as cadeiras de deputado federal e estadual do Piauí). Na realidade, não pode dizer isso publicamente porque complica. Mas era melhor ter feito outro acordo…”, disse ao boletim o interlocutor, em reserva.
Mais sobre tema redução da bancada: clique aqui. Conclusões, como sempre, ficam com o leitor!

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Um esquerdista contra a esquerda
Para não dizer que só tem briga e discordância na direita (não que não tenha), um esquerdista de camisa de foice e martelo mandou ao boletim espontaneamente, a opinião super sincera que ele nutre de seus pares.
P.S: Favor, não matar a mensageira!
“PC do B – O X e família e mais alguém, companheiros;
PT – companheiros dinossauros e alguns neopetistas sem o pé no movimento;
PSB – com vários políticos de várias ideologias
PV – perdeu o protagonismo na esquerda
PSTU/PSOL – com as mesmas falas de sempre”.
A turma que quiser responder o anônimo colaborador da coluna, pode ficar à vontade.
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Um balanço do Quinto
Apesar de muitas pessoas não conseguirem diferenciar fatos de opiniões, isso não irá impedir a colunista de seguir comentando sobre a eleição para a vaga de desembargador do Quinto Constitucional do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI). Além de tudo que a colunista falou em colunas anteriores ter acontecido (afirmação facilmente verificável no arquivo do boletim e uma busca no Google), o destaque fica por conta da desistência tácita de alguns candidatos.

Restou praticamente mesmo os 12 advogados (as) das vagas pré-determinadas fazendo campanha. “Parece corrida de Fórmula 1, que já estão definidos os nomes e ficam só concorrendo pelo lugar…”, comparou um jurisconsulto.
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Cada um no seu quadrado
Outro fato que é bem público é o distanciamento do popular ex-presidente da OAB-PI, Sigifroi Moreno, com o atual presidente, Raimundo Júnior, o que é exemplificado pelos discursos sempre ricos em verve e referências de Sigifroi (isso ninguém há de negar), mas que também deixam antever nas entrelinhas algumas pedras. Os mais observadores (ou paranoicos, que seja) enxergam nelas (as pedrinhas) um incômodo com a postura da atual gestão da Ordem na campanha em relação ao trabalho de bate-esteira a alguns pré-candidatos…

Colunista: “Existe chateação?”
Advogado raimundista (defensor do RJ): “Existe. Mas eu acho que não vai gerar maiores repercussões. Está longe da eleição. Um rompimento é improvável e o grupo deve optar pela gestão”.
Anotado! Uma análise mais completa do Mundinho do Direito, pós-resultado da votação dos advogados que acontece nesta segunda-feira, sairá na próxima edição da coluna na quarta-feira, 24. Paciência…
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Deixa o tempo passar
Em tempo: o boletim foi informado de forma confiável de que a segunda fase da campanha do Quinto (voto dos conselheiros estaduais) deve demorar cerca de 20 dias (ou mais). Eleições rápidas são interessantes para quem não quer ficar exposto ao sol. Outros, beneficiam-se da maturação, tal qual os bons vinhos (a coluna é abstêmia, aliás). Veremos qual é o caso em questão.
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Empréstimo é o combustível da política do Piauí
Quase ninguém – exceto um herdeiro bem-nascido, o que pode bem ser o caso do leitor, vai saber… – consegue fazer investimentos de monta sem um empréstimo. Um assalariado ou até mesmo um empresário que quer ampliar seu empreendimento ou adquirir uma casa, precisa recorrer ao banco para se capitalizar. Não sejamos ingênuos.
A verdade é que as grandes obras estruturantes requerem uma quantidade de recursos equivalente à importância e, por décadas (séculos, aliás), tivemos um estado sem infraestrutura. Saindo, portanto, da visão maniqueísta sobre o tema, o Piauí não só é um dos estados que menos deve como também é um dos que menos tem infraestrutura. Paradoxo.

