Boletim 18/09/25
Hipóteses: se o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do Progressistas, for mesmo o candidato a vice-presidente do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2026, quem fica no lugar dele na campanha pelo Senado do Piauí? Oposicionistas aventam possibilidades, entre elas a de que o deputado federal Júlio César (PSD), pré-candidato ao Senado em dobradinha com Marcelo Castro (MDB), poderia ser convencido a mudar de barco.
Argumentos vão desde o alinhamento de Gilberto Kassab (presidente nacional do PSD e secretário de Governo de Tarcísio) com Ciro passando pela conjuntura nacional incerta sobre a sucessão do presidente Lula, o que pode mudar a inflexão da força da direita no estado. Questionado pela colunista, o deputado estadual Georgiano Neto não contou conversa: “Sem rumo total. Não tem nem nexo. Ora mais se meu pai vai deixar de ser candidato na base…”.
Segundo Georgiano, a pré-campanha de Júlio César está mais do que engatada e a história de uma dobradinha de Marcelo Castro com Ciro não irrita o clã Lima, pelo contrário: “Nós estamos muito tranquilos… como tem município que vai ser meu pai e o Ciro. Hoje a grande maioria (dos prefeitos da base) é Marcelo e Júlio”. Ok, ok…

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Obrigado pela força e TMJ!
A pré-campanha de Ciro Nogueira segue calcada em montar uma chapa, na prática, suprapartidária. Isso é, com o apoio, declarado ou não, de aliados do Governo Rafael Fonteles, o que inclui petistas. Exemplo que reforça o argumento: a ênfaseo de conteúdos, por parte de ciristas (apoiadores de Ciro), onde é feita essa vinculação. Claro, isso também tem como efeito gerar desgaste na base aliada…
Para completar, os petistas não se furtam a contribuir com a tese. Ilustração desse ponto é o comentário público do deputado federal do PT, Florentino Neto, no post em que Ciro destaca no Instagram a articulação para destinar R$ 25 milhões em emendas que ajudaram tirar do papel a obra da nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina.

Comentário de Florentino: “Sou grato pela ajuda do Senador Ciro Nogueira e da Ex-deputada Iracema à Saúde do Piauí, quando eu estava na SESAPI. Além da Maternidade e do Hospital Infantil, conseguimos recursos para o HEDA”. Precisa dizer mais?
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Depois de um trem passar por cima
Questionado pela colunista sobre como estava se sentindo nessa manhã seca de uma quinta-feira em Brasília, o deputado federal do PT, Merlong Solano, respondeu: “Me recuperando”. De uma gripe? Não, do atropelamento da direita na votação da urgência do projeto que anistia os condenados por atos antidemocráticos. Foram 311 votos favoráveis, 163 contrários e sete abstenções.

“Estamos vivendo um risco grande de uma aproximação do presidente da Casa (Hugo Motta) com a extrema direita. Ontem ele pautou a anistia em urgência. Situação perigosa de alto grau!”. Mas votar a urgência não significa aprovar o projeto, não é? “Eles vão aprovar, têm voto de sobra, a gente não sabe ainda qual vai ser o texto. Sempre vão ter voto para aprovar. Ontem foi a maior votação que nós tivemos sem fazer acordo ou com o Centrão”. É…
Próxima etapa: negociar mudanças no texto que será votado, amenizando e discutindo uma prisão domiciliar para o ex-presidente Jair Bolsonaro. Brasília ferve, às vezes, literalmente.
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Refuto
Sobre a possibilidade do ex-senador João Vicente Claudino ser candidato a senador na chapa da oposição (ainda na hipótese de Ciro Nogueira ser candidato a vice-presidente em 2026), um interlocutor que trafega por lá respondeu ao questionamento da colunista com uma palavra apenas: “Loucura” – o que a colunista interpretou como uma negativa (talvez enfática demais?).
De todo modo, pelo sim e pelo não, é de bom tom o leitor não descartar nada pois é se tem um lugar que tem loucura para dar e para vender é na política…
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Perguntas simples e respostas diretas
Pergunta simples: Por que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, disse essa semana que não seria candidato a presidência da República se todo mundo sabe que ele vai ser?
Resposta direta: – Porque só os idiotas fazem questão de se expor antes do tempo. Ao que consta, Tarcísio não chegou a ser membro dos governos Dilma Rousseff (PT) e Jair Bolsonaro (PL) sendo um idiota (Ele foi ministro da Infraestrutura no governo Bolsonaro e diretor-executivo e diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes durante o governo Dilma).

Pergunta simples: Qual o motivo do senador Ciro Nogueira (PP) evitar fortalecer demais (pelo menos no Piauí) a história de que ele será candidato a vice-presidente da República na chapa de Tarcísio (segundo a cotação de hoje da Mesosfera)?
Resposta direta: – Primeiro, porque elevar esse assunto coloca um alvo nas costas dele, inclusive dentro da própria direita. Segundo, porque Ciro ser vice (plano A) o prejudica no Piauí, onde ele ainda precisa ter capital político o suficiente para tentar transferir votos a um candidato ao Senado apoiado por ele ou manter a própria pré-candidatura viável (plano B), caso o plano A dê errado.
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Uma luz (minúscula) no fim do túnel sobre o veto
Segundo políticos piauienses em Brasília ouvidos pelo boletim, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) voltou a dizer aos parlamentares inquietos que vai se esforçar para derrubar o veto do presidente Lula que diminuiu de 30 para 24 as vagas de deputados estaduais do Piauí e de 10 para 8 as de federal.

