As 4 opções na mesa de Rafael para compensar Themístocles e por que o PT mantém a hegemonia no Piauí

Boletim 01/07/25

Alguns emedebistas esperam que o governador Rafael Fonteles, ao retornar de agenda na Europa (Portugal, Espanha e Suíça), repense, numa segunda conversa, o lugar do partido (especificamente a vaga de vice-governador) na chapa majoritária de 2026. A expectativa, no entanto, não está ancorada no estilo de Rafael, como admite um emedebista à coluna: “Ele (RF) não reverte posição irreversível, pode ter dez conversas”. A posição irreversível é a indicação do PT (leia-se, de Rafael) à cadeira de vice na chapa da tentativa de reeleição.

Na conversa decisiva entre Rafael e o vice-governador emedebista, Themístocles Filho na semana passada, “nada ficou acertado de espaço”, ou seja, da compensação que o grupo político do vice-governador terá pela perda da cadeira majoritária. Devem voltar a conversar daqui a 15 dias. Falemos do que pode acontecer, abarcando apenas a realidade e os fatos concretos, por favor.

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As quatro opções são essas

Opções na mesa são essas, apuradas pelo boletim com fontes do núcleo duro do MDB: 1) retorno de Themístocles à cadeira de deputado estadual, com acordo para ser presidente da Assembleia Legislativa no segundo biênio (considerando a encaminhada reeleição de Severo Eulálio); 2) apoio na já bem encaminhada reeleição do deputado federal Marcos Aurélio Sampaio (PSD); 3) o filho, deputado estadual Felipe Sampaio (MDB) secretário estadual de uma pasta relevante, como Infraestrutura ou Turismo pós-2026, em caso de sucesso nas urnas. 

Ah, e 4) uma cadeira de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado, que pode ir para um dos filhos, pois o próprio Themístocles nunca teve maior interesse no TCE-PI. Isso, pro futuro.

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Tem que combinar direitinho com o Kléber

“Todo mundo fala dessa vaga do TCE, mas tem que saber se Kléber (Eulálio, conselheiro) topa antecipar a aposentadoria. Tem que combinar direitinho. O que o pessoal comenta é que quando sair, essa cadeira dele no TCE-PI poderia era ir pro Severo (Eulálio, filho de Kléber)”, elenca um observador político que acompanha as movimentações de perto. Já sobre a “ajuda aos meninos (Marcos e Felipe)” na eleição, um emedebista afirma que é bom sim, mas isso “é o básico”, pois os dois deputados são da base, fieis ao Governo…

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Onde Themístocles estará sentado para se movimentar em 2030?

Como o leitor já desconfia, tudo é sobre 2030, na verdade, quando Rafael, se reeleito, terá que fazer um sucessor e uma dúvida fica em aberto: acabará ou se renovará a hegemonia do PT no Piauí? “Ele  (Themístocles) não pode ficar fora do jogo, o importante é se movimentar em 2030”, defendeu um aliado de Themístocles, acrescentando que na conversa com Rafael, nada disso (compensações e etc) foi elencado por nenhum dos dois interlocutores. 

Traduzindo: não, Themístocles e ala do MDB até aceitam perder a cadeira de vice (faz parte do jogo), mas nunca vão deixar de jogar. 2026 é hoje, 2030 é amanhã!

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Ninguém nem cogita rompimento

Rompimento? Ninguém que joga a política a sério cogitou essa hipótese. “Se fosse um X (deputado estadual bem votado) ou um Y (presidente de partido médio) da vida, poderia ser (rompimento). Mas ele não pede nada, é o perfil dele, não rompe”, argumentou um sincero aliado do vice-governador. Por fim, um conhecedor de Assembleia Legislativa, classifica Themístocles como “um homem de acordo” sim, mas sagaz, também: “Não é um cara de ir pro embate frontalmente, mas sempre sabe reagir de alguma maneira”. 

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Por que MDB, PSD e Progressistas não conseguem romper a hegemonia do PT no Piauí

Na política, só há dois grupos de partidos: os competitivos nas eleições majoritárias vs. os partidos de sustentação legislativa. Falemos dos dois para entender por que PSD e MDB não romperão (agora) com o governo petista e por que o PP/União Brasil, tentou, mas não conseguiu furar a bolha da hegemonia do Partido dos Trabalhadores no Piauí desde o início do governo Wellington Dias I (2002):

Os primeiros (PT, estadualmente) disputam com regularidade eleições majoritárias (governos e prefeituras), possuem lideranças reconhecidas publicamente, e articulam um projeto de poder com capacidade de mobilização eleitoral em diversas regiões. Eles têm, como disse o cientista político Maurice Duverger, “ambição de governo”. Os segundos (MDB, PSD, União Brasil, PP, etc) podem ser classificados como “partidos satélites operam com lógica de sobrevivência e adesão, não de competição frontal”, como aponta o professor Octavio Amorim Neto. Certo? Certo.