São Paulo, o estado mais rico, é o que mais deve, ora bolas (Segundo consta, São Paulo possui a maior dívida estadual do Brasil, com R$ 287,5 bilhões em débitos com a União em janeiro de 2025). Basta raciocinar.
“O Piauí deve muito” é um slogan da oposição mas, caso eles tenham pesquisas dizendo que o mote pega, a impressão é que não. A população em geral demonstra pouco se importar (ou pouco pode fazer) com as próprias dívidas e menos ainda com a ideia de um “Estado enxuto”.
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Cashback
Os políticos eleitos pelo povo votam com celeridade na Assembleia Legislativa do Piauí os empréstimos solicitados pelo Governo, assim como os vereadores fazem com os prefeitos capital e interior afora. Motivo: em época pré-eleitoral, também é preciso ter “cashback”?
Por isso mesmo, quando os empréstimos travam e demoram para sair, tem muito choro e reza. Outra reflexão da série “basta raciocinar”.
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Se conselho fosse bom
Você tem que pagar um preço para ser o melhor. O melhor paga um grande preço. São mais responsabilidades, mais altos e baixos. A verdade é que a maioria das pessoas consegue ter grandes ideias sobre o que fazer, mas nenhum resultado. É que o cérebro obtém mais dopamina planejando do que executando.
Quando se sentir entediado ou infeliz, comece a resolver problemas. Eles estão na sua cara: sua forma física, suas finanças, seu trabalho e todas demais coisas que o impedem de ter o controle da sua vida. Divida os desafios complexos em partes componentes, enxergando os gargalos, pontos de alavancagem e as soluções elegantes que podem surgir daí. Você não precisa ser perfeito, só precisar resolver, sem fazer barulho. Execução competente é rara. E a raridade é valiosa.
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Cifrada do Dilema
No Império Romano, nas imediações do Reino Azul, o cavaleiro Santus Augustinhus, segue em busca da solução para seu intricado caso. É que se ficar onde está, corre o seríssimo risco de perder a vaga para o colega Verdius, que sai um pouco à frente na Confraria que só elege um (até o momento) no próximo Torneio Quadrienal.
O cavaleiro Santus Augustinhus pode sim atender ao tapete vermelho estendido pelo agitado Cavaleiro Acelerado e ir para o lado do rei Harry Potter (mas só de fachada, pois a saída teria a anuência do rei adversário, Cirius). Também pode se candidatar ao Senado Romano no lugar de Cirius, que tenta uma vaga na chapa da sede do Império, ou buscar ser suplente de Cirius, o que também não é nada mal. Augustinhus precisa se decidir até ontem… Tic-tac?
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Para ler, ver e ouvir
Todos os livros de Gay Talese merecem ser lidos, mas o último lançamento, uma mistura de memória e bastidores de reportagens célebres, “Bartleby e eu” (Companhia das Letras) é uma iniciação para o leitor que deseja adentrar no mundo do Jornalismo Literário. É uma conversa íntima de um dos maiores ícones do jornalismo em uma escrita com elegância, atenção ao detalhe e paciência para reconstruir cenas e personagens. Como bom profissional das letras que se preze, Talese é generoso para com suas próprias falhas e limitações, admitindo erros, ambivalências e limites éticos da reportagem.

Recomendação especial ao texto que narra os contratempos para fazer a reportagem “Frank Sinatra está resfriado”, publicada em 1966 na Esquire, considerada a obra-prima de Gay Talese. Talese escreveu o perfil de Sinatra sem entrevistá-lo diretamente, um feito ousado para a época. Ao invés da fala direta, construiu a reportagem observando os bastidores: seguranças, amigos, músicos, garçons e fãs.
O que era limitação virou método criativo. Como o leitor da coluna bem sabe (quebrando a quarta parede aqui), é possível narrar uma vida a partir do entorno. O silêncio do personagem central nunca vai impedir a narrativa, aprendam.
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Foto do dia
Até ontem mirrada, desorganizada e perdendo de 10×0 para a direita no quesito “mobilização”, o campo progressista surpreendeu no final de semana ao organizar atos em todo o país em protesto contra a PEC da Blindagem e a anistia aos acusados de tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro. Claro que a participação de artistas populares, como Caetano Veloso e Wagner Moura, contribuiu e muito para levar o público mais à esquerda às ruas, mas daremos à César o que é de César.

O mérito ainda é mais do anti-bolsonarismo do que do petismo propriamente dito. Mesmo assim o Governo Lula, que praticamente joga parado, se beneficia já que há anos não se vê a esquerda levando gente em volume às ruas. O movimento também mostra que a diferença do remédio para o veneno é a dose. O Congresso misturou anistia com impunidade/corporativismo, com o clima de ataque externo dos Estados Unidos na questão das tarifas, e a receita desceu quadrada.
No Piauí, os atos foram significativos, mas ainda não parece ser o estado que deu a maior porcentagem de votos a Lula. É que o eleitor lulista tem sua fidelidade para com Lula, e ponto final. Também há de se reconhecer que a esquerda dos movimentos sindicais no Piauí se desmobilizou nos últimos anos, mesmo tendo petistas revezando-se no comando do Governo Estadual. Mas isso é pauta para outro dia, a tinta acabou e o pessoal da gráfica mandou avisar que estamos sem espaço hoje…
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A frase para pensar
“Decerto, este curso não se destina a ensinar o que vocês devem pensar, mas desejaria que lhes ensinasse duas virtudes intelectuais. A primeira, o respeito aos fatos; e a segunda, o respeito aos outros”, Raymond Aron (1905-1983), filósofo francês, em palestra para uma turma de alunos.
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Feito à mão
A charge do Rico sobre os últimos acontecimentos:




