O que os Rafaboys pensam da turma de Wellington Dias e o que os dinossauros do PT acham dos meninos de Rafael: a versão sem filtro

Boletim 15/12/25

(Prólogo: O que uma pessoa relativamente bem informada não sabe é um ponto crucial na história. É isso o que deve ser buscado.1

Para os dois ou três gatos pingados que perceberam, sim, houve um hiato entre as colunas por motivos de trabalhos além da escrita e projetos acadêmicos paralelos. Apesar dos indícios contrários, a colunista tem uma vida… Ainda assim, o único objetivo do boletim é descobrir coisas interessantes. Como não suporto o estilo de escrita do ChatGPT, prefiro esperar no caso de não poder escrever como o leitor merece. Mas sempre volto2)

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Basta acessar GP1, 180 Graus, Lupa 1, Dito Isto, Encarando, OitoMeia, Meio Norte, Cidade Verde, Antena 10, Iel Cast e demais veículos de mídia local para saber o que os petistas ligados ao ministro do Desenvolvimento Social e senador, Wellington Dias, pensam.

Já os Rafaboys (integrantes do núcleo duro do governador do PT, Rafael Fonteles) são fechadões e não curtem esse negócio de conversar no off (sem registro da fonte) com a imprensa. O que é uma pena (para eles), pois o discurso preponderante na opinião pública é mesmo o do PT raiz, ou seja, o de Wellington. O espaço público é ocupado por quem fala mais e mais alto. Essa é uma regra universal.

Mesmo assim, por uma sorte do destino, a colunista conseguiu saber de um Rafaboy que acordou num dia particularmente expansivo e animado, sobre o que ele estava achando dessa conversa toda de ruído eleitoral na chapa de 2026 e coisa e tal. 

“Existe uma insatisfação do RF ter escolhido o Washington (Bandeira, secretário de Educação) como candidato a vice e o pessoal da turma do Wellington fica sempre na bronca. Rafael tem um estilo que não prioriza a política, que era como o Wellignton fazia, em que o pilar mais importante da gestão era política. O Rafael priorizou a gestão e a ponta, contato com o povo. Isso gerou um estranhamento que até hoje a turma não caiu a ficha e bateu mini-revanchismo”, ponderou o insider.

A turma de Wellington discorda, claro. Falemos deles mais adiante. Vamos aproveitar mais um pouquinho o que o Rafaboy tem a dizer, leitor.

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Quem sabia fazer gestão mesmo era o WDias…

Apesar de admitir que houve sim um “destensionamento” na relação entre Wellington Dias e Rafael Fonteles nas últimas semanas, petistas antigos, especialmente com trânsito na capital federal, não deixam de comparar as gestões – favorecendo, segundo eles, Wellington em detrimento de Fonteles. “O Governo do RF está com alguns problemas de gestão, a gente percebe que o grande gestor era o Wellington. Dificuldade de fornecedor, pessoas de dentro, servidor não gosta, mais um empréstimo foi pedido, enfim”, disse um ex-secretário estadual poderoso.

Mesmo assim, nessa altura do campeonato (há um ano do pleito), Wellington Dias tinha seus 36%/38% de aprovação na gestão enquanto Rafael chega a 80%, segundo pesquisas divulgadas pelo próprio Governo como estratégia de demonstração de força perante a opinião pública. Guardemos essa informação.

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Podem estrebuchar à vontade, meus amigos

O que essa arguta testemunha política do mundo Rafaboy acha que vai acontecer com as resistências da classe política tradicional à escolha de Rafael por Washington Bandeira na vice? “Vão só estrebuchar. Só se acontecer o imponderável… sabe como é? Washington está indo em todas as agendas praticamente com ele (RF), e em festas particulares ele (governador) fala que o Bandeira é o escolhido. Não tem segredo mais” 

Para o Rafaboy ouvido, o que existe hoje é uma “troca de líder” na centro-esquerda piauiense. “Wellington fica numa espécie de limbo com essa transição do Rafael assumindo o poder definitivamente, porque ele (WDias) não acho que seja ministro no segundo mandato se o Lula se eleger. O Rafael pode ser ministro (se Lula se reeleger e o convidar)”. Mais claro que isso, a colunista acredita ser impossível…

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Wellington Dias e o estilo de tomar decisão em cima da hora

Para ser um bom político é preciso saber suportar ataques e humilhações sem colapsar. Tem que conseguir ler sinais fracos de hesitação e desconforto antes que eles se materializem em ação contra seus planos afinal, os idiotas são maioria e costumam alegar ter “boas intenções”, seja lá o que isso signifique. Por isso mesmo, bons políticos são poucos (não se trata aqui de “políticos bons”, aí é outra conversa). 

