Boletim 18/08/25
Só há dois fatos pendentes para a eleição de 2026: um é a derrubada do veto do presidente Lula sobre a diminuição de vagas de deputado estadual e federal da bancada piauiense (leia aqui algumas ponderações sobre o tema). “Isso é quase irreversível e faz com que os caras fiquem mais desesperados. É difícil manter essas pessoas como buchas nas chapas”, pondera um observador político experiente, em reserva.
O outro é a possibilidade de formação das chapinhas, o que vai contra o desejo expresso pelo Palácio de Karnak de ter apenas duas chapas de federal (PT e PSD) e duas de estadual (MDB e PT). Ou seja, além da cada vez mais provável chapa do Republicanos de deputado federal (ponto para Jadyel Alencar, que fez um evento prestigiado hoje pelo presidente nacional, Marcos Pereira, no Piauí), uma quarta chapinha está sendo articulada e pode contar, segundo apuração do boletim, com o ex-deputado federal Fábio Abreu (PSD), o deputado federal Florentino Neto (PT) e o deputado estadual Franzé Silva (PT).

O partido? Pode ser PDT, mas também PSB ou um terceiro, incógnito (leia minha última coluna sobre o assunto). As consequências podem ser maiores. Falaremos disso hoje.
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Eu faço ou que eu quero ou faço o que ele quer?
“E aí outros poderiam se rebelar e tentar montar chapinha para estadual, uma alternativa entre as chapas da morte do PT e do MDB. A questão é se é melhor eu eleito e ele (governador Rafael Fonteles) ficar chateado, eu teria quatro anos pra ele me perdoar. Agora se eu fiz o que ele quis e não ganhei, ele não vai nem saber que eu existo, de que adianta fazer a vontade dele?”, questiona uma fonte, explicitando a encruzilhada em que muitos políticos se encontram nesse momento.
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Junta todos os suplentes e faz uma chapa de estadual?
Uma chapinha de federal (Republicanos, de Jadyel Alencar), ok, tem chances concretas de vingar. Outra chapinha de federal (Franzé, Fábio Abreu e Florentino): mais distante, mas não impossível. Agora chapinha de estadual (uma chapa na base além do PT e do MDB), pera lá! As elucubrações foram longe demais… Se juntar todos os potenciais suplentes, faz uma chapa de estadual, alternativa ao PT e ao MDB, sim ou não?
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Todo mundo tem medo de ser o primeiro
Um político que vai para uma chapa oficial (PT ou MDB) diz que está fora dessa.
“Eu já dei minha palavra pro governador e não volto atrás. Agora se o governador abrir pros outros, se porventura surgir uma chapinha, que eu não acredito, fica ruim, né?”.
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Eu duvido que tenham coragem
“Quem deles (candidatos a deputado estadual) que tem coragem?”, questionou um deputado estadual ao boletim. A colunista respondeu: “Não sei de cabeça… acho que nenhum”. “Pois então. Não tem um único que tem como fazer chapa. O único que podia era o X (candidato a estadual), mas ele não tem coragem de bater de frente com o homem”. Então…
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Independência ou morte
Os deputados federais têm muito mais margem de manobra do que os estaduais para fazer movimentos como mudança de chapa, à revelia do que deseja o Palácio de Karnak. É que os federais possuem emendas pagas pelo Governo Federal, obviamente, não indicam secretarias estaduais e pouco espaço possuem na gestão Fonteles. Devem pouco a Rafael, ao contrário dos estaduais, cuja dependência é bem maior (emendas, centenas de cargos, cotas de obras e etc).
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Partindo na defesa do Bandeira
Petistas e não petistas estão sendo instados a irem para a linha de frente da opinião pública para fazer a defesa do nome do secretário estadual de Educação, Washington Bandeira, como vice de Rafael Fonteles na chapa de 2026. Bandeira tem respeito da classe política, pelo currículo peso pesado e postura diplomática, sem maiores arestas. A missão, portanto, deve ser executada sem dificuldades.

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Vou atender, mas preciso consultar o cacique
Ah, antes que eu esqueça, uma parte do PT, no entanto, oscila em atender prontamente a provocação do andar de cima para defender Bandeira como vice. Essa turma tem elaborado consultas intricadas ao oráculo da capital federal, que ainda não deu a diretriz do que fazer. Eles aguardam os sinais.
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Limiar de dor
Considero bem simples entender se uma pressão política vai vingar ou não. Basta compreender que atores políticos só aceitam concessões até o ponto em que o custo de ceder não ultrapassa o de resistir. Vamos lá. Esse limite é variável e depende do capital político acumulado, da pressão social e do tempo disponível, certo?
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Teoria dos Jogos
Pense que dois motoristas correm em direção um ao outro: se ambos não desviarem, colidem; se um desviar, perde espaço; se os dois desviam, evitam o pior, mas ficam em empate. O cálculo político está em descobrir até onde o adversário suporta ir sem “desviar”, e qual é o custo reputacional, econômico ou eleitoral da colisão. O limiar de dor é isso: ele define quem pisca primeiro.
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Joel na cabeça e Margarete na vice?
Questionado pela colunista sobre quando haveria a troca do cabeça de chapa da oposição da ex-deputada federal Margarete Coelho para o ex-prefeito Joel Rodrigues, o senador Ciro Nogueira respondeu só com uma figurinha reflexiva. A colunista seguiu perguntando se a chapa seria pura, com Margarete como vice de Joel (ela já foi vice em outro contexto, naquela vez, do então governador do PT, Wellington Dias). Ciro não respondeu mais nem com uma figurinha… O leitor conclui o que disso?