“Mas ontem mesmo o X (senador com força nacional) disse que o ambiente no Senado está difícil e não vê clima (para derrubar o veto de Lula)”, afirmou um deputado federal ao boletim. Um outro político de força eleitoral resume assim o prognóstico do tema: “Pra mim, está perdido. Soube que o Hugo Motta está se movimentando porque o estado dele, Paraíba, perde duas vagas. É uma desmoralização também para ele essa derrota, mas não tenho nenhuma esperança”. Pelo sim e pelo não…
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Narrativas como essência da política
Na política, quem tem a melhor narrativa (e não a melhor proposta), vence. Narrativas políticas são basicamente historinhas com começo, meio e fim, contendo heróis, vilões, vítimas, perdas e ganhos e, sobretudo, uma moral (isto é, a solução política proposta). Muitos erram pelo desequilíbrio dos componentes e criam narrativas não-factíveis (depois reclamam de sofrer algum tipo de “perseguição”, mas sabemos que não há “injustiça” na política. Os resultados são tudo).

Grupos políticos moldam narrativas para manter ou alterar o status quo. Se percebem estar vencendo, falam de estabilidade e minimizam conflitos. Se estão perdendo, ampliam a disputa, mobilizam novos atores e usam símbolos e metáforas de custo/benefício para desestabilizar o monopólio político vigente. A coalizão dominante perde espaço para outra, gerando a substituição de paradigmas, quando a balança da narrativa muda. Não é difícil de entender.
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Retórica eleitoral
Campanha eleitoral bem-sucedida significa só uma coisa: construção de mundos possíveis. A situação defende a continuidade (“está bom e ficará melhor”), enquanto a oposição propõe mudança (“está ruim e ficará bom”). A boa retórica política combina sedução (emoções, símbolos, jingle) e ameaça (risco de retrocesso), vinculando os candidatos a obras já realizadas e apresentando-os como garantidores de um futuro ainda melhor.
Os erros estão quando se aceita parte da narrativa do opositor. Se a narrativa da situação prevalece, o continuísmo se fortalece. Se a oposição deseja vencer, precisa desqualificar essa interpretação. Vence quem impõe a melhor interpretação do presente na visão do eleitor. Sem discussão.
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Se conselho fosse bom
Se você tiver clareza sobre o que deseja, senso de urgência e consistência para fazer o que você disse que ia fazer, independente de como você esteja se sentindo, pode ter certeza de que o único resultado possível é a obtenção das metas estipuladas. Comece pequeno, apareça todos os dias e depois aumente a intensidade.
Mas, se você acreditar naquele campo magnético negativo, que te distrai incansavelmente da realização do seu máximo potencial, você terá o resultado que merece. Quanto mais importante uma ação tem para você, maior é o grau de resistência interna para começar a concretizá-la. Lembre-se disso: a batalha tem que ser travada diariamente. Essa é uma guerra de vida ou morte.
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Cifrada dos Excluídos
Na Confraria do Meio, uma reunião está marcada para breve e deve definir algumas questões de cunho secreto. A principal é se o Cavaleiro Animado será convidado a não se filiar no grupo. Sim, a não se filiar… A fritura é grande, mas essa parte nem é a mais interessante. O que pega mesmo é a lista de convidados da reunião, afinal de contas, todos da Confraria do Meio devem se manifestar sobre os fatos, pelo menos em tese.
Mas o Cavaleiro Megasincero já mandou avisar ao Sábio Merlin (que possui hábeis poderes psiquiátricos), que a reunião é sem o Cavaleiro Acelerado e a Cavaleira Fiel Escudeira. Consideram que os dois são legalmente filiados, é verdade, mas não passam de infiltrados, não podendo opinar no futuro da tão antiga e nobre Confraria. Cada um no seu quadrado?
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Foto do dia
Como é possível que, em um dia a pesquisa Quaest divulgue que o governo Lula é desaprovado por 51% e aprovado por 46% dos brasileiros e no outro dia a mesma pesquisa aponte que Lula venceria Ciro Gomes, Tarcísio de Freitas, Ratinho Jr., Bolsonaro, Romeu Zema, Michelle Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Eduardo Bolsonaro e Eduardo Leite, liderando todos os cenários de primeiro turno e segundo turno para eleição presidencial de 2026?
Explicação: é que desaprovação é diferente de voto. O eleitor que não gosta e não aprova o Governo Lula mesmo assim pode chegar a votar nele mais na frente se ponderar as alternativas. Colocando na balança, se achar que os adversários são piores, vai de Lula. Tanto é que o atual presidente venceu assim em 2022.

Moral da história: o sucesso eleitoral de políticos relativamente impopulares não é um acidente. Quando não há candidatos oposicionistas fortes, ou quando a fragmentação partidária pulveriza o campo adversário, o eleitor tende a optar pelo “mal conhecido” em vez de arriscar-se com o “desconhecido”.
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A frase para pensar
“Um estrategista deve ter a consciência do impacto de uma ameaça vã para sua futura credibilidade”, Henry Kissinger (1923-), ex-secretário de Estado Americano.