A história mostra que há um modus operandi e que dificilmente os sujeitos fogem daquilo que sabem fazer e lhes rendeu bons resultados em contextos anteriores. Gato escaldado… O ministro Wellington Dias, por exemplo, tem o histórico de executar jogadas em prazos exíguos, utilizando o tempo a seu favor. Se não funcionasse, não teria sido quatro vezes governador, claro.

Foi assim que escolheu a petista histórica Regina Sousa de vice, trocando o nome já consagrado do então presidente da Assembleia Legislativa do Piauí, Themístocles Filho (MDB), em 2018. Dessa forma também renunciou ao Governo em 2010, mesmo tendo dito na véspera que não sairia do cargo para o vice, Wilson Martins, então no PSB, assumir. Esses são os fatos.

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Rafael e o estilo de decidir hoje um negócio que vai valer por 10 anos

Já o governador Rafael Fonteles, sucessor de Wellington, parece gostar de compromissos prévios de longo prazo, palavras mantidas sob sol e chuva. Falou, está falado e considere feito. Só que no Piauí chove pouco e o sol torra o juízo de um. Às vezes as pessoas simplesmente mudam de ideia. Não é o caso de Rafael. Mas é o de Wellington. Um é maleável como água. O outro é inflexível como rocha.

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Lula pode fazer uma intervenção educada no Piauí para ter um senador do PT

Dezenas de conversas depois, a colunista conclui que a cartada que Wellington Dias pode sacar para fazer valer sua vontade política, não agora, mas perto do prazo de desincompatibilização dos gestores públicos para disputar eleição (abril de 2026) é convencer o presidente Lula a intervir educadamente no Piauí. Releia em caso de dúvida.

Lula, que costuma ter seus 70% a 80% de votos independente de pisar no estado ou não, precisa pouco do palanque de Rafael Fonteles para se reeleger presidente no quarto mandato. Todavia, necessita desesperadamente, de mais um senador do PT. Precisa de base no Congresso. Precisa de governabilidade.

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O Senado ou nada

Mais de um petista e alguns emedebistas acreditam, reservadamente, que o presidente Lula irá intervir no Piauí para definir no ano que vem não quem vai ser o vice de Fonteles ou picuinhas que não refletem em nada para Lula aqui em Brasília.

Lula quer saber de senadores do PT ou aliados irrestritos da esquerda (pode-se dizer isso do deputado federal Júlio César, pré-candidato a senador pelo PSD?). O Senado vota (ou barra) impeachments de presidentes e ministros do Supremo Tribunal Federal. É a Casa Alta, sênior, a última barreira de contenção e a garantia da governabilidade. Os votos de um estado com eleitorado pequeno como o Piauí fazem pouca diferença para eleger um presidente da República. Mas com a proporcionalidade de três senadores por estado, seja esse estado rico ou pobre, o Piauí ganha outro peso.

De quebra, Lula ainda tentaria derrotar o senador Ciro Nogueira, um dos principais líderes da direita no Congresso Nacional. Não é pouca coisa.

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Hipótese: Chico no Senado

 “Tem essa história de que o Lula vai chamar o Rafael para colocar o Dr.Francisco Costa (deputado federal) como senador e o Júlio César como vice do Rafael. Acho que o Francisco não toma essa aventura pois tem o mandato certo de deputado federal. Ou então poderia ser o Chico Lucas (secretário de Segurança) no Senado. Chico é popular, muito trânsito em Brasília e está indo bem na pauta da segurança pública, que é o tema do momento. O que o RF (Rafael Fonteles) ganha com isso? Nada. Por isso não vai acontecer”, pondera, pragmática, uma águia política de Brasília ligada a Wellington Dias. Mesmo assim a colunista acha por bem fazer o registro.

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Toca em frente e finge que nunca indicou ele

É difícil, para quem conhece Fonteles, admitir que ele aceitaria a derrota da escolha do seu vice, Washington Bandeira. Para outros, não é bem assim não… “O Rafael já teve a derrota aberta (eleição municipal, com os candidatos em Teresina, Parnaíba e Floriano, derrotados). Ele vira a página e toca a vida, ainda vai dizer que nunca indiciou o Bandeira!”, pondera um defensor dessa ideia.