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Receita rápida para eleger governador 

Para eleger um governador a receita é essa (anote, se for do seu interesse): imagem estadual, coalizões estruturadas e bases sociais diversificadas. Em contextos específicos, PP, União Brasil, MDB e PSD possuem essa força, mas apenas em nível municipal, brigando para eleger muitos prefeitos e coisa e tal. A diferença de um e outro é que os partidos competitivos estruturam candidaturas com pretensão de vitória e os de sustentação, são forças auxiliares, fornecendo suporte legislativo, quadros técnicos e legitimidade formal às coalizões. 

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Um vence, o outro adere

Partidos que focam a acesso a recursos estatais, cargos e visibilidade local ou regional, são peças-chave para a governabilidade, mas não protagonizam o jogo político majoritário. Oferecem tempo de TV, base de vereadores e prefeitos, e quadros administrativos, mas sem articular um projeto próprio de governo estadual. Eles aderem ao projeto vencedor, que nas últimas décadas foi do PT no Piauí (salvo o período do PSB, com Wilson Martins, mas com o apoio do PT).

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Compartilhando o poder

Como nenhum partido isolado consegue maioria legislativa, isso força os governadores eleitos a compor secretariados multipartidários. Em geral é assim:  partidos competitivos  lideram a coalizão governista quando vencem (ocupando a chefia do Executivo e definindo a agenda), e os partidos de apoio negociam sua entrada na base aliada em troca de benefícios (o que é natural, estamos só descrevendo o quadro).

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MDB e PSD: os partidos da governabilidade no Piauí

O MDB hoje transita entre ser coadjuvante nacional de peso e protagonista regional (segue vencendo governos estaduais importantes, ex.: três governadores eleitos em 2022). No Piauí, hoje exerce duplo papel: fraco em disputas majoritárias estaduais, mas fortíssimo como força de apoio e frequentemente indispensável na governabilidade. 

Disputa diretamente com o PSD para ser a sigla da governabilidade, aliás. Daí, a disputa entre o senador Marcelo Castro (MDB) e o deputado federal Júlio César (PSD) contra o senador Ciro Nogueira (PP) ter um pano de fundo mais complexo, afinal, os dois vencedores fortalecerão não apenas a si, mas o futuro das siglas as quais pertecem. É tudo ou nada mesmo.

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O PT piauiense é um sistema político próprio

Rafael é o governador, claro, mas o PT piauiense é um sistema político próprio e Wellington Dias é peça-chave dessa hegemonia. Ele simboliza, desde 2002 (com desgastes inerentes a tanto tempo no poder) uma convergência entre carisma popular, discurso progressista e costura de amplas coalizões políticas.

Vindo do movimento sindical bancário, Wellington venceu porque traduziu o ideário petista numa linguagem acessível ao eleitorado interiorano e o estilo conciliador permitiu a inclusão de ex-adversários e famílias tradicionais (como o MDB de Themístocles Filho e o PSD de Júlio César Lima) na base do Governo.

Com os aliados, ganhou capilaridade no interior, afinal, o governo estadual segue peça central da sobrevivência financeira e política de muitos municípios piauienses.

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PT do Piauí: discurso de esquerda e base de centro-direita

O PT do Piauí tem múltiplas entradas e filtros, que permite a cooptação de lideranças regionais sem desfigurar totalmente o discurso de esquerda. É uma governabilidade baseada em equilíbrio entre a base ideológica e a aliança fisiológica, que sustenta a longevidade petista. 

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A oposição e seu futuro

Já a oposição, se fragmentou após a saída do poder grupo liderado pelo então governador emedebista Mão Santa e a desidratação política de partidos como PSDB e DEM. Apelando apenas para o antipetismo genérico, que não dialoga com o eleitorado local (mas funciona bem em candidaturas proporcionais e no projeto nacional), a oposição precisa construir um projeto coeso de Estado para ter chances reais de bater de frente com a hegemonia petista. Basicamente, é isso.

Se alguém discordar, por favor, apresente as provas…

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E o novo presidente do TRE-PI é… (ops, pode vir a ser)

Falando em disputa, como está a briga pela presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí? Um jurista ouvido pela colunista refutou na hora: “Que briga? O ministro Kássio Nunes Marques vai para o Tribunal Superior Eleitoral e no Piauí vai o Zé Wilson (desembargador). Tem experiência em gestão, conciliador, bem relacionado, grande aliado e compadre do Kássio. É até importante ter o TSE do lado para implementar projetos em parceria com o TRE-PI na eleição de 26. Será emblemático”.

