Nova variante da Covid-19 confirmada no Piauí mostra que sofremos também de memória curta 

A confirmação da circulação da variante XFG da Covid-19 no Piauí, conhecida como a “variante da rouquidão”, reacende em todos nós memórias recentes e ainda dolorosas. Cinco anos se passaram desde o auge da pandemia que paralisou o mundo, ceifou vidas e nos obrigou a olhar de frente para a fragilidade da nossa condição humana. Nesse contexto, quais foram as lições e o que ficou de aprendizado desse período que tanto alterou a vida das pessoas em todos o mundo? 

A onda da Covid-19 de 2020 nos ensinou a importância da ciência, da solidariedade coletiva e do cuidado com os mais vulneráveis, hoje vemos como parte dessas práticas foram abandonadas. O uso da máscara por aqueles com algum sintoma, por exemplo, um gesto simples e até símbolo de educação, atualmente é raro. O mesmo é praxe em países como a China que, pelo nível populacional leva muito a sério o controle de doenças. A vacinação, embora ainda disponível e eficaz, já não mobiliza como antes. O relaxamento é fruto de uma perigosa memória curta, que transforma uma tragédia global em uma lembrança com um sabor ruim.

A atual variante da doença, embora,  distante de ser grave como a sua primeira, tem sintomas incômodos, que só depois de adquiridos, lembram as pessoas da importância de cuidar da saúde: rouquidão, uma respiração curta, se faz mais esforço para respirar, um cansaço generalizado, zumbido no ouvido, perda de olfato e paladar e pode ocorrer surdez temporária.

Não se pode ignorar também a sombra da desinformação. Durante a pandemia da Covid-19, o movimento antivacina encontrou terreno fértil nas redes sociais, espalhando dúvidas, desconfiança e teorias conspiratórias. Esse fenômeno, tão perigoso quanto o próprio vírus, transformou saúde pública em algo semelhante a um campo de batalha ideológico. 

O livro “A Bailarina da Morte: A gripe espanhola no Brasil”, de Heloisa Murgel Starling e Lilia Schwarcz, aponta para a repetição de padrões sociais e políticos em epidemias: a negação inicial, a desinformação, a resistência a medidas coletivas e a insistência em voltar rapidamente à normalidade. A obra é um estudo histórico aprofundado e mostra que, apesar do avanço da ciência, os comportamentos humanos diante do medo e da incerteza permanecem surpreendentemente semelhantes.

As crises sanitárias, seja onde forem, são também crises sociais e políticas, uma lição que o país ainda não aprendeu por completo e, talvez, insista em esquecer.

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