Se parte do núcleo político considera impossível que Bandeira seja vice, no núcleo governista, é impossível Bandeira não ser vice.                                                       

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Quinta coluna

Não se trata de quem vai indicar qual cargo na chapa majoritária de 2026. É que quem está sentado na cadeira tem acesso ao cofre, domina a agenda e consegue largar 98 metros na frente dos adversários numa corrida de 100 metros (advinha quem ganha?). A cadeira é de Rafael Fonteles e ele quer deixar o secretário de Educação, Washington Bandeira, no lugar. Hoje, a oposição vem de uma espécie de quinta coluna dentro do próprio petismo, que refuta o nome de Bandeira, alegando ser ele “pouco conhecido”. Obviamente não se trata disso.

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Bandeira mais solto? Aguarde para o ano que vem

Se tem alguém que não tem culpa do imbróglio entre criador e criatura é Washington Bandeira, que faz tudo dentro do scrip recomendado e, segundo um Rafaboy ouvido em reserva pela colunista, “vai ficar mais solto no ano que vem”.

Ficar mais solto é: tocar conversas políticas e negociações eleitorais, cuidar da campanha. Para o observador político ligado à gestão, quando Rafael antecipou a escolha de Bandeira (avisando a todo o mundo político), ele não deu margem a negociações de alternativas. “Foi um movimento acertado do Rafael, antecipar o Bandeira”.

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Ele não sai em janeiro não

“Ele (Washington Bandeira) está amarrado, mas é porque o Rafael não liberou ainda”, completa o Rafaboy sobre o desempenho de Washington nos bastidores politicos. A possibilidade de que Bandeira deixasse a Seduc antecipadamente para se dedicar à campanha (e também consolidar-se na cadeira de candidato a vice) foi rejeitada por uma fonte do círculo próximo do poder de Fonteles: “Não procede”, respondeu, sucintamente, mas com todas as letras necessárias para a compreensão da humilde cronista.

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Tá liberado

Parece que o negócio de políticos da base tirarem fotos com o senador Ciro Nogueira (PP) deixou de ser exceção. Isso é, afinal, o que grupo de Ciro almeja. Um político que nunca havia sido clicado com Nogueira, por exemplo, recentemente topou sair no registro. “Rapaz, eu falei: ‘Vamos tirar, tá todo mundo tirando, Marcelo (Castro), PT. Tá baldeado”, brincou.

O senador e ministro Wellington Dias, por sua vez, evitou o clique (aí já é demais), no entanto, topou a conversa, segundo relata uma testemunha durante evento no interior que contou com a presença de Ciro e Rafael Fonteles. “Wellington viu o Ciro, levantou e foi falar, conversando e rindo, não foi só eu, todo mundo viu”.

Ciro Nogueira e o deputado estadual Tiago Vasconcelos, do MDB, um dos últimos da base que ainda não tinha feito um clique com Ciro. Tiago vota, ainda, em Marcelo Castro e Júlio César. Ah, bom…

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Querer tudo

A posição no núcleo mais próximo do poder estadual ainda é ambígua e cercada por desconfianças em relação ao deputado estadual e pré-candidato a deputado federal Georgiano Neto, do PSD.

“O Georgiano quer tudo e querer muitas coisas é um problema. Um presidente alinhado, pai senador, mãe senadora e quer Rafael (Fonteles) refém dele nos próximos quatro anos”, disse, em análise fria ao boletim um político governista. Para esse gestor, Georgiano é o maior beneficiado no Piauí se o futuro presidente da República for de direita. “O pai dele (Júlio César, deputado federal) seria o mais forte se o presidente fosse de direita”.

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Efeito contrário

Apesar disso, parece que alguns esqueceram o básico sobre política: quanto mais batem em Georgiano (os discursos públicos contra ele são sobre uma suposta invasão de bases, que parece ser real, mas nada de outro mundo) só fortalecem a exposição do nome do filho do deputado federal Júlio César. E o eleitor só vota em quem conhece. Querem enterrar Georgiano mas, indiretamente já estão fazendo campanha para ele ser candidato a governador em 2030?

