Em Teresina, o “B-R-O-bró” deixou de ser apenas uma expressão popular. Os meses finais do ano se tornaram um desafio real à saúde e à vida em comunidade. As temperaturas ultrapassam os 40 °C. Mero incômodo ou dano real à saúde? O fenômeno climático é inevitável, mas a pergunta central é: como o Poder Público tem se preparado para enfrentar seus efeitos?
Estudos mostram que noites quentes reduzem a qualidade do sono, comprometendo humor e aprendizado. O calor excessivo diminui a concentração de estudantes, reduz a produtividade no trabalho e está associado a maior irritabilidade, crises de ansiedade e depressão. Além disso, provoca desidratação e pode agravar doenças pré-existentes.
O incômodo climático potencializa desigualdades, porque nem todos têm acesso a ambientes climatizados ou condições de se proteger do mesmo modo, e afeta sobremaneira a qualidade de vida dos teresinenses.
Cidades como Dubai, nos Emirados Árabes, que enfrentam temperaturas ainda mais elevadas, investem em políticas de mitigação: espaços públicos climatizados, transporte adaptado, sombreamento urbano e estratégias para proteger a população. Em Teresina, apesar da rotina previsível do B-R-O-bró, quase nada é feito. O problema não é o calor, mas é a ausência de políticas públicas à altura da realidade.
A meteorologia prevê chuvas acima da média em 2025, que podem até aliviar em alguns dias, mas não muda a regra: o teresinense seguirá exposto. Cabe ao Poder Público, e à sociedade que cobra, compreender que enfrentar o calor significa enfrentar desigualdades e garantir dignidade no cotidiano.
PAREI PARA VER

Um novo olhar sobre Altos-PI. O sobrevoo revela a beleza da cidade vista do alto: a mistura da urbanização com a força da natureza que nos cerca. Registro: @powerbits/Instagram.


