Boletim 22/05/25

Boletim 22/05/25

[O boletim de hoje é o primeiro escrito sem o meu companheiro de jornada, Bola, um cachorrinho preguiçoso, guloso e carinhoso de 13 anos, que faleceu no dia 20/05, em Brasília. Escrever é um ato solitário, exceto se você tiver um cão. Vivi com o Bola dos 24 aos 37 anos, portanto, não sei escrever profissionalmente sem a companhia e o afeto dele. Terei que aprender. Obrigada por tudo, meu amor. Você será para sempre lembrado.]1

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E o vencedor da guerra de eventos entre Ciro, Júlio e Marcelo em Brasília é…

A ex-tenista tcheca Martina Navratilova afirmava que “quem disse que ganhar ou perder não importa, provavelmente perdeu”. Bom, na guerra de números para saber quem levou mais prefeitos aos almoços e jantares oferecidos em Brasília essa semana durante a Marcha dos Prefeitos organizada pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), ficam três conclusões:

1)QUEM DÁ MAIS: Quem levou mais prefeito: os senadores Ciro Nogueira (PP), Marcelo Castro (MDB) ou o deputado federal Júlio César (PSD)? Resposta sincera, de um participante dos três eventos na capital federal: “Não importa, a maioria dos prefeitos foi nos três. Estavam só curtindo a folia…”. 

Presença não é voto, fato. Os deputados estaduais Severo Eulálio (MDB) e Ziza Carvalho (MDB) e o federal Floretino Neto, por exemplo, estiveram nos três eventos. Flávio Nogueira (PT), que almeja ser indicado ao Senado, não compareceu ao evento de Júlio César, mas foi no de Marcelo e Ciro. Jadyel Alencar (Republicanos), por sua vez, também não foi visto no evento de Júlio César. E por aí vai.

“O evento do Ciro foi forte realmente. Mas o do Júlio César tinha tanta gente quanto no almoço do Ciro e a mesma quantidade de pessoas do jantar do Marcelo, porém achei que menos prefeitos do que nos dois”, contabilizou, informalmente, um dos presentes. Tudo mais ou menos equilibrado, ninguém flopou (“flopar”, leitor, é o contrário de “bombar”).

Se contassem as promessas, então haveríamos de pensar que a reforma eleitoral permitirá o voto em três candidatos ao Senado e não em dois, né? Vamos dar um desconto, leitor!

2) UM PÉ EM CADA CANOA: Ficou claro também que o senador Ciro Nogueira tem que decidir: é candidato a senador ou a vice-presidente da República? As duas pré-campanhas paralelas confundem e uma tira energia da outra. Ainda não inventaram na Física uma fórmula para estar em dois lugares ao mesmo tempo, não é mesmo? 

Mas um aliado de primeira hora de Ciro ouvido pelo boletim, discorda: “Ele vai tá como senador até a última gota. Não se decide assim. Essa virada de chave vai ser só mais na frente ele só sai (candidato a vice) se for Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo) o candidato a presidente”. Entendido… Por via das dúvidas, Ciro segue emprestando espaço e estrutura a Joel Rodrigues e Margarete Coelho, que o emolduraram o tempo todo.

3)NADA CERTO PARA (QUASE) NINGUÉM E A COMPENSAÇÃO PARA O PSD:  Tentarei resumir tudo para fácil assimilação: só uma vaga de senador está certa, a de Marcelo Castro. Ciro, não se decidiu sobre a República ou a província. Já Marcelo não tem do que reclamar, exceto se uma mudança de chapa prejudique os votos já consolidados que ele projeta.

Na base aliada, os deputados federais fazem uma força descomunal nos bastidores para que o governador Rafael Fonteles e o ministro Wellington Dias interfiram para não ter chance de eleger ao Senado mais um membro da família do deputado estadual Georgiano Neto (PSD). Consideram que é poder demais para um clã e coisa e tal. 

Poucos acreditam que Júlio saindo da chapa, o escolhido para o seu lugar possa ser Flávio Nogueira, que mesmo sendo do PT, não é raiz. Emissários que circularam nos almoços e jantares levantam até compensações para o PSD não ficar com a cadeira de senador na chapa de Rafael Fonteles: não ter fusão cruzada, eleger dois federais e quatro ou cinco estaduais pelo PSD. Topam?

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Candidato sim… mas só em 2030

Pessoas que vivem em Nárnia, no mundo da Lua ou nas adjacências, acreditam ser possível que o filho do senador e ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, seja candidato a vice-governador na chapa de Rafael Fonteles à reeleição no Palácio de Karnak em 2026. Nós, que humildemente ainda habitamos a Terra, gostaríamos de lidar com a realidade. E a realidade, apurada e checada com cruzamento de fontes próximas ao núcleo de Dias, é essa logo abaixo.

O médico Vinícius Dias pode ser candidato a deputado federal, mas apenas em 2030, aproveitando a estrutura de campanha do pai à reeleição ao Senado. Por enquanto, vai amadurecer na Medicina e viajar com Wellington, aprendendo os meandros da política real. 

Vinícius é visto como um cara “leve” e “desenrolado”, portanto, depois do cumprimento do acordo de transferência de bases da conselheira do TCE-PI, Rejane Dias, para Zé Santana na disputa como deputado federal, poderá galgar o próximo caminho sob as bençãos da linhagem política dos Dias: “Não irão quebrar acordo. Não é momento”, encerra o assunto um entendido no tema. 