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Contrata-se: vaga do Centrão para o Senado

Com Marcelo Castro mais ou menos (com tendência para “mais”) consolidado na vaga da centro-esquerda ao Senado Federal, e a despeito de ter dobradinhas Ciro Nogueira (PP) e Júlio César (PSD) aumentando, Ciro segue reconhecido como “firme e forte” ao Senado. “Quem vai ser o senador do Centrão no Piauí é a vaga que está à disposição: Ciro ou Júlio César”, admitiu um político rafaelista em conversa reservada com a colunista. Ou seja, os governistas ainda não abraçaram a campanha de Júlio César. Enquanto isso, as bases de Júlio combinam com as de Ciro, é a vida real…

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Tonara que o Joel cresça pra equilibrar as coisas e o Rafael valorizar a gente

O cargo majoritário é o reconhecimento de que há um líder isolado. O que não é um problema para o governador Rafael Fonteles, a despeito da torcida contra da própria base. Pois é… Entre os governistas, parece que há um tipo de expectativa velada para que o ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues (PP) pelo menos comece a ameaçar a hegemonia petista, o que ainda não parece ser o caso. “Dizem no interior que o Joel pode ser o novo Mão Santa, RF tem que ter cuidado porque não vai ter WDias e não tem traquejo, foi só isso que eu ouvi”, relata ao boletim um experiente profissional de bastidores políticos. 

Mas a verdade é que Joel só cresce se: 1) tiver uma onda popular ou 2) nomes da base deixarem o projeto de Rafael. Sobre o último tópico, a oposição insiste na colagem informal da imagem de Joel com políticos petistas, emedebistas e peessedebistas. “Basicamente os políticos acham que o Joel pode ser mais amigável, palatável, do que o Rafael, mas ninguém vai deixar a base por causa disso”, acrescenta o interlocutor.

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Made in Piauí, via Maranhão

Todo mundo sabe que o Maranhão faz divisa com o Piauí e há sim muitos piauienses vivendo no território vizinho. Deve ser por isso que cada vez mais parlamentares federais piauienses estão enviando emendas para o Maranhão. A colunista comentou, inocentemente, o fato a um interlocutor, que defendeu a prática com argumentos fora da caixa (eufemismo): “Rapaz, é pra ‘tirar a campanha’. Z (deputado), por exemplo, é uma pessoa séria e faz porque o jogo é assim…”. Ahh, bom!

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Febre de Rolex e cegueira de relógio

Uma doença antiga entre as esferas rarefeitas do poder piauiense tem ganhado novas versões. É a “Febre do Relógio”. Sintomas: ter a necessidade incontornável de adquirir relógios que custam o preço de uma casa no Alphaville (condomínio de luxo de Teresina). Consequências: inveja de amigos e inimigos (ora, a meta é essa!), atenção especial dos agentes da Receita Federal (xiii!) e dívidas quando o olho é maior que o bolso (quem não tem um amigo agiota?).

Aos interessados, por que não começar com um relógio “acessível”? Um Rolex pode ser adquirido por 60 mil reais, por exemplo. Já relógios “inacessíveis”, bom, vamos de RM (Richard Mille), Patek Philippe e AP (Audemars Piguet). “O X (deputado federal e empresário) e o Y (senador importante) andam com Pateck de 2 milhões de reais e original. Eu fico com o meu Rolex de 100 mil reais porque não tenho essa cegueira por relógio, sabe?”, informou um crítico observador da cena política (e relojoeira) ao boletim. Humildade acima de tudo, Deus acima de todos!

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Até que enfim 

Balanço da eleição para a vaga de desembargador pelo Quinto Constitucional (vaga da advocacia) do Tribunal de Justiça do Piauí, que no final das contas elegeu Mário Basílio para a missão (para quem não sabe, ele já estava eleito na Austrália faz tempo): “RF (Rafael Fonteles) muito incisivo, usou os cartuchos. Do outro lado, se tem um lugar que pode trair e quase não sofrer as consequências é o TJ. Cumpre acordo quando interessa a eles”. E cumpriram…

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Acaba pelo amor de Deus

Desembargadores estão aliviados com o fim da novela do Quinto. Um deles desabafou a ouvidos que a colunista também compartilha o acesso. “É pedido demais, deputado federal e senador, tanta gente… Estou pagando todas as minhas ‘dívidas’ nessa eleição!”. Já deu, né gente? Até pra eles, quem dirá para nós, reles mortais!

