Por que o Piauí ainda vive com os resquícios entranhados da Ditadura Militar? As famílias que fizeram e os que combateram os Anos de Chumbo

Aos 18 anos, o artesão Carlos Alberto havia aprendido que no Brasil dos anos 70, fazer um discurso podia ser muito perigoso. Na noite do seu aniversário, 24 de setembro de 1978, foi eleito presidente da Cooperativa de Artesanato do Estado do Piauí. Conta com certo orgulho que ganhou com apoio popular, apesar da juventude. Dois dias depois, na porta da casa da namorada, foi fuzilado com balas de festim (quando não há projétil na bala) por homens fardados em um caminhão.

Gritaram apenas uma frase antes de sumir: “Cale a sua boca”. Carlos diz que nunca entendeu bem o que houve. Supõe que foi o discurso que fez ao ser eleito. Ou que talvez incomodou quem não gostava de ver um rapaz, pobre e cabeludo, ganhando voto. A tentativa de registrar queixa foi infrutífera. Na delegacia, ouviu: “Alguma coisa você fez, seu vagabundo”.

Assim, decidiu fugir. Sem dizer nada à família, pegou um mapa, escolheu o Paraná e embarcou com a roupa do corpo:  “Toda liderança era terrorista para eles”. Eles a quem se refere são os militares, era a época da ditadura militar no país e no Piauí também.

 “Muitos dizem que eu sou mentiroso, que não teve ditadura no Piauí. É mentira”, diz com firmeza ao ser questionado sobre esse período no estado pela Todavia. “Quando eles atiravam, assim, de festim era tipo um aviso e mandaram eu calar a minha boca. No dia 24, no dia do meu aniversário, fui eleito presidente da cooperativa de artesanato, tinha 18 anos. No dia 26, dois dias depois, eu fui fuzilado. Passei três dias assustado, não podia ver um militar que me escondia. Aí eu decidi sair do Piauí. Peguei o mapa do Brasil, escolhi um lugar sem ninguém saber. Saí com a roupa do corpo direto pro aeroporto”, contou.

Artesão Carlos Alberto (Foto: Paula Sampaio)

Ele já tinha um histórico com a repressão. Anos antes, a família havia deixado Campo Maior, no interior do estado, depois que um tio foi preso. Aos 18, Carlos repetiu o roteiro – desta vez, por conta própria. No Paraná, passou cinco anos. Trabalhou, sobreviveu, voltou. Hoje, aos 65, ele mantém uma loja no box 43 do Centro de Artesanato Mestre Dezinho, em Teresina. Vende peças de couro, madeira, produtos regionais e conta lembranças sobre esse passado. Uma delas é sobre o porão da ditadura militar do Piauí.

Logo na entrada da loja uma estrutura metálica, com grades grossas, leva a um subsolo escuro, abafado e sem janelas. É ali, diz Carlos, que está o porão ou como ele chama de forma irônica a “sala de massagem com aconselhamento e reflexão”. O lugar funcionava como parte das dependências da Polícia Militar do Piauí nos anos de chumbo. Um buraco de concreto, com a profundidade de 10 lances de escada, manchas nas paredes e uma fundação de ferro presa no teto – usada, segundo ele, para prender as correntes do “pau de arara”.

“Até pouco tempo, as correntes ainda estavam aqui. Um dia eu viajei, deixei uma funcionária, e apareceu um homem com um papel na mão, acho que falso. Levou. Nunca mais vimos”, pontuou.

O pau de arara, método de tortura usado com frequência durante a ditadura militar brasileira, consistia em suspender o preso por um bastão colocado entre os joelhos dobrados e os braços amarrados por trás das pernas, deixando-o pendurado como um animal prestes a ser abatido. Nessa posição, vulnerável e em dor contínua, o corpo era espancado com pedaços de madeira, fios ou mangueiras.

(Foto: Memórias reveladas/ Arquivo Governo Federal)

Avenida, rua, escola e universidade fazem homenagem a líderes do período militar

Marechal Castelo Branco (foto: arquivo/UOL)

Construída na gestão do ex-governador e ex-prefeito, Bona Medeiros, na zona Norte da capital, a Avenida Marechal Castelo Branco corta a cidade como uma grande faixa e, além dos carros, guia a política e parte da economia do piauiense. Lado ao lado, na extensão da pista, estão a Assembleia Legislativa e a Câmara Municipal. Ambas guardiãs da democracia, ambas fincadas sobre a memória de um nome que representa o contrário disso. Castelo Branco foi o primeiro presidente da ditadura militar. Seu governo viu nascer as primeiras censuras, torturas e silêncios impostos com farda.