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Você tem que desistir pelo nosso bem

Interlocutores no PSD relatam ao boletim um climão para que o secretário estadual de Transportes, Jonas Moura, desista da pré-candidatura de deputado estadual na cota do PSD na chapa do MDB (supondo que tenha mesmo fusão cruzada). Argumento: nomes fortes na turma apadrinhada por Georgiano acreditam que um deles (qual?) tem que se sacrificar para que nenhum corra o risco de ficar de fora. Questão de matemática.

Como Simone Pereira é mulher com histórico eleitoral (nenhuma chapa pode prescindir delas) e Júlio César Filho é o irmão de Georgiano que está faz tempo esperando a vez… o bicho pega mesmo entre Jonas e o ex-prefeito Toninho de Caridade? Quase teve dedo na cara por causa de liderança “tomada” no grupo? Ihh, gente…

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Já tá ficando meio chato

Esse assunto já está meio chato e repetitivo, mas me sinto obrigada pelos fatos a comentar (espero que pela última vez). Dois breves pontos sobre a escalada de farpas na base do governador Rafael Fonteles a respeito do tal avanço de bases de Georgiano Neto sobre os aliados:

Primeiro, independente da conduta de Georgiano ser correta ou não no glossário da política, a população simplesmente rejeita conversas tão abertas sobre como se faz política (que, aliás, parece muito com o modo como se faz salsicha. Ou seja, não queira saber, leitor). Além de tudo, os críticos correm o risco não de vilanizar, mas sim de vitimizar (olha só) Georgiano, além de dar a ele mais e mais visibilidade. Ser conhecido, por bem ou por mal, é (quase) tudo na política.

Segundo, políticos enxergam que o deputado realmente “parou de pegar” (ou “conquistar”, sei lá) lideranças dos colegas, mas a turma não está interessada nisso. “Rapaz, ele tem é que devolver (ênfase) o que ele pegou!”, pontuou um insider. A palavra recuar vem de “retrocer”, “dar marcha ré”, o que não houve até agora. Veredicto: a família do deputado federal Júlio César precisa fazer mais do que gestos para conseguir diminuir o fogo amigo na pré-candidatura de Júlio ao Senado? A arena dos gladiadores pede sacrifício. É assim desde Roma…

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Se conselho fosse bom

Aceite o fluxo natural da vida, as pessoas, circunstâncias e fatos como eles se apresentam. Lutar contra o presente é brigar com todo o Universo. Deixe-me explicar o que quero dizer com isso: todo momento é como deveria ser.  O peixe não se esforça para nadar, ele apenas nada. A árvore não se esforça para crescer, ela só cresce. Aprenda a fluir sem atritos com a inteligência da natureza. Libere a energia através do caminho da não resistência para que ela seja recanalizada na sua evolução e construção criativa de respostas para problemas. Todas as situações desconfortáveis que acontecem estão a serviço do seu aprendizado. A realidade é uma interpretação. Seja livre no presente.

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Cifrada da Exoneração de Edsus

Em Roma, um cavaleiro de linhagem antiga, Edsus, permaneceu no reino após a saída da antiga madrinha para a cidadela de Contas e do padrinho para o reino Candangus. Discreto e de confiança, Edsus tinha poder de fazer nomeações de súditos assim como oferecer condições especiais a centenas de plebeus. O problema foi quando o rei, bastante educado e tido como justo, descobriu as movimentações sem seu aval. Quem estava autorizando os penduricalhos? A quem Edsus devia satisfação?

Enfim, o cavaleiro pagou o preço do ruído e foi exonerado no decreto real. Ele não ficou sem teto, pois logo foi admitido no gabinete do padrinho federal em Candangus. A turma dos padrinhos considerou que tudo foi meio brusco e uma tremenda desconsideração. O dilema terá maiores consequências ou foi uma trama pontual?

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Foto do dia

Caso ocorra alguma mudança na Federação de Futebol do Piauí (é só uma hipótese…) alguns apostam que o advogado e ex-deputado estadual do Maranhão, Alexandre Almeida, seja a bola da vez. Alexandre tem fortes laços no Piauí, bom trânsito no meio de campo jurídico e, por fim, apresenta as condições (leia-se: votos) de quase todos os times (supondo que tenha uma nova eleição, claro).

Entendidos do mundo futebolístico e político ouvidos pelo boletim apostam que o vice-presidente Daniel Araújo não seria jogado para escanteio e poderia seguir vestindo a camisa (volte algumas colunas para entender do assunto caso esteja boiando). 

Mas, supondo que ocorra troca de comando na FFP, é demais acreditar que o lance suba para Brasília e o Piauí ganhe um acento de ouro na Confederação Brasileira de Futebol (CBF)? Claro que toda essa bola dividida pode terminar em pênalti, falta ou gol, ninguém sabe o placar. A colunista segue sem entender nada vezes nada de futebol, alguém me explica?

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A frase para pensar

 “A caverna que você teme entrar contém o tesouro que você procura”, Joseph Campbell (1904-1987), mitólogo e escritor norte-americano.

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Música da semana

“Onde Estará o Meu Amor?”, interpretada por Maria Bethânia (há também uma linda versão na voz de Chico César) toca o coração inquieto que anseia o reencontro. Mesmo com o afastamento físico, o leitor sabe que há conexões na vida que são inseparáveis e transcendem as mais longas distâncias entre o tempo e o espaço. Elas fazem valer a expressão “para sempre”.

Como esta noite findará
E o Sol, então, rebrilhará
Estou pensando em você
Onde estará o meu amor?

Será que vela como eu?
Será que chama como eu?
Será que pergunta por mim?
Onde estará o meu amor?

  1. E viva os 13 anos bem vividos e amados de Bola. ↩︎

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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