De Brasília – menos de nove meses do prazo final para o estabelecimento do registro de fusões ou federações no TSE para as eleições de 2026, as movimentações partidárias seguem intensas, uma vez que as siglas têm a cláusula de barreira para superar, se quiserem manter o direito de receber o Fundo Partidário.
A coluna conversou com o deputado Jadyel Alencar, do Republicanos, além de ouvir, em off, um presidente de partido e outro parlamentar com amplo trânsito em Brasília, que pontuaram os seus pontos de vista e alguns entraves que podem travar a concretização de fusões e federações até então encaminhadas. A seguir vamos discorrer sobre alguns deles.

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PSDB é uma incógnita
De acordo com o presidente de partido ouvido pela Termômetro, após o rompimento da federação que havia entre PSDB e Cidadania os caminhos se mostraram opostos para as duas siglas. O Cidadania se entendeu com o PSB, mas o PSDB ainda bate cabeça sobre seu futuro. “O PSDB ainda está com a cabeça no tempo em que eles rivalizavam com o PT, mas virou um partido nanico, se acham muito grandes e não conseguem se entender com ninguém”, disse o líder político.
O PSDB vem trabalhando a fusão com o Podemos, mas de acordo com a mesma fonte, o entendimento está difícil uma vez que os partidos não conseguem chegar a um denominador comum em relação à direção interna do que seria uma nova sigla. E assim ele resumiu a situação do partido: “O PSDB ninguém sabe pra onde vai”.
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MDB com Republicanos sai ou não?
O deputado Jadyel Alencar (Republicanos), ouvido pela Termômetro, destacou que a possibilidade de se concretizar uma federação entre MDB e Republicanos “existe e é muito grande”. A união dos dois partidos representaria uma força que seria a quarta maior do Congresso Nacional, com 88 deputados federais e 15 senadores. No entanto, discordando do deputado Jadyel, o outro parlamentar ouvido pela coluna diz que essa união não está tão certa assim: “Muita gente acredita que não vai sair (a federação MDB e Republicanos)…”.
Questionado sobre a possibilidade da união não “vingar”, o político fez uma análise da formação interna de ambas as siglas. “O MDB é muito complexo, é como se o próprio MDB em si já fosse uma federação, com a união que partidos diferentes, com histórias diferentes em cada estado. Já o Republicanos é mais uniforme, por isso, essa união pode ser complicada”. Questões para o dia de amanhã!
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PP e União Brasil, Solidariedade e PRD, PSB e Cidadania já estão acertados
Há pelo menos três federações que já estão sacramentados, pelo menos entre as lideranças partidárias, faltando ainda o registro no TSE. A primeira delas foi anunciada em abril e será batizada de União Progressista Brasileira (UPB), entre União Brasil e Progressistas, que marcou uma polêmica logo após o anúncio, já que o acerto para o primeiro presidente, que seria o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL) foi desfeito para dar lugar o atual presidente do União Brasil, Antônio Rueda. A presidência da federação será revezada entre as duas siglas, que contará com mais de 100 deputados e 14 senadores, sendo a maior bancada do Congresso.
Já no final de junho, foi a vez do Solidariedade e o PRD anunciarem um entendimento para a formação de uma federação com 10 deputados federais. Os partidos, que já haviam feito movimentações para superar a cláusula de barreira em 2023, quando o Solidariedade incorporou o Pros, e o PRD surgiu da fusão entre o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e Patriota, voltam a se movimentar para as eleições de 2026.
E no início de julho os presidentes do PSB, João Campos, e do Cidadania, Comte Bittencourt, selaram um acordo para a formação de uma federação, que contará com 20 deputados federais. As bases já foram definidas internamente, restando apenas as formulações burocráticas para a concretização do projeto. Todos em compasso de espera…
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Em busca da sobrevivência
No ambiente selvagem os animais utilizam o seu instinto de sobrevivência para se proteger e, de forma resumida, para garantir a perpetuação de sua espécie. Em um ambiente mais civilizado, mas não menos perigoso, os partidos políticos também utilizam esse instinto de sobrevivência e se desdobram para atingir a cláusula de desempenho ou barreira, garantindo que terão acesso ao fundo partidário.
Valores do Fundo Partidário
Só contextualizando: de acordo com dados da Justiça Eleitoral, somente nos seis primeiros meses de 2025, o Fundo Partidário distribuiu mais de R$ 573 milhões aos diretórios nacionais de 19 legendas, que receberam ainda mais R$ 45 milhões referentes a multas eleitorais arrecadadas no período de janeiro a maio. Os valores que cada partido têm a receber são baseados no número de deputados federais que cada sigla elegeu nas eleições anteriores.
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Partidos têm um prazo
Segundo a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), a partir de 2024 o prazo para a formalização de partidos políticos em federações deverá ocorrer com antecedência de até seis meses antes das eleições. Contando que o primeiro turno das eleições de 2026 serão realizadas no dia 04 de outubro de 2026, então o último prazo para que os partidos obtenham a aprovação no registro no TSE será no dia 04 de abril de 2026. Ou seja, a partir de hoje as siglas têm menos de nove meses para gerir suas novas formas de existência. O tempo urge.
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Quem sobe
Geraldo Alckmin

O vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, recebeu do presidente Lula a missão hercúlea de estar à frente da negociação frente aos Estados Unidos relacionado à taxação de 50% das exportações brasileiras. Em entrevista no Palácio do Planalto nesta segunda, ele afirmou que o governo brasileiro tem um plano de contingência bastante completo para responder aos Estados Unidos e que o governo está empenhado para solucionar o problema antes de 01º de agosto. Alguns acham que a confiança pode ser sinônimo de permanência do vice na chapa de 2026.
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Quem desce
Ursula von der Leyen

Após o anúncio de que havia firmado acordo entre a União Europeia e os Estados Unidos relacionado às tarifas impostas pelo presidente Trump, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen recebeu duras críticas de diversos líderes europeus, como primeiro-ministro francês, François Bayrou, que acharam que a negociação não foi favorável à União Europeia. Os produtos europeus passarão a ser taxados em 15%. Já o aço e o alumínio seguem com sobretaxa de 50%. Além disso, a União Europeia deverá investir US$ 600 bilhões nos EUA e firmar acordos para compra de energia e equipamentos militares norte-americanos.
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Tendência do dia
Reforço da parceria Brasil-China. Maior parceiro comercial do Brasil, concentrando 28,75% das exportações brasileiras, a China anunciou nesta segunda-feira, 28, por meio do seu porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, que o país está disposto a trabalhar com o Brasil para defender a equidade frente aos Estados Unidos.
As tarifas de 50% para todas as importações brasileiras direcionadas aos Estados Unidos, impostas por Donald Trump, devem entrar em vigor na sexta-feira, 01º, o que têm preocupado todo o setor político e econômico brasileiro. O porta-voz chinês reforçou o papel da OMC (Organização Mundial do Comércio) para defender as transações comerciais entre os países. “A China está disposta a trabalhar com o Brasil, com outros países da América Latina e do Caribe, e com os países do Brics para defender em conjunto o sistema multilateral de comércio centrado na OMC e proteger a justiça e equidade internacionais”, disse.
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Fala(s) marcante(s)
“O Piauí teve ministro com Bolsonaro! Se chamava Ciro Nogueira! Era o mais importante! Ele vetou verbas para o seu próprio estado e fez parte do projeto que colocou o Brasil de volta no mapa da fome! O Piauí tem ministro com Lula! Se chama Wellington Dias. Ele abre portas para que o seu estado receba recursos e hoje foi reconhecido pelo mundo por retirar o Brasil do mapa da fome!”
Deputado estadual Fábio Novo, via Trends
“Podemos falar de um ministro que levou obras pra Saúde, Educação, Social e Infraestrutura em todo o Piauí da zona urbana à rural? Que já trabalhava pelo estado como senador e continuou como ministro? Ciro Nogueira destinou recursos para os 224 municípios do Piauí. Enquanto dizem que o Brasil saiu do Mapa da Fome, o Piauí segue entre os estados com maior insegurança alimentar. Difícil comemorar assim. E quem governou o Piauí por 4 mandatos e deixou essa realidade? Acertou quem disse: Wellington Dias.”
Joel Rodrigues, presidente estadual do Progressistas do Piauí, em resposta ao deputado Fábio Novo
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Agenda reservada
O deputado federal Júlio César (PSD) segue reforçando sua agenda política como pré-candidato ao Senado em 2026. O parlamentar, que é conhecido por ser defensor da causa municipalista no Congresso Nacional, mira nos colégios do senador Ciro Nogueira (PP).
Júlio anunciou a adesão do prefeito Neto, do município de Bela Vista do Piauí. Neto era um apoiador de Ciro. “Nosso compromisso com Bela Vista está firmado e com todo o estado também. Gratidão”!. Agora é a hora de saber como Ciro irá reagir com os prefeitos do PSD. A temporada de caça às lideranças está aberta.