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Só troco quando o Tarcísio sair candidato também
Insatisfeita com as não-respostas de Ciro, o boletim abordou outro oposicionista, que foi mais rápido no gatilho: “Vocês vão trocar quando os candidatos na chapa do Governo?”. Resposta: “No momento certo”. Colunista: “Mudou alguma coisa esses dias?”. A fonte: “Mudou, mas não posso te falar”. A colunista, insistente: “Estão esperando o quê?”. A tréplica: “Se nem o Tarcísio (de Freitas, governador de São Paulo) é candidato oficial ainda…”. Captei vossa mensagem!

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Pequeno manual da crise de imagem para homens públicos
O então prefeito Firmino Filho disse, durante a pandemia de Covid-19, que iria tomar as duras medidas necessárias e recomendadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para minimizar o contágio, mesmo que para isso tivesse que perder a eleição.

De fato, Firmino tanto tomou as ações que fizeram a pequena, média e grande classes médias chiarem, como não fez o sucessor, Kléber Montezuma, em Teresina (ganhou Dr.Pessoa e o resto é história). Mas o capital político de Firmino ainda hoje e, mesmo após sua morte, é enorme no imaginário político dos teresinenses. Há de se ter coragem para enfrentar os problemas de frente. Sempre tem um custo.
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3 lições para encarar os problemas da vida pública
Lições? 1) A primeira (estou pegando as ideias do consultor Mário Rosa como referência) é controlar o tempo da narrativa. Quem fala por último, abre espaço para ruídos e narrativas. 2) Negar a realidade é ampliar o problema. O culpado deve assumir a responsabilidade sem, contudo, aprofundar a própria culpa. Caso contrário, pode soar arrogante, frio e alheio à gravidade do problema.
3) Quando a crise acaba? A crise só acaba quando a sociedade tem uma nova agenda para substituir o problema anterior. Qual a solução? É preciso reduzir o espaço narrativo do erro e substitui-lo pelos novos horizontes de medidas cabíveis.
Enfim, se for útil…
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Se conselho fosse bom
Você não precisa viver com um conjunto de regras que não criou. Não aceite um trabalho que você odeia, um corpo que você não suporta e uma mente que lhe odeia. Você pode perder muito tempo se explicando e tentando ser aceito por pessoas que nunca deveriam nem estar na sua vida, para começo de conversa. A maioria acha que precisa sacrificar a própria saúde e felicidade para conseguir o que quer da vida, mas isso não é verdade.
“O que eu faço com a minha vida?”. Bom, só há resposta válida: progredir nas únicas coisas que realmente importam, ou seja, uma mente tranquila, um corpo forte, um espírito corajoso e um trabalho que contribui para algo maior do que você mesmo. Se você não lida bem com rejeição, alguns fracassos e progresso lento, essa boa vida não é mesmo pra você.
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Cifrada do Infiltrado
No Reino Fervente, a longas léguas daqui, a Confraria dos Azuis segue silenciosamente desconfiada de um aliado que sempre foi fiel e necessário no mundo dos bits. O cavaleiro Truman Capote é acusado pelos pares, à boca miúda (pois eles não têm coragem de falar na cara), de ter aderido a mais de um lado. Estaria, segundo esses intrigados colegas, pegando muito mais leve contra um adversário comum. Os aliados queriam mais empenho e coisa e tal, mas também sabem que não podem cobrar nada de Truman…
Já para os aliados de Truman Capote, tudo não passa de intriga interna, pois no grupo dos Templários Eufóricos, a turma não se tolera e um quer passar o trator por cima do outro – e quando não tem motivo, inventa! Ao fim e ao cabo, será que tudo não passa de uma estratégia calculada para autopreservação e sobrevivência na selva… afinal, não é cada um que sabe onde seu calo aperta?
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Foto do dia

“A Câmara (de Teresina) está até um pouco revoltada. Ele (Sílvio Mendes) está querendo jogar a culpa na gente porque a prefeitura não está rodando e ele quer dizer que são os gastos dos vereadores. A galera aqui não tá gostando muito dele não”, respondeu um vereador da capital sobre as últimas falas do prefeito Sílvio Mendes sobre os custos do Parlamento Municipal, que Sílvio classificou como altos.
Bom, considerando que os vereadores não são bem os mais queridos pela opinião pública (vide pesquisa Amostragem, divulgada pelo 180 Graus, apontando que somente cerca de 30% dos teresinenses confiam nos vereadores), Sílvio tem seu alvo declarado do segundo semestre: o Legislativo (o primeiro semestre foi antagonizado pela gestão de Dr.Pessoa, mas já deu, né? Passou).
Respostas a Sílvio? Um outro parlamentar ouvido pelo boletim sugere: 1) “Não ir para o embate direto com ele” e 2) “arrochar nas CPI (do rombo e do lixo)”. A conferir.
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A frase para pensar
“É impossível. Vossa Excelência não teria suas manhas se tivesse meus talentos”, José Bonifácio de Andrada e Silva (1763-1838), político e estadista, respondendo em 1829, ao marquês de Barbacena, que lhe sugeriu: “O bem público seria favorecido se eu tivesse seus talentos ou se Vossa Excelência tivesse as minhas manhas”.
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Música da semana
A cantora Manda (nome artístico de Amanda Rodrigues) provoca, no início da música “Coragem”: “Deixa eu te propor, tente imaginar / Você de 10 anos atrás / Te chamando pra conversar / O que você vê, você sente o quê?”. É um exercício deveras curioso. As pedras atravessadas no passado, as colheitas frutíferas das sementes plantadas no deserto, as mudanças imprevistas no curso do rio…
No final, ela própria tem a resposta: “Não quero ir embora sem deixar mais uns conselhos pra você /Beba mais água e tente ser um pouco mais gentil com você”. Bebam água e sejam gentis. Continuará valendo daqui a 10 anos…
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Feito à mão
O que o chargista Rico trouxe pra gente hoje?