A nível estadual, a Lei nº 7248/2019, sancionada pelo ex-governador Wellington Dias (PT), em 2019, proíbe que prédios públicos levem o nome de pessoas que constem no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade. Na época, o Centro Estadual de Tempo Integral Presidente Castelo Branco, em Piracuruca, que homenageava esse membro da ditadura, teve o nome alterado para Ceti Inês Maria de Sousa Rocha, uma ex-professora muito querida na região.

Movimento quer mudar nome de avenida

Ato simbólico troca nome de presidente da ditadura por advogada negra em avenida (Foto: Divulgação/CMVJ)

Agora, em Teresina, um novo movimento tenta fazer o mesmo com a avenida Marechal Castelo Branco. O vereador João Pereira (PT) apresentou um projeto de lei que propõe rebatizá-la como Avenida Firmino Filho, em homenagem ao ex-prefeito da capital, falecido em 2021 e que era membro do PSDB.  

Outros movimentos, por sua vez, defendem o nome Avenida Esperança Garcia — mulher negra, escravizada, que em 1770 escreveu uma carta denunciando os maus-tratos que sofria. Considerada a primeira advogada negra do Brasil, ela é, para muitos, o nome que falta quando se pensa em justiça e coragem.

“É temerário que a avenida onde se encontra a Assembleia Legislativa do Piauí e a Câmara Municipal de Teresina homenageie Marechal Castelo Branco, político cujo governo foram registrados os primeiros casos de censura, tortura e assassinatos cometidos por agentes do Estado, conforme a Comissão Nacional da Verdade. Em sentido oposto, o ex-prefeito de Teresina, Firmino Filho, foi um grande democrata, prezando pela preservação do Estado Democrático de Direito em toda a sua atuação, inclusive diante de partidos de oposição, tendo consolidado o desenvolvimento político e social da cidade ao longo de sua gestão”, justificou a propositura apresentada pelo petista na Câmara.

Vereador do PT quer nome de Firmino na Marechal Castelo Branco (Foto: Montagem)

Ainda em Teresina, a Rua Marechal Costa e Silva, no bairro Lourival Parente, lembra o segundo presidente da ditadura — o mesmo que instituiu o AI-5 e mergulhou o país no período mais sombrio do regime. O nome também estampa um Centro Municipal de Educação Infantil, o CMEI do bairro Monte Castelo.

Petrônio Portella também é lembrado. Governador do estado, senador, presidente desta Casa duas vezes e ministro da Justiça durante o governo do general Figueiredo, último chefe do Executivo da ditadura. Seu nome está na avenida que liga as zonas Leste e Norte, no campus da Universidade Federal do Piauí (UFPI), no aeroporto da cidade e no prédio da própria Alepi. (veja mais sobre sua biografia logo abaixo).

Em sessão conduzida por Petrônio, Ernesto Geisel assume Presidência no período militar
(Imagem: Arquivo do Senado)

Uma cidade não é feita só de ruas e prédios, mas das memórias que decide preservar. E toda decisão carrega uma escolha, um significado. Teresina, como tantas cidades brasileiras, ainda está decidindo quem merece estar, para ser lembrado, onde o povo passa. Às vezes, não se trata de apagar o passado — mas de escolher o quanto ele continuará influenciado o presente. A decisão sobre quem permanece nos mapas urbanos é, no fundo, uma decisão sobre quem queremos ser como sociedade.

Mas como era Teresina na época da ditadura?

Recorte de jornal mostra repercussão da marcha em Teresina (Foto: Reprodução)

Realizada no dia 14 de abril de 1964, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade em Teresina contou com a presença de pelo menos 50 mil pessoas, segundo relatos da época. Apesar de não serem confiáveis pela influência da censura, um fato é que, apesar de marcada para às 17h, teve que ser antecipada em 30 minutos tamanho era número de pessoas que se aglomerou na na Avenida Frei Serafim, ponto de encontro inicial do evento. Os convites para a participação naquela manifestação aconteceram nos jornais da seguinte forma: “PIAUIENSE! Não se omita. Participe da Marcha da FAMÍLIA com DEUS pela LIBERDADE.

A articulação para o movimento foi feita por setores conservadores da sociedade, com forte presença de instituições religiosas e representantes das elites locais, reforçando um sentimento de ameaça à ordem social e aos “valores cristãos” supostamente colocados em risco pelo governo de João Goulart e a “ameaça vermelha” ou ameaça comunista. Em todo o Brasil a movimento serviu, como instrumento de legitimação popular do autoritarismo, criando a imagem de que os militares estavam apenas respondendo a um chamado do povo “de bem”.

Após o golpe civil-militar de 1964, também foi organizada em Teresina, por um grupo de senhoras católicas, uma missa em Ação de Graças, pela “vitória da democracia sobre o comunismo ateu”, celebrada pelo Arcebispo Dom Avelar Brandão Vilela.