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E o Ricardo Gentil?

Outro nome cotado, naturalmente, seria o do vice-presidente Ricardo Gentil. “Ele (Gentil) é um magistrado sério, já colocou o nome dele outras vezes em pontos de discordância, mas acho que dessa vez é consenso (sobre ser Zé Wilson o futuro presidente)”, pontuou outro observador do cenário jurídico. “Não ser o vice-presidente, é algo que foge um pouco da regra das últimas três gestões, em que o vice e o presidente alternavam depois de dois anos”, acrescentou. 

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É só a coisa mais importante do momento

Outro jurisconsulto fez o contraponto: “Não existe na Justiça Eleitoral isso de quem é vice vai ser necessariamente presidente. Critério é eleitoral mesmo. Vai pro plenário do TJ-PI”. O tema é se suma relevância por motivos óbvios, algo que amadores e profissionais concordam: a composição do órgão que julga registro de candidatura, propaganda eleitoral e outras cositas mais está no topo da escala de prioridades do povo que vive de política. É ou não é?

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Se conselho fosse bom

Sempre que você tentar mudar e evoluir, as pessoas ao seu redor farão uma força contrária para que você permaneça onde está. Elas fazem isso por autodefesa, pois buscam conforto enquanto sua liberdade é assustadora. A verdade é que ninguém do seu nível atual vai gostar de quem se destacar, afinal, quando você supera a norma estabelecida, estabelece um novo padrão, uma nova norma e faz com que os demais pareçam incompetentes.

Ao lidar com esse tipo de reação, finja neutralidade ou felicidade. Mesmo que sua irritação seja justificada, nunca saia por aí demonstrando ser um infeliz ou miserável. Também evite demonstração excessiva de intelecto superior, ninguém vai gostar de você por isso. O mais inteligente é… se fingir de bobo. A maioria das pessoas que se acha inteligente mas não é, está apenas desperdiçando energia mental pensando demais em várias direções ao mesmo tempo e não fazendo nada. 

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Cifrada do Fight ao Vivo

No Reino dos Cálculos, onde os números dançavam em folhas douradas ao final de cada balanço bem feito, havia uma nobre instituição chamada Conselho dos Guardiões das Moedas. Lá, sábios conselheiros zelavam para que cavaleiros não gastassem mais do que podiam. Certa manhã, em plena sessão do plenário de mármore cintilante, o conselheiro Regrado levantou-se, dedo em riste, e acusou Altino de agir como se fosse o dono das balanças, destratando servidor, faltando e atrasando os processos. Ihhh…

Altino, ferido em seu brilho, bateu na mesa e rebateu com voz retumbante, dizendo que Regrado se achava o dono do Conselho e não tinha moral para falar de ninguém. A plateia de escribas e penas de ouro ficou atônita, em silêncio. Ah, para quem duvida, foi tudo divulgado no Youtube real… Entre recibos rabiscados e planilhas encantadas, turma dos bombeiros já está atuando pela paz a todo custo. Ainda bem!

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Foto do dia

O juiz apita e a partida começa! Bola rolando… A reunião entre o governador Rafael Fonteles, a secretária dos Esportes, Josiene Campelo, o presidente e o vice-presidente da Federação de Futebol do Piauí, Brown Carcará e Daniel Araújo, e dirigentes de clubes (Atlético Piauiense, Oeirense e Teresina Esporte Club) resultou no seguinte: caminha-se para um acordo de reforma no estádio Albertão, em Teresina.

Objetivo, segundo relatou um dos presentes ao boletim: “Tem que reestruturar para conseguir trazer time de fora. O Flamengo não veio (ao Piauí) porque gramado está ruim, vestiário está péssimo e foi bem aqui pra São Luís. Parte do recurso pode ser via CBF, em conjunto com a Federação de Futebol do Piauí”.

Tendo em vista o fato acima, pode-se dizer que um importante jogador de outra partida (pelo comando da Federação), pode até estar fora do jogo, mas não entrega o troféu sem luta? (É só uma pergunta…)

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A frase para pensar

“Nunca explique por que algo importante é importante”,  Nassim Taleb (autor,  estatístico, e analista de riscos líbanês-americano), sugere que coisas verdadeiramente vitais, como sobrevivência ou família, são autoevidentes e não precisam de justificativa. 

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Feito à mão

Vamos parar para ver a charge do Rico de hoje? Ah, a inteligência de alguns…

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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