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Inevitável

“Mário Basílio é inevitável… Mesmo com ingresso sequestrado e resgate pago. Só não pode ser revitalizado pela síndrome de Estocolmo”, analisou um jurista que já havia cantado da pedra da eleição de Basílio ao TJ-PI (aliás, quem não?). Alguém pode traduzir?

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Basílio na Civil, Lopes na Criminal

Mário Basílio deveria (passado) ficar seis meses na Câmara Criminal do TJ-PI. A que decide se as pessoas ficam presas ou soltas, sabe? Mas, com a próxima aposentadoria prevista (desembargador Antônio Lopes) para daqui há seis meses, houve uma troca: Basílio vai para a área Civil, onde tem expertise, e Lopes fica na Criminal.

Que comecem os novos jogos!

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Câmara Criminal… ou de gás?

Com a ida do desembargador Antônio Lopes para a Câmara Criminal, um advogado criminalista dos mais renomados, disse ao boletim que os colegas agora estão chamando o lugar de “Câmara de Gás”. Sim, leitor… A trio parada dura tem: José Vidal, Antônio Lopes e Joaquim Santana. 

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Apostas sobre o final do caso Tatiana Medeiros

Juristas ouvidos pelo boletim a respeito do caso Tatiana Medeiros (vereadora de Teresina acusada de corrupção eleitoral e organização criminosa) acreditam que “se não houvesse todo esse clamor em relação às facções, as cautelares cairiam e ela nem teria o mandato cassado”. Bom, o problema é que tem, leitor, o tal clamor. De onde vem e como se alimenta, são outros quinhentos… Pegam mais no pé por ela ser mulher?

“Ela virou um símbolo. Há uma pressão pra ela renunciar, para cair as cautelares, mas ninguém sabe se isso vai acontecer. Ela demonstra que se voltar pra Câmara já vai levantar a cabeça. Também vejo que não é momento gastar energia pra pedir volta da ONG, os pedidos ficaram muito pesados. O ideal era fazer pedidos pequenos porque qualquer vitória seria importante pra ela”, pondera um jurisconsulto entendido do tema “processo criminal”. Veremos.

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E sobre o Alandilson

Já um outro especialista em leis, enxerga, em resumo, que se o processo for a julgamento da forma que está, sendo valorada a prova emprestada da Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico do Piauí (Denarc), em especial, a extração de dados do aparelho telefônico do Alandilson dos Santos (namorado de Tatiana Medeiros, acusado de ser faccionado), haverá realmente a condenação pela prática dos crimes de corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto e uma possível associação criminosa. 

Se for determinado o desentranhamento da prova, no entanto, caberá um esvaziamento completo da ação penal. É o que a defesa espera. (Para entender essa questão da competência das provas, sugiro ler essa matéria do G1 Piauí). O caso todo é emblemático para a política piauiense, por isso a atenção do boletim.

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Para ler, ver e ouvir

Recém-lançado, “Brasil no espelho: Um guia para entender o Brasil e os brasileiros” (224 páginas, Globo Livros), de Felipe Nunes, cientista político e CEO do instituto de pesquisa Quaest, é leitura fundamental para quem orbita o poder ou pelo menos tem a pretensão de entender por onde pisa. 

De leitura descomplicada, o livro é um compilado de pesquisas quantitativas que mostram como o brasileiro se enxerga, como vê o outro e de que forma isso condiciona o comportamento político e o voto. Para quem, assim como a colunista, acredita que voto vem de percepção e esta é oriunda dos afetos, nada mais recomendado do que um diagnóstico que não é uma receita de soluções, mas um mapa a caminho delas.

Com Nunes ficamos sabendo que, quanto maior a escolaridade, menor o orgulho do Brasil, que para estar satisfeito com a vida, o brasileiro precisa sentir o controle sobre a própria existência e essa satisfação está ligada ao trabalho e ainda que três em cada quatro pessoas está descrente de soluções coletivas, acreditando que só podem contar consigo próprias para conquistar o que desejam. É o desamparo. Mesmo assim, 96% dos brasileiros acreditam que “Deus está no comando”. É a fé.

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Se conselho fosse bom

Sua meta deve ser se tornar alguém verdadeiramente livre, ou seja, impossível de constranger, não existindo nada que alguém possa fazer ou falar para reduzir seu bem-estar. Seja calmo, compassivo e firme com a imperfeição dos outros, ao mesmo tempo em que é absolutamente humilde a ponto de nenhum ato ou palavra lhe tirar a calma e nem fazê-lo ficar na defensiva. O mais destemido é aquele que está sempre presente no momento, sem sentimentos de inferioridade que o levem a se esconder ou fugir, eternamente preocupado com a própria imagem e a autoproteção.