Elite teresinense deu boas-vindas a ditadura “pela modernização”

Nos anos 1960, Teresina ainda se via como um lugar crescido demais para continuar sendo interior, e pequeno demais para ser cidade. A água não chegava a todos os bairros. A luz oscilava. As ruas, empoeiradas ou enlameadas, não combinavam com o que se esperava de uma capital. Até produtos do dia a dia, essenciais como o café, faltavam, segundo apontaram registros históricos encontrados pela apuração.

O Piauí, à época, era apontado como o estado mais pobre da federação. Tinha um índice de analfabetismo que beirava os 82%, e mais de 60% da população vivia concentrada em apenas seis cidades: Teresina, Parnaíba, Picos, Campo Maior, Piripiri e Floriano.

Um discurso do então senador Leônidas Melo em 1959, recortado do jornal “Folha da Manhã”, sintetiza bem o sentimento que os piauienses tinham em relação ao desenvolvimento do estado.

“O Senador Leônidas falou durante vinte minutos sobre a ‘situação dramática, melhor dizendo, quase trágica em que se debate o Piauí’, disse ser o Piauí o Estado ‘mais pobre, mais esquecido, mais abandonado, mais desprezado pelo governo federal’.(…) Mais adiante disse que se o Piauí fosse reivindicar tudo o de que necessita não sobraria vez para mais nenhum outro Estado”, descreveu o jornal.

Leônidas Melo, ex-senador e ex-governador do Piauí
(Foto: Reprodução)

Militares prometiam infraestrutura

Barragem de Boa Esperança, no Piauí, foi construída durante a ditadura
militar sendo inaugurada em 1970 (Foto: Divulgação)

Foi nesse cenário de carência que o discurso da modernização e “embelezamento” da cidade encontrou terreno fértil — e foi por ele que a ditadura militar começou a construir sua legitimidade no Piauí.

O golpe de 1964 no Piauí não foi um movimento vertical, imposto do alto. Como prova a adesão da população à marcha, a ditadura se legitimou no estado não apenas pela força, mas pelo consentimento das elites locais. Segundo o professor do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História do Brasil da UFPI, Francisco Nascimento, parte da sociedade piauiense — elites políticas, intelectuais, religiosas — deu sustentação à ditadura.

 “Neste sentido, o governo autoritário e centralizador de 1964 era visto para setores da elite como fundamental para a execução de obras de infraestrutura que pudesse garantir a modernização do estado, como a Usina Hidrelétrica da Boa Esperança”, afirmou o professor.

“Uma vez que a imprensa era censurada, era transmitido apenas o cenário positivo que legitimava a ditadura militar. Dentre os quais, destacamos a exaltação das prisões que eram feitas para legitimar as perseguições dos opositores políticos que eram incriminados de serem subversivos comunistas, o cenário de desenvolvimento e euforia econômica do chamado milagre econômico era usado para legitimar a ditadura no estado de que através dos militares e dos governantes locais o Piauí iriam ter o tão sonhado desenvolvimento”, descreveu.

Professor Francisco Nascimento (Foto: Reprodução/ Instagram)

Entre sobrenomes que se engajaram na ditadura no Piauí, segundo o professor, estão alguns representantes dos Portella Nunes, Tavares Silva, Reis Velloso e Rocha Leal.

Já sobre os nomes de que fizeram resistência no Piauí, destacou instituições e organizações que não se calaram perante a ditadura como o movimento estudantil, setores da OAB-PI, clérigos da Igreja Católica, estudantes leigos envolvidos nos movimentos sociais da Igreja e jornalistas que escreviam em jornais alternativos.

Pelo menos sete deputados estaduais foram cassados pela ditadura nesse período:

  • José Alexandre Caldas Rodrigues;
  • Deusdedit Mendes Ribeiro;
  • Themístocles Sampaio Pereira;
  • Celso Barros Coelho;
  • Honorato Gomes Martins (suplente);
  • Antônio Ubiratan de Carvalho (suplente);
  • José Francisco Paes Landim (suplente).
Deusdedit Mendes Ribeiro, Themistocles Sampaio e Celso Barros (Foto: Montagem)

Todos esses parlamentares tiveram o mandato devolvido simbolicamente em 2014. Alguns, no entanto, já tinham falecido.

Material considerado subversivo foi apreendido de partido em Teresina por militares (Foto: Reprodução)

Petrônio Portella, o senador piauiense que negociou o desmonte da ditadura

Jornal noticía morte de Petrônio, em 1980 (imagem: Biblioteca Nacional Digital)

Petrônio Portella, governador do Piauí na época do golpe, embora tenha apoiado João Goulart (que era do PTB) antes de 1964, e apesar de ter se posicionado contrário a “revolução”, permaneceu no poder após o golpe. Não vestia farda, mas a imprensa da época dizia que ele sabia costurar acordos.

Petrônio dizia que ato era “transitório” e criticava violência

Documentos históricos guardados no Arquivo do Senado, em Brasília, mostram que,o senador piauiense e logo mais ministro da Justiça reforçava, em seus pronunciamentos, que o regime militar era temporário e que a democracia precisava ser retomada. Mas fazia isso, claro, sem atacar os governos da época.

“O Ato Institucional número 5 é transitório, como transitório é o processo de qualquer revolução”, disse. “Sinto indignação — discursou ele, depois que policiais invadiram a Universidade de Brasília (UnB) para espancar e prender estudantes. — Mas faço a diferença fundamental entre o governo da República e beleguins policiais que desobedecem às autoridades e exorbitam nas diligências. Sua Excelência [o presidente Costa e Silva] fica com a nação, que pede providências e se solidariza com os estudantes, injustamente pisoteados pela política”, pontuou o então senador Petrônio, durante o período.

O trecho é de um pronunciamento resgatado do arquivo do Senado.

Petrônio em agenda com militares (Foto: Senado/ Reprodução)

Quando a ditadura estava no meio de um delicado processo de desmonte, coube a Petrônio, em 1977, em nome do regime militar, negociar com a sociedade, a oposição e até políticos governistas os termos dessa transição e, assim, viabilizar a volta da democracia.

As chamadas “medidas de abertura” tomadas até então tinham as digitais de Petrônio: a derrubada do abusivo Ato Institucional 5 (AI-5), a volta do habeas corpus para presos políticos, o fim da censura, a proibição da cassação arbitrária de políticos, a reorganização do movimento estudantil, a anistia dos adversários do governo encarcerados ou exilados e o fim do bipartidarismo. De forma inesperada, antes da redemocratização, ele morreu em 6 de janeiro de 1980, aos 54 anos de idade, vítima de um ataque cardíaco.

O jornalista Zózimo Tavares, autor do livro Petrônio Portella — uma biografia, diz que o senador e ministro piauiense não tem o reconhecimento que merece: “O que Petrônio fez foi optar pelo pragmatismo, buscar resultados. E ele conseguiu os resultados”, disse em entrevista a um especial feito pelo portal do Senado.

Manutenção dos nomes naturaliza repressão da ditadura

A Teresina daqueles anos era uma cidade em expansão. Mas também era uma cidade sob vigilância. A tão sonhada modernização de sua capital planejada chegou, mas, trouxe marcas. A permanência dessas homenagens no espaço público levanta questionamentos sobre como a memória do regime é tratada — ou ignorada pela cidade. Para o professor Francisco Nascimento, do Departamento de História da UFPI, essa escolha não é neutra.

“Acreditamos que a homenagem a essas figuras históricas controversas, é fruto da própria conveniência dos gestores governamentais com essas figuras autoritárias que em nome do desenvolvimento e modernização solaparam as liberdades individuais e as instituições liberais-democráticas. Além, de ser resultado da falta de consciência histórica das elites e dos setores populares que não fazem manifestações de repudio a essas homenagens a figuras antidemocráticas. O significado simbólico de manter esses nomes em espaço público é a naturalização e até a exaltação a essas figuras, como se fossem pessoas ilustres dignas de homenagens. E, é resultado da própria banalização das atrocidades e crimes contra os direitos humanos que os seus governos cometeram”, avaliou.

Em Teresina, como no resto do Brasil, a ditadura não chegou apenas com armas, mas com promessas. Promessas essas que alçaram alguns ao sucesso e outros a porões, como os que a Todavia mostrou no início desta reportagem. E é justamente por isso que lembrar importa. Atualmente, o que está em jogo não é apenas o letreiro de uma avenida, mas o pacto de memória que se firma com quem passou — e com quem vem. Porque esquecer é sempre mais fácil. Mas lembrar é o que impede que tudo aconteça de novo.

Paula Sampaio

É coordenadora de conteúdo da Brio Comunicação. Jornalista pela Universidade Estadual do Piauí (Uespi) e mestranda em Comunicação pela Universidade Federal do Piauí (UFPI).
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1 comentário

  • Coloca-se o período histórico de todo o Regime utilizando apenas o recorte da era dos Atos Institucionais mais tristes de nossa realidade. Seria mais honesto, para que o leitor não se perca em uma análise direcionada, tendo em vista que por mais que sejamos cientistas as nossas pré-noções não se separam das análises feitas, até porque muitas criadas nos campos acadêmicos por professores com vieses contrários, levar também ao conhecimento deles a era na qual é conhecida como “Anos de Ouro”. Assim, damos a eles a possibilidade do pensar por si.

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