O “peso social” que você diz sentir não passa de uma invenção da sua cabeça. Você é livre para fazer o que quiser. O motivo principal pelo qual você nunca deve se preocupar com a opinião alheia é que aquelas pessoas cujo julgamento poderiam lhe importar, com toda certeza estão cuidando da própria vida e não têm tempo para lhe julgar. Acima de tudo, compreenda que pessimistas e cínicos costumam ser pessoas que não conseguiram o que queriam da vida e, por isso, acham que devem lhe alertar de que você também não conseguirá. 

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Cifrada da Intervenção

No Reino da Bola Redonda, tem coisa que desce quadrado…Resiliente e com mil vidas, o rei Marrom tentava um acordo informal com o Grão Capa Preta mas, após a conversa reservada, percebeu na hora que a bola ia ficar atravessada no meio de campo. Reagiu com uma jogada de mestre: articulou com o filho do Super Supremo, que tem poder na Cúpula Bem Forte (CBF) para dar um tempo e voltar depois, de maneira definitiva.

O problema é que tem gente grande e importante com bons amigos na artilharia da Cúpula, um deles, filho de uma antigo reis. Volta o experiente Rei Marrom ou assume o jovem genro gente boa e que entende de leis? As apostas são altas e a torcida é organizada. Que o melhor leve a braçadeira!

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Foto do dia

A colunista tira uns dias sabáticos pensando que no final do ano quase não tem nada acontecendo mesmo… Tsc, tsc. Estamos falando de Brasília e a história nada mais é do que uma sucessão de situações de curto prazo que mudam para sempre o mundo. 

Bolsonaro preso e Câmara votando a redução da sua pena, o ministro Alexandre de Moraes tendo a esposa como advogada bem paga do ruidoso caso Master, o STF se protegendo de uma ofensiva pelo impeachment dos ministros, mandato de Carla Zambelli mantido pelos pares e retirado de novo pelo Supremo (e, por  último, renunciado por ela) – e vou parar por aqui porque não temos o dia todo.

Disso, conclui-se que: 1) Um político é um sujeito que adquire o poder de decidir mediante a luta competitiva pelos votos do eleitor. Assim, a eleição dos representantes é mais importante do que a decisão de questões pelo eleitorado. 2) O eleitorado não controla seus líderes políticos, só pode se recusar a reelegê-los. Assim, a função primária do eleitor é formar e dissolver governos. 3) Derrotas em questões importantes enfraquecem o líder e o removem da liderança. Cada voto contra o que deseja o líder é um voto de confiança ou desconfiança. E, claro, nenhuma liderança é absoluta.

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A frase para pensar

“Os países que caíram lutando, se reergueram, mas os que se renderam mansamente foram liquidados”, Winston Churchill, ex-primeiro-ministro do Reino Unido de 1940 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, e novamente de 1951 a 1955.

  1. O que não impediu que a apuração continuasse: conversas informais em ambientes sem registro ou, ao contrário, anotando 80% daquilo que o meu interlocutor bem-informado falava, sabendo que iria consultar ponto por ponto depois. Enquanto houver coisas a dizer, terá coluna. ↩︎
  2. Se a sua especialidade é o poder, tem que ser casca grossa nesse negócio de lidar com gente insatisfeita com você…  ↩︎

Sávia Barreto

Sávia Barreto, jornalista, fundadora e diretora-geral do Boletim Brio. Mestra em Comunicação, pesquisou Análise de Discursos e Eleições na Universidade Federal do Piauí. Cursou Doutorado em Políticas Públicas (Ufpi), estudando desigualdade de gênero. Graduada em Comunicação Social na Universidade Estadual do Piauí. Estudou Ciências Sociais (Ufpi). Tem MBA em Comunicação Política e Sociedade pela ESPM, São Paulo. Integra o grupo de estudos “Estratégia, Dados e Soberania” na UNB e é diretora de Comunicação Estratégica da ONG “Fórum para Tecnologia Estratégica dos Brics”, em Brasília, onde reside. Com 17 anos de experiência em redações do Piauí, trabalhou nos últimos dois anos como comentarista e colunista de política em Brasília. Trabalha com consultoria em branding e gerenciamento de reputação digital na Brio Comunicação Estratégica.
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